Alberto Costa na Seleção, os elogios de Paulo Fonseca e o desafio de Gabri: tudo o que disse Francesco Farioli
Francesco Farioli retribuiu os elogios de Paulo Fonseca, treinador que diz apreciar e respeitar, mas centrou atenções na visita ao Vitória de Guimarães, onde quer um FC Porto humilde e de «estômago vazio». Na antevisão, o técnico celebrou a primeira chamada de Alberto Costa à Seleção Nacional, um passo que considerou merecido, e defendeu que a Gabri Veiga «não lhe falta absolutamente nada» para chegar à seleção espanhola.
— Que dificuldades espera encontrar frente ao Vitória de Guimarães?
— Eles têm qualidade individual na frente, com jogadores com velocidade e potência que podem ser muito perigosos em muitos momentos diferentes. Têm um estilo de jogo muito claro, jogadores associativos, mas que também têm a capacidade de atacar o espaço, para além de terem, como disse, uma identidade muito clara sobre o que querem fazer com a bola e serem também bastante corajosos sem bola. Portanto, há muitos desafios pela frente. Jogar, naturalmente, depois de um jogo a meio da semana tão exigente é outro desafio, mas, da nossa parte, aquilo que temos de levar na viagem de amanhã é o nível certo de humildade e, sobretudo, ir de estômago vazio, com a vontade de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para avançar para a próxima vitória.
— Antes do jogo com o Nápoles, tinha pedido à equipa para subir o nível e creio que teve a resposta que pretendia. Agora vai pedir que mantenha esse nível ou vai exigi-lo?
— Não, é uma mistura de muitas coisas. Há coisas que temos de transportar do jogo, especialmente dos dois últimos jogos, mas, mais uma vez, o passado é o passado. Aqui a mentalidade deste clube é muito clara, que é ganhar sempre. Ganhar o próximo jogo, e é isso que temos de fazer em Guimarães. Portanto, o que fizemos faz parte do passado. Claro que foi um momento muito especial e importante para toda a gente vencer este jogo a meio da semana, mas, lá está, isto já está longe e temos de passar para o próximo.
— Como encarou a primeira chamada de Alberto Costa à Seleção Nacional e como encontrou o jogador em termos de estado de espírito?
— O Alberto Costa é um rapaz muito maduro. Ele trabalhou muito arduamente para chegar a um nível em que era impossível ignorá-lo e estamos muito felizes por ele, o clube, naturalmente, mas toda a equipa técnica e todos os companheiros estão muito contentes por ele, por este passo em frente que ele realmente merecia. Mas, como sempre, a parte mais importante é confirmar-se a este nível, dar um passo em frente a partir de amanhã e depois quando chegar o momento e tiver esta oportunidade também na Seleção Nacional.
— No meio-campo, à exceção do jogo da Taça da Liga, tem utilizado sempre os mesmos três jogadores. Numa semana com três jogos em poucos dias, torna-se mais difícil gerir a equipa para a deslocação a Guimarães, sobretudo por comparação com o principal adversário na luta pelo título, que tem podido rodar jogadores na Liga Europa, como o próprio fazia na época passada? É uma questão que o preocupa para este jogo?
— Temos seis médios que são verdadeiramente competitivos. Quem quer que vá para o campo, claro que temos de avaliar sempre o estado de forma e o nível de energia que temos, e a partir daí tomar a melhor decisão. Mas depois, como sabe, no meio-campo temos opções para começar de início e opções para entrar e mudar a dinâmica. Portanto, sim, tentar tomar, como sempre, a melhor decisão possível no onze inicial e depois para os jogadores que vão entrar.
— Na época passada, venceu os dois jogos frente ao Nacional de Tiago Margarido por 1-0. O que torna esses encontros tão peculiares? Acredita que ele pode transportar para o Vitória de Guimarães essa estratégia de dificultar a vida ao FC Porto?
— Agora, no Vitória de Guimarães, está a aplicar certas coisas e a fazer também coisas que na época passada talvez não fizesse tanto. Espero talvez algo diferente, porque, naturalmente, tendo a semana inteira para preparar o jogo, imagino que a atenção que vão colocar na partida estará lá, e isso é normal quando se joga contra o FC Porto, assim como o nível de motivação que a equipa dele terá. Mas, por outro lado, o que vai fazer a diferença é a nossa abordagem, o nosso desejo e este sentimento de querer ir buscar mais. Essa é absolutamente a chave para nós na abordagem ao jogo de amanhã em Guimarães.
— Disse que estão todos muito contentes pela chamada de Alberto Costa à Seleção Nacional. Gabri Veiga tem jogado muito, marcado golos e feito assistências: joga e faz jogar. O que lhe falta para chegar à seleção e como lida com esta ausência?
— Não lhe falta absolutamente nada. Acho que é uma questão de tempo e de concorrência. Quando se fala de Espanha, tal como de Portugal, fala-se de uma das melhores seleções nacionais do mundo. No meio-campo têm muita qualidade. Do meu ponto de vista, ele tem todos os atributos para estar lá e ter um papel também na seleção nacional. Mas, lá está, o meu trabalho é ser o treinador do FC Porto e geri-lo quando está aqui connosco. E ele está a fazer um excelente trabalho. Penso que a evolução dele é muito clara, está a melhorar muito também no nível de consistência, na capacidade de recarregar energias e jogar a cada três ou quatro dias. Portanto, estamos muito felizes com a evolução dele. É um rapaz que trabalhou e está a trabalhar muito arduamente para elevar as suas exibições. Estamos muito contentes com a forma como ele se está a desenvolver.
