Kevin Kampl no adeus ao Leipzig - Foto: IMAGO

Antigo protegido de Roger Schmidt vira jardineiro em Maiorca para ultrapassar tragédia

Acompanhou o antigo treinador do Benfica no Salzburgo e no Leverkusen, e por pouco não emigrou também para a China

Após colocar um ponto final na carreira de futebolista profissional em janeiro, Kevin Kampl encontrou na tranquilidade da ilha de Maiorca o refúgio ideal para recomeçar. O antigo internacional esloveno, de 35 anos, decidiu rescindir amigavelmente o contrato que o ligava ao RB Leipzig em janeiro último, seis meses antes do término previsto, afastando-se dos relvados na sequência das mortes inesperadas do pai e do irmão num curto período de tempo.

Na sua propriedade em Espanha, o ex-médio trocou a pressão do futebol de alta competição pelo cultivo da terra, uma atividade que tem servido como pilar para superar o luto familiar. Em declarações ao jornal alemão Bild, Kampl não escondeu a dureza do período recente, mas destacou o impacto positivo da mudança de ares. «Tive um ano bastante terrível, não há outra palavra para descrevê-lo. A vida tem de continuar, embora tenha sido muito difícil aceitar tudo o que aconteceu. A paz e o sossego que temos em Maiorca têm-nos feito muito bem a todos», confessou o ex-jogador.

Na nova rotina diária, o trabalho no campo já começa a dar frutos e é motivo de orgulho para a família. «Temos meloas, melancias, tomates, cebolas, pimentos e muito mais. Tudo cresce como louco por aqui, e o azeite que produzimos é delicioso», revelou sobre a produção agrícola na ilha.

Com um percurso maioritariamente construído no futebol alemão — onde representou emblemas como Bayer Leverkusen, Borussia Dortmund, Greuther Fürth, Osnabrück e Aalen, além de uma passagem de sucesso pelos austríacos do Red Bull Salzburgo —, Kampl deixou a sua marca mais profunda no RB Leipzig. Ao serviço do clube germânico, onde ingressou no verão de 2017, cumpriu 283 partidas oficiais e conquistou duas Taças da Alemanha consecutivas, em 2022 e 2023.

Kampl manteve uma ligação muito forte com Roger Schmidt — técnico que mais tarde viria a orientar o Benfica —, trabalhando sob o comando do alemão em dois clubes. O percurso conjunto começou precisamente no Red Bull Salzburgo, entre 2012 e 2014, onde o esloveno se destacou no futebol europeu e conquistou a «dobradinha» (campeonato e Taça da Áustria) na época 2013/14. Reencontraram-se depois no Bayer Leverkusen, entre 2015 e 2017, num projeto para o qual Kampl se transferiu vindo do Borussia Dortmund, expressamente para voltar a ser treinado pelo germânico. O entendimento entre ambos era tão acentuado que o jogador admitiu publicamente ter estado perto de rumar ao Beijing Guoan, na China, apenas para acompanhar o treinador após a sua saída do futebol alemão.

Apesar da mudança radical de estilo de vida e das 28 internacionalizações somadas pela seleção da Eslovénia, o antigo médio garante que não cortou os laços com o desporto nem com o clube onde jogou durante quase uma década. «Mantenho-me sempre ao corrente do que o RB Leipzig está a fazer e continuarei a fazê-lo. Também estarei muito na cidade, por isso quem sabe o que o futuro reserva», concluiu, deixando a porta aberta para uma futura colaboração com o emblema germânico.

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