Fernando Alonso, piloto da Aston Martin - Foto: IMAGO

Alonso irritado: «Estamos a ir a menos 50 km/h para pouparmos energia»

Piloto da Aston Martin refere que os melhores pilotos já não são recompensados e afirma que a equipa começou «com o pé esquerdo»

Após mais um dia de testes no Bahrain, Fernando Alonso, piloto da Aston Martin, mostrou-se muito desagradado com a forma como os novos monolugares da Fórmula 1 se comportam, devido ao aumento da motorização elétrica, afirmou que, ao contrário do que antes acontecia, os carros agora têm de reduzir a velocidade em certas curvas, o que só dará espaço para ultrapassagens nas retas.

«A capacidade do piloto era decisiva para ser rápido no tempo da volta. Agora fazemos a curva 12 (do Circuito do Bahrain) a menos 50 quilómetros por hora porque não queremos gastar energia e queremos poupá-la para as retas. O cozinheiro da equipa consegue conduzir o carro», afirmou, aos microfones da DAZN, num comentário em que adicionou que «os melhores gestores de energia» estão a ser recompensados, ao invés dos melhores pilotos.

O espanhol traçou um cenário pouco otimista para o início de temporada da Aston Martin e admitiu que a equipa não se encontra na posição desejada. As declarações do bicampeão mundial surgem na sequência de um alerta já deixado pelo colega de equipa Lance Stroll, que, na passada quinta-feira falou abertamente sobre os problemas do monolugar.

«Começámos com o pé esquerdo», afirmou Alonso, que sublinhou o impacto negativo de terem falhado várias sessões nos testes de Barcelona. O piloto espanhol revelou que a equipa de Silverstone só conseguiu participar num dia e meio dos cinco dias de ensaios privados em Montmeló, além de não ter podido realizar os habituais filming days, os dias reservados para a captação de imagens por parte das equipas.

O asturiano, que só voltará a pilotar o AMR26 na segunda ronda de testes em Sakhir, na próxima semana, foi claro quanto às expectativas para a prova inaugural do Mundial de 2026. «Somos realistas e sabemos que não seremos os mais rápidos em Melbourne», vaticinou, referindo-se ao Grande Prémio da Austrália, o primeiro da temporada 2026 da Fórmula 1, agendado para 8 de março. Segundo Alonso, a falta de tempo em pista tem sido o principal obstáculo. «Não rodámos de forma contínua», explicou, acrescentando que a equipa está a encontrar «pequenos problemas sempre que sai para a pista».

Apesar das contrariedades, o antigo piloto da Ferrari mantém a confiança na equipa, especialmente no que diz respeito ao chassis, muito por influência de Adrian Newey, o arquiteto do AMR26 que assumiu também as funções de chefe de equipa. «A unidade de potência é um pouco mais difícil porque ainda não entendemos bem o regulamento, mas quanto ao chassis, não há dúvida. Após mais de 30 anos com Adrian Newey a dominar o desporto, não se vai esquecer de tudo num ano», defendeu.

Recorde-se que Stroll havia estimado o défice do carro em 4,5 segundos para a frente do pelotão. No entanto, Alonso acredita que a situação pode ser revertida ao longo do ano, citando o exemplo da McLaren em 2023, que, após um início de época difícil, terminou o ano com sete pódios. «No nosso caso, a segunda parte da temporada será diferente. Embora comecemos mais devagar, podemos melhorar», concluiu.