Aos 56 anos, a escritora Marjane Satrapi morreu «de tristeza»
A escritora e ilustradora franco-iraniana Marjane Satrapi, célebre pela novela gráfica autobiográfica «Persépolis», faleceu em Paris com 56 anos.
Segundo a nota divulgada pela família e amigos, a morte está ligada ao luto pela perda do marido. «Marjane Satrapi morreu de tristeza e desgosto pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, o marido e o amor da sua vida», pode ler-se. O produtor, ator e argumentista Mattias Ripa faleceu a 8 de abril de 2025.
Nascida a 22 de novembro de 1969 em Rasht, no Irão, Satrapi tornou-se uma voz crítica proeminente contra o regime teocrático iraniano. A sua obra mais conhecida, «Persépolis», narra a infância em Teerão após a revolução de 1979 e o subsequente exílio na Europa, para onde foi enviada pelos pais.
La réalisatrice franco-iranienne Marjane Satrapi, 56 ans, "est morte de tristesse un peu plus d’1 an après le décès de son mari et l’amour de sa vie" (communiqué de ses proches)
— Destination Ciné (@destinationcine) June 4, 2026
Son film #Persepolis en 2007 était un plaidoyer contre l’islamisme et le voile pic.twitter.com/M7VSXFjxVI
O sucesso da banda desenhada levou a uma adaptação cinematográfica em 2007, que Satrapi corregualizou com Vincent Paronnaud. O filme de animação estreou no Festival de Cannes, onde partilhou o Prémio do Júri com «Silent Light». «Persépolis» foi ainda o candidato francês ao Óscar de Melhor Filme Internacional e recebeu uma nomeação para Melhor Filme de Animação, tornando Satrapi a primeira mulher a ser nomeada nesta categoria.
O seu portefólio inclui outras obras notáveis, como a novela gráfica «Poulet aux prunes» (Frango com Ameixas), que também adaptou ao cinema. Realizou ainda a comédia de terror «The Voices», com Ryan Reynolds, e «Radioactive», um filme biográfico de 2019 sobre a vida de Marie Curie.
A última banda desenhada, «Woman, Life, Freedom» (Mulher, Vida, Liberdade), foi publicada em 2024. Em 2022, manifestou o apoio aos protestos no Irão, despoletados pela morte de Mahsa Amini, considerando o movimento «Mulher, Vida, Liberdade» uma revolução cultural.
Marjane Satrapi residia em França desde 1994, tendo obtido a nacionalidade francesa em 2006.