«Arbeloa dá-nos donuts e bolachas depois do treino»
Em entrevista à ESPN durante a concentração da seleção francesa nos Estados Unidos, Eduardo Camavinga abordou a atualidade do Real Madrid, elogiou o papel de Arbeloa, defendeu a imagem de Vinícius Júnior e falou sobre a renovação da equipa.
O gaulês destacou a gestão do treinador espanhol, comparando-a à de... Carlo Ancelotti. «Arbeloa tem o mesmo espírito que Ancelotti. Dá-nos muita liberdade e fala com o jogador», explicou, revelando um pormenor curioso do quotidiano da equipa: «Às vezes, ele aparece com presentes depois do treino… donuts, Oreo...». Para o médio, esta abordagem tem um impacto direto no rendimento. «A este tipo de jogadores só é preciso fazê-los felizes. Quando estás feliz, os teus pés fazem o que querem».
Sobre o colega Vinícius Júnior, o ex-Rennes foi perentório ao afirmar que a sua imagem pública não corresponde à realidade. «As pessoas não se apercebem. Ele é uma pessoa muito boa», defendeu. «É muito emotivo. As pessoas veem quando ele grita e pensam que é um problema, mas não o conhecem». Camavinga acrescentou ainda um detalhe do balneário: «Ajuda sempre os jovens. Quando chega um jogador novo, é o primeiro a aproximar-se».
O médio abordou também a controvérsia em torno das celebrações do brasileiro. «Na Europa não entendem isso. No Brasil ou nos Estados Unidos é normal. É futebol, é um jogo».
No que toca à temporada dos merengues, o jogador de 23 anos admitiu o início irregular, mas reconhece melhorias. «Começámos um pouco lentos, mas agora estamos a melhorar». O francês explicou a mudança geracional no meio-campo, agora sem as lendas Kroos, Modric e Casemiro. «Não somos como eles. Temos mais potência e velocidade. O futebol também mudou».
O jogador reconheceu que a equipa está em reconstrução. «Saíram muitos jogadores e chegaram outros. Temos de construir uma nova equipa». Na Champions, admitiu que a mentalidade é diferente. «Não sei o que acontece. Ouvimos a música e algo muda». A eliminatória com o Manchester City serviu de lição: «Entendemos que podíamos defender juntos, sofrer e depois atacar para matar o adversário». Uma mentalidade que aplica a si mesmo: «Se tiver de matar, mato. Ou é ele ou sou eu».
Camavinga sublinhou a exigência do clube, afirmando que «no Real Madrid é preciso ganhar tudo. É o mínimo», e confessou que lida bem com a pressão: «Quando não tenho pressão, é estranho». O bom ambiente no balneário é, para si, fundamental. «O espírito é bom. Somos jovens e entendemo-nos facilmente. Quando a equipa está bem de espírito, tudo é mais fácil em campo». A nível pessoal, o objetivo é claro: «Quero ser mais consistente, jogar mais».