— O novo treinador do Sporting, Paulo Fonseca, elogiou o seu trabalho. Disse que o conhecia bem e que a maioria das equipas não estava preparada para a pressão alta, homem a homem, que o FC Porto faz em todo o campo. Concorda com essa análise e como recebeu os elogios?
— Conhecemo-nos desde o nosso tempo na Ligue 1, quando eu estava no Nice. Foi o meu primeiro jogo no campeonato quando nos defrontámos, na primeira e na última jornada. Sobre as qualidades dele como treinador, nada a dizer. É um treinador que aprecio e respeito muito pelo seu trabalho, pelas suas ideias e pelo que fez em vários clubes e países diferentes. Agora, naturalmente, voltamos a defrontar-nos, ele é o treinador de um dos nossos principais rivais. Portanto, a partir de agora, o nível de competição estará ligado, como é natural e normal. E antes de pensar no Sporting, que será daqui a algumas semanas, vamos focar-nos no Tiago e no Vitória de Guimarães, que neste momento é muito mais importante.
— Na sua análise como treinador, a que se devem os oito golos marcados pelo FC Porto nos últimos dois jogos? Nesta sequência de vitórias, sobretudo no campeonato, a equipa ganhou alguns jogos por 1-0 e, de repente, marcou quatro golos em cada uma das últimas duas partidas. O que explica esta melhoria na finalização? E qual é a importância de chegar à 11.ª vitória consecutiva e entrar em mais uma paragem para as seleções com o pleno de triunfos?
— Sobre a última parte da pergunta, já mencionei o facto de que, aqui, o que está feito, está feito. Claro que as 10 vitórias consecutivas são uma conquista importante, mas sinto, por exemplo — e este é um sentimento muito profundo que tenho pela minha forma de pensar e de ser —, que o jogo de há uma semana no Estoril parece que o jogámos há dois meses, e o jogo com o Nápoles, que foi há três dias, parece que foi há um mês, porque é uma mentalidade e uma forma de estar em que, após o jogo, temos de arquivar e deitar fora aquilo que fizemos, porque temos de seguir em frente. Para mim, esta é a única forma que conheço de sustentar este ritmo, que é muito exigente para toda a gente. É também a forma de esvaziar o depósito e voltar a colocar o nível certo de motivação para enfrentar o jogo seguinte. Agora vamos enfrentar o último esforço antes da paragem para as seleções, mas a paragem para as seleções para mim também está muito longe, porque agora ainda temos cerca de 30 horas para nos prepararmos bem, trabalharmos devidamente e abordarmos um jogo que vai ser muito exigente. E dar tudo da nossa parte em campo, com os adeptos de fora, que desejo e acredito verdadeiramente que venham com a mesma vontade que nós teremos e que nos façam sentir a sua presença lá. É assim que precisamos de viver estas horas antes do jogo com o Vitória.
— Sobre os últimos dois jogos com quatro golos, é uma questão de capacidade de conversão para maximizar as oportunidades. E depois, claro, isso muda muito a nossa avaliação do jogo, porque quando se marca é sempre mais fácil conseguir os resultados que queremos, e quando se marca tanto, ainda mais. Mas acho que estes resultados são também de certa forma consequência de uma excelente segunda parte contra o PSV Eindhoven, onde não marcámos mas criámos muitas oportunidades, ou de jogos anteriores onde talvez tenhamos criado um pouco menos, mas fomos capazes de concretizar. Como sempre, é importante ter um bom desempenho a meio-campo, mas depois o jogo decide-se sempre na nossa área e na área deles, e aí temos de ser muito, muito precisos.
— Oskar Pietuszewski já está a 100 por cento e pode entrar no onze inicial, tendo em conta que Pepê e Borja Sainz têm jogado bastante nas últimas partidas? Há previsão para o regresso de William Gomes?
— O William Gomes estará fora, não fará parte do jogo. O Oskar Pietuszewski treinou hoje com a equipa, pelo que está apto e em condições de viajar connosco e fazer parte do jogo.
— Toni Strata, lateral do Vitória de Guimarães, ocupa zonas interiores em muitas fases do jogo. De que forma esse posicionamento e esses movimentos podem afetar a habitual pressão homem a homem do FC Porto?
— O Toni Strata é com certeza uma ameaça pela forma como a sua contribuição ofensiva é evidente, na capacidade de atacar, e é capaz de fazer bons cruzamentos e boas assistências. Há também as dinâmicas que eles têm no corredor lateral, com o extremo um pouco mais por dentro, às vezes o extremo um pouco mais aberto ou com o médio ofensivo. É uma equipa que se mexe muito e que prepara detalhadamente diferentes estratégias possíveis. Por exemplo, quando jogaram em Alvalade, jogaram com ambos os médios ofensivos muito abertos e os dois extremos por dentro, com um avançado que tem características para baixar e jogar. Têm soluções diferentes em diferentes jogos, por isso, como referi antes, espero para amanhã algumas surpresas ou um tipo de abordagem diferente. Temos de ter em consideração os dois jogos que disputámos na época passada contra o Tiago, para além, naturalmente, do que ele está a fazer agora com jogadores diferentes e um plantel diferente, para tentarmos perceber e estarmos preparados para todos os cenários possíveis.