Aposta no feminino
No mês dedicado à celebração dos direitos da mulher e à sensibilização para a importância da igualdade de género, é essencial refletir sobre o papel das mulheres no desporto em Portugal.
Publicada a 15.02.2024 a Lei n.º 23/2024 introduziu, há dois anos atrás, uma mudança significativa no panorama desportivo português ao impor uma maior paridade entre géneros na composição dos órgãos dirigentes das federações desportivas e da liga profissional uma vez que estabelece que, a partir de 2026, a proporção de pessoas de cada sexo nessas estruturas não pode ser inferior a 33,3% — proporção que a FPF cumpre e respeita.
Esta transformação não é apenas sobre estatística, mas também sobre garantir que as mulheres possam participar nas decisões que moldam o desporto nacional. A representação feminina em cargos de poder e influência é essencial para enfrentar as dinâmicas desiguais e eliminar barreiras estruturais que, durante anos, perpetuaram práticas discriminatórias e limitações ao desenvolvimento do desporto feminino.
Paralelamente à maior representatividade em cargos de liderança, é também imprescindível investir na promoção do desporto feminino em todas as modalidades e níveis de competição – os planos apresentados pela FPF ontem para os próximos 10 anos são um bom exemplo.
Com efeito, as mulheres ainda enfrentam desafios em termos de visibilidade, financiamento desigual e estereótipos enraizados. Estas barreiras começam cedo, nos primeiros níveis de iniciação ao desporto.O desporto é um dos maiores espaços de inclusão e superação de barreiras na sociedade.
Garantir que todas e todos tenham oportunidades iguais não é apenas uma questão de princípio, mas uma condição essencial para um futuro mais justo e enriquecedor, onde o desporto se afirma como uma plataforma de transformação social capaz de inspirar gerações.