António Silva responde aos críticos: «Há uma perseguição»
António Silva comentou as recentes críticas de que tem sido alvo ao serviço do Benfica, em entrevista no canal de YouTube de João Oliveira, e admitiu que, antigamente, sentia essa pressão, mas que já não.
«Não gosto de me vitimizar, mas acho que há uma perseguição, às vezes, da culpa é do António. O que eu posso controlar é o meu trabalho e eu sei que o faço bem: sou o primeiro a chegar ao centro de estágio, ginásio, a tomar pequeno-almoço, a ir à fisioterapia. É a minha vida, é o que eu gosto e é o que eu controlo. Admito que no passado quando era mais novo sim, porque tudo era um mar de rosas. Depois, um erro, dois, algo que é perfeitamente normal, espero que os tenha, porque é sinal de que estou a jogar. Mas hoje não, estou muito calejado para isso, estou perfeitamente habituado a isso. A nível pessoal vai ser muito bom para a minha vida, porque já sei lidar com momentos difíceis e algo que possa passar também para os meus filhos. Portanto, estou perfeitamente habituado a essa pressão», começou por explicar, lembrando o momento em que tudo mudou.
«Sim, tive uma ascensão muito rápida, passo dos juniores para a equipa A. E, fruto daquilo que é a minha primeira época no Benfica, muito boa, sabia que ao primeiro erro ia levar uma martelada. É o futebol. Depois muita mentira contada passa a ser verdade, cria-se estereótipos de jogadores, depois aquele erro que tive na Seleção, foi a partir daí que as coisas tomaram uma proporção gigante, que para mim não faz sentido. Na altura tinha 19, 20 anos. Acho que até devia ser um pouco ao contrário, deviam apoiá-lo, um jogador português, do Benfica, é bom para a Seleção. Apoiá-lo e não dar constantes marteladas, mas o futebol é assim, fruto de ser jogador do Benfica. Existe essa perseguição de floppar o jogador, mas criticarem ainda mais e isso comigo tomou proporções muito grandes e apoio-me nas pessoas que gostam de mim», afirmou, referindo-se ao jogo com a Geórgia, no Euro 2024.
«Nesse mesmo torneio [Euro 2024], o Pepe tem um erro que é perfeitamente normal, não dá golo, mas se desse não iam fazer o mesmo que fazem comigo. É o Pepe, é incomparável, mas só para dizer que, da mesma maneira que eu errei com 20 anos, o Pepe errou com 41, eu vou errar quando tiver 31, faz parte do jogo. O Otamendi também o faz, o Tomás também o faz. É errar e no jogo seguinte estar lá para dar a cara», atirou o central, que, recorde-se, ficou fora da convocatória para este Mundial.
Por outro lado, admitiu que já cumpriu vários sonhos de infância. «Sim, fui capitão, a primeira vez com 19 anos, salvo erro. Até sou o capitão mais jovem de sempre e é um orgulho. Hoje sou capitão com 181 jogos no Benfica. O que é que eu posso pedir mais?», questionou.