Alanzinho foi o autor do golo que valeu o triunfo do Moreirense na receção ao Estoril — Foto: Hugo Delgado/LUSA
Alanzinho foi o autor do golo que valeu o triunfo do Moreirense na receção ao Estoril — Foto: Hugo Delgado/LUSA

Alanzinho pintou de verde o que parecia... Turk(uesa) (crónica)

Criativo (ou avançado?) selou o regresso dos cónegos às vitórias mais de dois meses depois. Guarda-redes dos canarinhos estreou-se em grande na Liga

De 16 de fevereiro a 20 de abril vão mais de dois meses de distância. Foi este o período que o Moreirense esteve sem vencer.

Nesta fase, e depois do triunfo (2-1) sobre o Rio Ave, na 22.ª jornada, os comandados de Vasco Botelho da Costa contabilizaram três empates e quatro derrotas. Os resultados, já se sabe, são sempre analisados de forma (por vezes) cruel, mas também não é menos verdade que os verdes e brancos têm passado por momentos absolutamente inusitados, desde logo pelo facto de o técnico estar várias partidas sem poder completar a ficha de jogo com os 20 atletas permitidos, uma vez que a onda de lesões tem sido aterradora.

No entanto, e tal como não há bem que nunca acabe, também não há mal que sempre dure. Mais de 60 dias depois, voltou a haver festa em tons de verde e branco. E o barco que guiou os minhotos à... Costa foi conduzido por Alan.

Já depois de Afonso Assis tentar a sua sorte, logo aos 8 minutos, eis que, aos 12, surgiu o momento (que haveria de revelar-se) decisivo: Alanzinho rematou à entrada da área e beneficiou de um desvio do esférico em Antef Tsoungui para colocar os minhotos a festejar.

Foi, de resto, o único momento em que a formação orientada por Vasco Botelho da Costa encontrou o caminho certo para a baliza do estreante Martin Turk. O jovem guarda-redes esloveno, de apenas 22 anos, chegou no início da presente temporada aos canarinhos e só tinha jogado para a Taça de Portugal, diante de Belenenses (2-1) e Famalicão (1-2), para a 3.ª e 4.ª eliminatórias, respetivamente.

O internacional sub-21 pela Eslovénia não acusou a pressão do momento — nem tão pouco o facto de ter sofrido um golo tão cedo, ainda para mais com um toque de traição à mistura — e partiu para uma exibição que terá, por certo, deixado água na boca aos adeptos do emblema da Linha. Na retina ficaram intervenções a remates de Rodrigo Alonso (22'), Alan (66') e Landerson (71').

O Estoril, sem ter feito uma grande primeira parte, ameaçou o empate, mas o remate de Pedro Carvalho esbarrou no poste (22'). A formação orientada por Ian Cathro melhorou na etapa complementar, mas, na ocasião mais clara de golo, Rafik Guitane viu a barra negar-lhe os intentos (59'). E os cónegos podiam ter aumentado no lance imediatamente seguinte, mas Mateja Stjepanovic deu centímetros a mais ao remate.

O plano estratégico do Moreirense — Alanzinho é um criativo que também pode ser... 9,5 — deu frutos e o Estoril prolongou o jejum, chegando à quarta derrota seguida.

O melhor em campo: Alanzinho (7)

É caso para dizer que os bons jogadores atuam onde... for preciso. O brasileiro, já se sabe, é um criativo puro, um típico número 10, que define como poucos no último terço, mas se o plano estratégico do treinador passar por tê-lo ligeiramente mais à frente, à procura de outras soluções, Alanzinho cumpre. Aos 12' encheu-se de coragem, rematou à entrada da área (foi feliz) e fez a festa.

A figura: Martin Turk (7)

Quem diria que estava a jogar pela primeira vez no principal escalão do futebol português... O jovem esloveno, de apenas 22 anos, demonstrou reflexos entre os postes e tomou quase sempre as melhores decisões na hora de sair aos cruzamentos, sendo também de registar a concentração que revelou no controlo da profundidade. Pode ter deixado uma semente para o futuro...

As notas dos jogadores do Moreirense:

As notas dos jogadores do Estoril:

Vasco Botelho da Costa (treinador do Moreirense):

Triunfo muito saboroso, que dedico aos adeptos, que nos apoiam sempre. Mas também ao grupo de trabalho, que foi sempre muito competitivo, mesmo numa fase negativa, e nunca virou a cara à luta. Estou feliz por eles, merecem festejar.

Ian Cathro (treinador do Estoril):

Não fizemos uma grande primeira parte, mas não foi completamente desequilibrada. Na etapa complementar colocámos mais intensidade. Estamos a passar momento que pode ser muito importante para toda a gente analisar e levar o clube para a frente.»

Notícia atualizada às 23h17