Tomás Barroso, vice-presidente do Benfica para as modalidades (foto SL Benfica)

«Alertei o presidente Rui Costa para os fins de ciclos nas modalidades»

Benfica prepara uma revolução nas modalidades: voleibol, andebol e basquetebol com novo rumo. Vice-presidente dos encarnados, Tomás Barroso, faz o balanço da temporada e projeta o futuro imediato

Tomás Barroso, vice-presidente do Benfica para as modalidades, fez um balanço da temporada 2025/26, assumindo satisfação pelos resultados alcançados, mas também apontando áreas onde considera necessária uma renovação para manter a competitividade dos encarnados.

Em entrevista à BTV, o dirigente destacou o número de títulos conquistados ao longo da época, embora reconhecendo que o contributo das equipas femininas foi determinante para o saldo positivo.

«O balanço é de muitas conquistas. Mais conquistas do que derrotas. É verdade que muito a reboque das equipas femininas. No ano passado, as equipas masculinas ganharam dois campeonatos em cinco e este ano queríamos ganhar três em cinco, o que não foi possível pelo facto de o basquetebol não ter conseguido o penta», afirmou.

Barroso revelou ainda que, quando aceitou o convite de Rui Costa para assumir a vice-presidência das modalidades, identificou desde logo a necessidade de avaliar ciclos que poderiam estar a aproximar-se do fim.

«Quando recebi o convite do presidente Rui Costa para assumir estas funções deixei muito claro e partilhei com ele as minhas preocupações relativamente a alguns ciclos, não só de treinadores, mas de equipas e atletas, que poderiam impactar de forma negativa nos resultados finais da época», explicou.

O dirigente garantiu ter procurado ouvir todos os intervenientes ligados ao universo das modalidades antes de avançar com decisões estruturais.

«Quis ouvir as pessoas que trabalham diretamente e diariamente com as modalidades, quis ouvir os sócios, para perceber o que na ideia deles fazia sentido melhorar ou mudar, para nos aproximarmos cada vez mais dos títulos. E fiz uma pergunta muito clara: Mas a exigência e a união dependem de quem? Dependem de nós. Temos de ter as pessoas certas nos lugar certo, e o fundamental é o perfil. Não só nos jogadores e nos treinadores, também na estrutura. Nem sempre o talento é o mais importante, também é o carácter, o compromisso, a camaradagem. Trabalhar no Benfica tem de ser um privilégio, e não pode ser tudo como algo garantido. São precisas pessoas que sintam o Benfica e que vivam verdadeiramente e intensamente o Benfica», defendeu.

«Radiografia a cada modalidade»

No voleibol masculino, Tomás Barroso justificou a saída de Marcel Matz e a contratação de Sakis Pezarras como parte de uma necessária renovação.

«Proponho radiografia a cada modalidade. No voleibol, a saída de Marcel Matz e a entrada de Sakis Pezarras é uma mudança de ciclo. É importante percebermos não só o que é preciso para ganhar no imediato, mas o que temos de fazer para poder continuar a ganhar. O Marcel foi o obreiro do pentacampeonato e merece o nosso respeito. A verdade é que nos últimos dois anos ganhámos apenas um título e isso não pode ser esquecido, e por isso tomámos a decisão de mudar de treinador», explicou.

O vice-presidente acrescentou que o novo técnico foi escolhido pela experiência internacional e pelo conhecimento das rivalidades do campeonato português.

Quanto ao andebol masculino, Barroso destacou a criação de uma nova estrutura e mostrou confiança no trabalho do sueco Anders Hallberg.

«No andebol, foi criada uma equipa com treinador e tem manager. Já temos um coordenador de formação que está a fazer um trabalho incrível. O novo treinador, Anders Hallberg, é capaz de desenvolver o talento jovem e um estilo de jogo atrativo e agressivo, que espero que nos leve a mais conquistas», afirmou.

Basquetebol masculino foi «uma desilusão»

Mais crítico foi o dirigente ao analisar a temporada do basquetebol masculino, modalidade que falhou a conquista do pentacampeonato.

«Foi uma desilusão esta época, temos de dizê-lo, não há como contornar esse facto. A base que levou ao tetra estava em fim de ciclo. Tentámos munir a equipa com elementos de qualidade que nos permitisse continuar a ganhar, mas não foi possível», admitiu.

Com a saída de Norberto Alves, o Benfica está agora à procura de um novo treinador.

«Com a saída do Norberto Alves procuramos agora um novo treinador que conheça, em parte, a realidade do Benfica, que tenha ambição de reconquistar o título e também nas competições europeias», revelou.

«Benfica não será cemitério de treinadores»

Apesar dos títulos conquistados, o basquetebol feminino também vai entrar numa nova fase, com a saída de Eugénio Rodrigues.

«O treinador Eugénio Rodrigues irá sair, e reforço: o Benfica tem de saber encerrar ciclos, mesmo que vencendo. É preciso, agora, fazer uma mudança para uma pessoa com ambição europeia e que nos ajude na reestruturação da formação», explicou.

Tomás Barroso deixou ainda uma garantia sobre a forma como encara a gestão das modalidades: «O Benfica não será um cemitério de treinadores. Assumirei sempre as minhas responsabilidades. Todas as estruturas das modalidades também serão responsabilizadas.»

«Não podemos investir mal»

Questionado sobre o investimento do clube nas modalidades, Tomás Barroso rejeitou a ideia de que o Benfica gaste acima das suas possibilidades, embora admita uma reflexão sobre a distribuição de recursos.

«Não, o Benfica investe aquilo que é adequado para a sua grandeza. Estamos a fazer um controlo de custos muito apertado. O Benfica não pode direcionar ou investir mal os seus recursos financeiros», afirmou.

«Não haverá desinvestimento»

O dirigente reconheceu que o elevado número de modalidades implica uma dispersão de recursos, mas garantiu que o ecletismo continuará a ser uma marca identitária do clube.

«Faz sentido pensar numa hierarquia e no impacto de cada modalidade. Há uma grande dispersão de recursos com tantas modalidades, e já estamos a trabalhar nisso. O caminho é a sustentabilidade e não perder competitividade. É um equilíbrio difícil. Mas comigo o Benfica vai ser sempre um clube eclético, isso é intocável. Não haverá qualquer desinvestimento nas modalidades», concluiu.

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