Rui Borges confiante numa nova boa resposta do Sporting, agora diante do Nacional (Foto Miguel Nunes)
Rui Borges confiante numa nova boa resposta do Sporting, agora diante do Nacional (Foto Miguel Nunes)

Baixar à terra, responsabilidade, Alisson e craques sem gestão: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting fez a antevisão à partida deste domingo com o Nacional

— O Nacional cresceu em relação à primeira volta e apenas perdeu por um golo com os outros candidatos ao título. O que espera desta partida?

O Tiago Margarido tem feito um grande trabalho no Nacional. Para nós treinadores, e neste caso para ele fazer o centésimo jogo à frente do Nacional... Deve ser o treinador que está há mais tempo à frente do mesmo clube. É uma boa equipa, muito forte, principalmente no contra-ataque, ataque rápido e transições. O Veron acrescentou ainda mais qualidade ao plantel. É uma equipa que, fora, perdeu sempre pela margem mínima. Bateu-se muito bem com o FC Porto, venceu o SC Braga... Vamos encontrar uma equipa super competitiva, forte em duelos. Fazem algumas faltas e isso faz parte da intensidade com que encaram o jogo. Um conjunto forte em bolas paradas ofensivas, muito bem trabalhada nesse momento. Sofremos golo na Madeira assim. Depois de uma partida de Champions, que acaba por ser sempre difícil a equipa estar ao mesmo nível. Mas a ambição está lá e acredito que faremos um grande jogo.

— Como viveu estes dias depois do apuramento histórico na Champions e como se baixa os jogadores à terra depois de tal feito?

— No nosso diálogo vamos tentando chamar à terra. Sei o grupo que tenho, que lidero. Sabem que depois dos jogos de Champions há sempre estes momentos, tornam-se jogos difíceis. O desgaste físico e mental. E temos de lutar contra isso. Só um grande coletivo consegue lutar e manter a mesma qualidade, intensidade. E esse é o desafio. Acima de tudo, sei a equipa que lidero e acredito que a ambição e responsabilidade deles é de que temos de ganhar. Sabemos que vamos defrontar uma boa equipa, bem organizada e competitiva, mas com a ajuda dos adeptos, com a nossa ambição de vencer e lutar pelo campeonato... Feliz não só pelo Sporting, mas também por todas as outras equipas portuguesas. É algo que valoriza o nosso futebol, é bom ao nível europeu e para o ranking. Passámos a Holanda, penso eu. Estou feliz e quero dar os parabéns a todas as equipas que conseguiram a passagem. É bom para todos nós

— Como encara o interesse do Nápoles em Alisson? Se o perder o Sporting ainda irá ao mercado?

— Quero contar com todo o plantel. Mas não me agarro. Se tiver de sair, sai. Seja o Alisson, seja outro. É o mercado. É mérito de toda a equipa, que se tem valorizado muito bem por aquilo que tem sido capaz de fazer durante toda a época. É natural, faz parte do processo e do futebol. Essas saídas e entradas... Lido bem com isso, não mexe comigo. O Sporting está sempre à frente de qualquer jogador ou treinador, e eu sou um treinador que me agarro muito ao que sou, muito frio nesse sentimento. Preciso de todos e quero todos, mas quando faltar um estão os outros. Fomos ao mercado por dois extremos. O Alisson é jogador do Sporting, está convocado para amanhã.

— Pedro Gonçalves e Luis Suárez estão em risco de não defrontar o FC Porto se virem um cartão amarelo. Vai fazer algum tipo de gestão ao teme que entrem condicionados amanhã?

— Zero condicionados. Mais importante é olhar para o Nacional, quero ganhar o próximo e é isso que importa. Vão os dois para jogo, são opção e conto com eles. Eles sabem melhor do que ninguém que têm quatro amarelos, mas o mais importante é ganhar ao Nacional. Depois quem estiver disponível frente ao FC Porto dará uma boa resposta.

Gonçalo Inácio saiu lesionado no jogo com o Athletic Bilbao. Já recuperou, poderá jogar amanhã?

— Está convocado para amanhã.

— Vai contar com o reforço Faye? Ioannidis já está apto?

Ioannidis está de fora ainda. O Faye já podíamos contar, e amanhã conta também e estará convocado.

Debast já está disponível? Como tem visto o Faye? Consegue dar explosão e capacidade de remate do Alisson?

Todos são diferentes. O Faye é diferente do Alisson, do Geny, do Luis Guilherme... Fomos buscar dois jogadores muito promissores, mais de futuro do que de presente. Iriam ser muito importantes no presente, mas acreditamos no potencial de ambos. Remate do Alisson? Não vou olhar para um jogador só pelo remate que tem ou porque fez dois golos para a Champions... O Alisson tem um potencial enorme. Temos de perceber o contexto e o que tem de crescer em alguns sentidos, principalmente internamente. Contratámos os jogadores não só para jogos de Champions, mas também para os do campeonato. E eles têm de dar resposta nos jogos internos, mais do que até nos outros. Claro que queremos em todos, mas o nosso foco é interno. E todos têm de crescer em algumas coisas. O Alisson na tomada de decisão nos jogos internos, em que não tem tanto espaço, na Champions tem mais espaço no um para um... O Faye é mais de profundidade, pica mais a profundidade sem bola. São jogadores muito dinâmicos e isso aumenta a qualidade do grupo, da equipa, e dá-nos outras soluções. O Debast, para já, está fora. Não tem qualquer problema, é mesmo gestão do que foi a lesão dele. Não o queremos a 70% ou 80%, queremos a 100%.

— Numa semana o Sporting defronta o Nacional num jogo que não pode perder sob pena de se atrasar ainda mais na Liga, tem um encontro da Taça de Portugal com o Aves SAD que é a eliminar e vai ao Dragão defrontar o líder FC Porto. Esta é a semana mais importante desta época. Os jogadores estão cientes dessa responsabilidade?

— A equipa está sempre com a responsabilidade lá. Não é a mais importante, é importante. Eu percebo. Discute-se a passagem na Taça, estamos em segundo lugar, mas ainda há muitos jogos. Temos de ter essa responsabilidade de querer disputar as meias-finais da Taça e de querer lutar por um troféu que somos detentores. O Sporting não fica contente com uma Taça, fica contente por lutar por tudo. Estamos dentro de todas e é por isso que vamos fazer de tudo. Percebo que é uma semana importante, porque jogamos com o primeiro fora de casa, mas é um jogo como os outros. Primeiro temos de vencer o Nacional, depois o Aves SAD e só aí pensaremos no FC Porto.

MENSAGEM SOBRE A CALAMIDADE NO CENTRO DO PAÍS

Deixar a nossa solidariedade em relação àquilo que a tempestade causou no nosso país, principalmente na zona centro. Naquilo que o Sporting puder ajudar, estará sempre disponível. Acredito que a equipa profissional de futebol masculina, bem como toda a estrutura. Estaremos aqui para dizer presente, com todo o amor e carinho, para minimizar um pouco do que tem sido o sofrimento dos últimos dias