Lobos felizes, iluminados por Estrela… sem estrelinha (crónica)
Foi sofrido e muito festejado o trinfo pelo Arouca, que garante aos lobos da Serra da Freita a (quase) plena tranquilidade, (praticamente) a salvo da descida. Ao Estrela da Amadora faltou a estrelinha da sorte, já que foi melhor que o adversário, principalmente depois de estar em desvantagem. A falta de eficácia foi evidente e o nulo que se registava ao intervalo era enganador. Tal como o escasso golo que fez a diferença no marcador, face ao número de oportunidades que as duas equipas criaram.
No Arouca, Barbero foi o grande – e quase exclusivo – perdulário, até ao intervalo. O avançado espanhol teve um golo anulado aos 12 minutos porque cometeu falta sobre Bruno Langa, antes de finalizar de cabeça um cruzamento de Djouahra e aos 17’ viu Renan Ribeiro defender, quando surgiu isolado. Aos 25’ atirou a rasar o poste direito e em cima do intervalo num livre lateral, rematou em rotação por cima, sem Renan Ribeiro na baliza, depois de saída em falso do guarda-redes, que não segurou a bola.
Nos visitantes, Stoica (24’), lançado nas costas da defesa do Arouca, atirou ligeiramente por cima e dez minutos depois os amadorenses pediram golo depois de Rodrigo Pinho ter desviado um cruzamento de Langa, com Arruabarrena a deixar passar por entre as pernas e a defender em cima da linha.
Depois de desperdiçar ocasiões claras, no início da segunda metade o Arouca não falhou. Djouahra atirou rasteiro de longe, Renan Ribeiro não segurou a bola afastando-a para o lado e Tiago Esgaio desviou-a para dentro da baliza. Um golo que acabou por fazer a diferença, com os lobos a conseguirem aguentar a vantagem com algum sofrimento, porque até ao último apito do árbitro Sérgio Guelho, o Estrela da Amadora foi sempre mais perigoso.
Os estrelistas reagiram muito bem à desvantagem, criaram muito e tiveram um golo anulado, por posição irregular de Stoica (51’). , que estava ligeiramente adiantado quando finalizou e pouco depois o romeno atirou ao poste direito da baliza de Arruabarrena. O guardião do Arouca foi depois importante a anular as intenções de Rodrigo Pinho (64’), avançado que oito minutos depois desperdiçou num cabeceamento, nova oportunidade para o Estrela empatar. O que não aconteceu, com o esbanjamento a custar caro e a deixar a equipa da Amadora a marcar passo em zona perigosa da classificação.
O capitão foi o único português no onze inicial do Arouca, o que também já não é uma novidade. A originalidade está no golo que marcou e que decidiu a partida e deixa os lobos tranquilos e praticamente seguros na Liga, em 2026/27. Um marco importante no jogo e merecedor de destaque. No momento decisivo foi lesto a dividir com Barbero e Luan Patrick, uma bola que Renan Ribeiro largou.
As notas dos jogadores do Arouca: Arruabarrena (6), Tiago Esgaio (7), Javi Sanchez (6), Jose Fontán (5), Bas Kuipers (5), Espen van Ee (6), Fukui (6), Pablo Gozálbez (6), Lee Hyunju (5), Djouahra (6), Barbero (5), Pedro Santos (5), Trezza (5), Mateo Flores (4) Puche (4) e Matías Rocha (4)
O extremo romeno foi o mais perigoso da sua equipa e esteve nos melhores momentos ofensivos da equipa. Na primeira parte foi o único que contrariou o adversário, quando se esgueirou nas costas da defesa e atirou para defesa de Arruabarrena (24’). Aos 51’ teve um golo anulado por posição irregular e aos 56’ acertou nos ferros. Versátil, nunca se encostou no corredor esquerdo, e teve facilidade em aparecer em zonas de finalização.
As notas dos jogadores do Estrela da Amadora: Renan Ribeiro (5), Max Scholze (5), Lekovic (6), Schappo (4), Bruno Langa (6), Doué (5), Kevin Jansson (5), Robinho (5), Abraham Marcus (6), Rodrigo Pinho (6), Stoica (6), Luan Patrick (5), Jovane Cabral (4), Jorge Meireles (4), Sydney van Hooijdonk (-) e Paulo Moreira (-)
Vasco Seabra, treinador do Arouca
«Fizemos 20 minutos muito bons e fomos caindo de qualidade. Entramos muito bem na 2.ª parte fizemos o golo e estivemos estáveis até aos 60 minutos. Depois o Estrela cresceu e foi melhor. Acabámos por ter de saber sofrer. Já fizemos jogos extraordinários onde não conseguimos ponto nenhum, também já merecíamos um pouco de estrelinha.»
João Nuno, treinador do Estrela da Amadora
«É duro. O resultado é totalmente injusto. O Arouca tem uma boa dinâmica a construir, mas nós é que demos oportunidades ao Arouca no 1.º tempo. Sofremos um golo evitável logo a abrir a 2.ª parte, o resto do jogo é Estrela. Temos várias oportunidades, muitas jogadas perto da área onde tínhamos de definir melhor. A haver um vencedor seria o Estrela, o empate já seria injusto.»