João Lusevikueno, presidente da ANCAF
João Lusevikueno, presidente da ANCAF

Árbitros deixam de ser pagos pelos clubes, acabaram os 'envelopes'

Acordo com UNITEL para naming do Girabola permite mudar prática de serem clubes visitados a suportar as despesas com árbitros e delegados, passando essa responsabilidade para a organização da Liga. Com isso, cai a suspeita em relação aos 'envelopes'...

A era da Liga UNITEL Girabola traz consigo uma das reformas mais pedidas por agentes desportivos e adeptos: a autonomia financeira da arbitragem. Até agora, o modelo vigente obrigava os clubes, na condição de visitados, a arcar com as despesas de alojamento, transporte e honorários da equipa de arbitragem e do comissário de jogo — um custo superior a 835 mil kwanzas por partida (perto de 800 euros). Com o novo acordo assinado, em Luanda, por FAF e  ANCAF, esta responsabilidade passa a ser assumida centralmente pela organização da Liga, recorrendo aos fundos do novo patrocinador.

Um dos pontos mais sensíveis abordados nos depoimentos é o impacto desta mudança na integridade do jogo. Ao remover o clube da posição de pagador directo dos árbitros que ajuízam o seu próprio jogo elimina-se uma zona cinzenta que muitas vezes alimentava suspeições e pressões indevidas.

«O objectivo é precisamente trazer alguma verdade desportiva», sublinhou o presidente da ANCAF, João Lusevikueno, reforçando que o árbitro deve sentir-se um profissional independente, vinculado apenas à organização da prova e às leis do jogo, e não dependente da logística providenciada pelo clube visitado.

Se para os árbitros a mudança traz dignidade e independência, para os clubes o benefício é um balão de oxigénio financeiro imediato. Estima-se que cada emblema do Girabola venha a poupar, em média, mais de 10 milhões de kwanzas (9200 euros) por época só em despesas de arbitragem.

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