Árbitros deixam de ser pagos pelos clubes, acabaram os 'envelopes'
A era da Liga UNITEL Girabola traz consigo uma das reformas mais pedidas por agentes desportivos e adeptos: a autonomia financeira da arbitragem. Até agora, o modelo vigente obrigava os clubes, na condição de visitados, a arcar com as despesas de alojamento, transporte e honorários da equipa de arbitragem e do comissário de jogo — um custo superior a 835 mil kwanzas por partida (perto de 800 euros). Com o novo acordo assinado, em Luanda, por FAF e ANCAF, esta responsabilidade passa a ser assumida centralmente pela organização da Liga, recorrendo aos fundos do novo patrocinador.
Um dos pontos mais sensíveis abordados nos depoimentos é o impacto desta mudança na integridade do jogo. Ao remover o clube da posição de pagador directo dos árbitros que ajuízam o seu próprio jogo elimina-se uma zona cinzenta que muitas vezes alimentava suspeições e pressões indevidas.
«O objectivo é precisamente trazer alguma verdade desportiva», sublinhou o presidente da ANCAF, João Lusevikueno, reforçando que o árbitro deve sentir-se um profissional independente, vinculado apenas à organização da prova e às leis do jogo, e não dependente da logística providenciada pelo clube visitado.
Se para os árbitros a mudança traz dignidade e independência, para os clubes o benefício é um balão de oxigénio financeiro imediato. Estima-se que cada emblema do Girabola venha a poupar, em média, mais de 10 milhões de kwanzas (9200 euros) por época só em despesas de arbitragem.