Criativo dos cónegos e ponta de lança dos gansos pintaram o marcador de um duelo equilibrado - Foto: Carlos Barroso/LUSA
Criativo dos cónegos e ponta de lança dos gansos pintaram o marcador de um duelo equilibrado - Foto: Carlos Barroso/LUSA

Ainda deram meia-volta, mas ficaram na mesma (crónica)

Cassiano falhou um penálti, mas redimiu-se com nota artística. Alanzinho aproveitou... os 11 metros

Ainda havia espectadores a entrar no anfiteatro riomaiorense e já Fábio Veríssimo tinha apontado para a marca dos 11 metros: Maracás derrubou Cassiano (1') no interior da área, mas, chamado à conversão do castigo máximo, o experiente ponta de lança brasileiro denunciou o remate e permitiu a defesa de André Ferreira.

O momento de desilusão não afetou por aí além a equipa lisboeta e, pouco depois, Rafael Brito deu mais uma prova das intenções casapianas. Porém, o remate do médio formado no Benfica tirou tinta ao travessão da baliza contrária (5').

Por esta altura, o Moreirense estava como que... atordoado. A formação orientada por Vasco Botelho da Costa demorou a entrar verdadeiramente no jogo e o melhor que pode dizer-se é que os minhotos foram felizes em não estarem em desvantagem quando começaram a reagir. Mas também não é menos justo dizer-se que quando o fizeram... dominaram. Com e sem bola.

Sendo que, em posse, tiveram mesmo a qualidade necessária para criarem situações de finalização. Duas praticamente seguidas. Primeiro foi Maracás a cabecear a rasar o poste (29'), na sequência de um cruzamento de Alanzinho, e, no minuto seguinte, foi a vez de Diogo Travassos testar a atenção de Patrick Sequeira, após solicitação da esquerda de Kiko Bondoso. O jovem lateral cedido pelo Sporting voltou a tentar a sua sorte, de meia distância, mas o tiro, entretanto prensado durante a sua trajetória, saiu à figura do internacional costa-riquenho dos gansos.

Começava a cheirar a golo. Que apareceu, efetivamente, mas... para o Casa Pia. E com elevada nota artística: cruzamento de Larrazabal e Cassiano, junto à marca de penálti, rematou à meia-volta para um golaço. O capitão dos casapianos teve arte suprema para se redimir do penálti que falhara logo a abrir o desafio e levou os visitados em vantagem para os balneários.

Após o reatamento, o Moreirense voltou a carregar e Dinis Pinto viu o cabeceamento passar a milímetros do poste direito.

A festa dos verdes e brancos — ests domingo, de laranja— do Minho acabaria mesmo por ser feita ao minuto 61. Alanzinho, de penálti — o VAR alertou Fábio Veríssimo para ir ver um lance em que Abdu Conté tinha tocado a bola com o braço na área —, fez o 1-1.

No último fôlego, Afonso Assis ousou a reviravolta, mas o cabeceamento saiu à figura.

O Casa Pia somou mais um ponto na sua caminhada, o Moreirense segue tranquilamente na metade superior da classificação.

O melhor em campo: Alanzinho (Moreirense)
Tem o 11 nas costas mas é um autêntico número 10. É pelos pés (e pela cabeça) do criativo que passa todo o jogo ofensivo do conjunto minhoto e sempre que a bola lhe chegou às botas teve sempre destino certeiro. Na hora da verdade (maior), assumiu o peso da responsabilidade e, como sempre, não vacilou: converteu o penálti com elegância e esse tento selou mais um ponto para os cónegos
A figura: Cassiano (Casa Pia)
Quem falha uma grande penalidade logo aos três minutos pode ficar afetado psicologicamente, mas quem tem a experiência que o ponta de lança brasileiro tem... reage à adversidade. O camisola 90 dos gansos não se cansou de jogar em apoios frontais e teve tinta na caneta para assinar momento de enorme espetacularidade, quando rematou, à futebol de praia, para o golo casapiano.

As notas dos jogadores do Casa Pia:

As notas dos jogadores do Moreirense:

Álvaro Pacheco (treinador do Casa Pia)

Entrámos bem e conseguimos criar desconforto ao Moreirense. Mesmo depois do penálti falhado, soubemos pegar no jogo e criámos algumas situações até fazermos um golo, após uma jogada fantástica. Defrontámos uma excelente equipa, mas ficou a sensação de que poderíamos ter levado mais alguma coisa...

Vasco Botelho da Costa (treinador do Moreirense)

Controlámos praticamente tudo o que estava a acontecer. O problema foi que em algumas situações adormecemos e isso é aquilo que dá confiança ao adversário, sendo que neste caso nos custou um golo sofrido. Tivemos algumas aproximações perigosas, mas também não consigo dizer que merecíamos claramente ganhar.