Atlético e Arsenal deixam tudo para se resolver em Londres (crónica)
MADRID — Depois do desafio de terça-feira, entre o PSG e o Bayern, era difícil não cair na tentação de comparar esse empolgante encontro com o desta quarta, entre Atlético Madrid e Arsenal, que terminou com empate a um golo. Ao intervalo já se podia constatar que este duelo da primeira mão das meias-finais da UEFA Champions League pouco tinha a ver um com o outro.
Enquanto em Paris as duas equipas se lançaram a um ataque aberto com os olhos postos na baliza contrária, no Metropolitano não houve loucuras. Tudo foi muito mais conservador, com muita prudência e poucas jogadas de perigo. No dia anterior, chegou-se ao descanso com cinco golos marcados, nesta quarta-feira só com um, de grande penalidade. Os dois desafios só se compararam no empenho e no esforço dos jogadores das duas equipas, mas o conceito futebolístico mostrado por uns e outros foi bem diferente.
Esperava-se que, na condição de visitado, o Atlético tomasse a iniciativa à procura de adiantar-se no marcador. Não foi assim. A impressão dada desde o início foi a de que, para Simeone, a eliminatória durava 180 minutos e não apenas os 90 deste jogo. O prioritário era evitar a todo o custo sofrer qualquer golo. Com isso, a turma madrilena não se importou de ceder a bola ao Arsenal e esperar atrás com todos a defender, fechando os espaços por onde pudessem entrar atacantes visitantes.
O complemento da estratégia deveria ser o de, recuperado o esférico, lançar-se com rapidez para o contra-ataque, algo que só raramente sucedeu. Faltava velocidade, a distância entre uma área e a outra tornava-se demasiado longa e, quando conseguia aproximar-se da área adversária, aí estavam os defesas ingleses para, sem demasiadas dificuldades, resolverem todas as situações.
O Arsenal também não criou ocasiões de perigo para Oblak. Houve uma primeira ameaça de Gyokeres, que ficou em nada, até que, já à beira do intervalo, o antigo sportinguista foi derrubado por Hancko. O árbitro assinalou penálti, decisão que pareceu demasiado rigorosa e que Gyokeres aproveitou para marcar o primeiro golo da noite e colocar a vantagem com que os londrinos foram para o intervalo.
Gyökeres fez o primeiro da partida 🍿#sporttvportugal #CHAMPIONSnaSPORTTV #UEFAChampionsLeague #atléticodemadrid #arsenal pic.twitter.com/uYbwLyQ2jc
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A perder, Simeone estava obrigado a tomar decisões. Deixou o filho Giuliano no balneário e deu ordens à equipa de dar um passo em frente. Foi o que ela fez. Nos primeiros minutos da segunda parte, Julián Álvarez esteve perto de igualar e depois foi Gabriel quem salvou o que parecia um golo certo de Griezmann. Mas não tardou muito em surgiu o empate.
A bola embateu no braço de White, o juiz entendeu que o lance era merecedor de grande penalidade. Julián Álvarez não perdoou e, com um potente remate, bateu Raya. Impulsado por este golo, o Atlético continuou a insistir no ataque à procura de um novo tento, que podia ter surgido num remate de Griezmann que levou a bola a embater na barra.
Se Gyökeres marcou de grande penalidade, Alvarez retribuiu da mesma maneira 🥶#sporttvportugal #CHAMPIONSnaSPORTTV #UEFAChampionsLeague #atléticodemadrid #arsenal pic.twitter.com/QdL6TYy7CD
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Foram vinte minutos muito intensos da equipa da casa. O Atlético fez sofrer o Arsenal, que, pouco a pouco, foi aliviando a pressão e equilibrando as operações. Mas foi o Atlético quem mais perto esteve de voltar a marcar, numa jogada em que Lookman apareceu isolado frente ao guardião visitante sem ser capaz de o bater.
Passada a meia hora, o Atlético passou por um enorme susto. Hancko fez cair Eze dentro da área, o árbitro Danny Makkelie assinalou penálti, mas depois de consultar as imagens, decidiu dar o dito por não dito, numa decisão que tirou ao Arsenal a oportunidade de voltar a adiantar-se no marcador.
Até final já não houve nada mais de especial a assinalar. As duas equipas pareceram mais preocupadas com não sofrer outro golo do que na procura do da vitória e, satisfeitas com o empate, deixaram que tudo se resolva em Londres na semana que vem.
O resultado aparece como justo. Na primeira parte, o Arsenal foi superior, cómodo frente ao demasiado respeito que por ele teve o Atlético, que, na segunda parte fez o que, jogando em casa, talvez deveria ter feito também na primeira. Conseguiu, ainda assim, o grande objetivo de chegar vivo à segunda mão, em que qualquer coisa poderá acontecer.