Agora é que são elas: circuito mundial de surf arranca com duas portuguesas

A algarvia Yolanda Hopkins e Francisca Veselko estão a poucas horas de concretizarem o sonho de competir entre a elite. 'Yoyo' é a primeira a entrar em cena, na Austrália, a partir das 21horas, esta terça-feira frente a uma consagrada

A nova época do circuito principal da Liga Mundial de Surf (WSL) tem início esta terça-feira na Austrália, marcada por uma estreia histórica para Portugal, o regresso de figuras emblemáticas da modalidade e alterações significativas no formato da competição.

Pela primeira vez, as cores nacionais estarão representadas no quadro feminino do Championship Tour (CT). Yolanda Hopkins e Francisca Veselko garantiram a presença na elite mundial após conquistarem o segundo e o quinto lugar, respetivamente, no ranking das Challenger Series (CS). As duas surfistas asseguraram duas das sete vagas femininas disponíveis para a elite de 2026, seguindo as pisadas de Tiago Pires e Frederico Morais no mais alto nível do surf mundial.

Yolanda Hopkins faz história
A olímpica Yolanda Hopkins, primeira portuguesa a garantir uma vaga no circuito principal da Liga Mundial de Surf (WSL), chegou onde sempre disse que pertencia, encontrando-se entre as melhores do mundo. Aos 27 anos, 'Yoyo' garantiu o lugar no Championship Tour (CT) em outubro, no Brasil e a bicampeã europeia (2023 e 2024) já tinha vincado a sua convicção absoluta de que chegaria ao mais alto patamar do surf internacional. Campeã nacional em 2019, a algarvia, filha de pai português e de mãe galesa, já tinha estado perto algumas vezes de entrar na elite mundial. Yoyo que já disputou dois Jogos Olímpicos (Tóquio2020, 5.ª classificada, e Paris2024, 9.ª), e há anos que fez de Sines a sua base, tem um enorme teste de fogo na estreia na elite pois vai enfrentar na primeira bateria da primeira ronda a experiente australiana Sally Fitzgibbons, três vezes vice-campeã mundial (2010, 2011 e 2012). Nada, porém, que atrapalhe a algarvia que derrotou a australiana no Brasil, um dia depois de garantir vaga no CT 2026. A australiana, de 35 anos, por sua vez, já venceu em Bells Beach por duas vezes.

A nova temporada fica também marcada pelo regresso de nomes incontornáveis. Na competição feminina, a australiana Stephanie Gilmore, recordista com oito títulos mundiais (2007, 2008, 2009, 2010, 2012, 2014, 2018 e 2022), está de volta após uma pausa de dois anos. Também a havaiana Carissa Moore, pentacampeã mundial e medalha de ouro em Tóquio2020, regressa à ação após um interregno semelhante. Nos homens, o incontornável Gabriel Medina também regressa!

Francisca Veselko esteve nas instalações de A BOLA. Foto: Miguel Nunes

Das atletas que venceram a qualificação, Juntam-se às portuguesas outras cinco surfistas, entre as quais se destaca a francesa Tya Zebrowski. Com apenas 15 anos, a surfista venceu as CS e tornou-se a mais nova de sempre a qualificar-se para o CT. A experiente australiana Sally Fitzgibbons, vice-campeã mundial por três vezes, a norte-americana Alyssa Spencer, a espanhola Nadia Erostarbe e a israelita Anat Lelior completam o lote de qualificadas.

Kika, de Cascais para o Mundo
A portuguesa Francisca Veselko, campeã mundial júnior em 2023, está prestes a cumprir um «sonho de menina», quando se estrear no circuito principal da Liga Mundial de Surf (WSL), que arranca esta terça-feira na Austrália. Kika conseguiu a vaga na sexta e penúltima etapa do circuito Challenger Series (CS), no Havai, e recordou que, desde os nove anos, quando começou a competir, ambicionava entrar para a elite mundial, «com dois totós na cabeça». A surfista de Cascais, de 22 anos, conta com um título mundial júnior feminino (2023) e dois títulos de campeã nacional (2021 e 2023). Filha de pais surfistas, sendo a mãe, Filipa Leandro, uma das primeiras figuras do surf feminino em Portugal, e o pai, Joe Veselko, um surfista californiano que chegou à seleção dos Estados Unidos (EUA). Os irmãos Joey, mais velho, e Jaime Veselko, 17 anos, mais novo, também surfam, com o mais novo a contar já com os títulos de campeão nacional sub-12 (2020), sub-16 (2024) e sub-18 (2025), somando ainda com a conquista do Europeu de sub-14 (2023). Na estreia no CT, na lendária prova de Bells Beach, na Austrália, cujo período de espera vai de 1 a 11 de abril, Kika tem como adversária, no terceiro heat, a costa-riquenha Brisa Hennessy, uma das figuras de proa da nova geração do surf feminino.

Etapas do circuito mundial de surf em 2026

  • Bells Beach, Austrália (1 a 11 de abril)

  • Margaret River, Austrália (16 a 26 de abril)

  • Gold Coast, Austrália (1 a 11 de maio)

  • New Zealand, Nova Zelândia (15 a 25 de maio)

  • Punta Roca, El Salvador (5 a 15 de junho)

  • Saquarema, Brasil (19 a 27 de junho)

  • Teahupoʻo, Taiti (8 a 18 de agosto)

  • Cloudbreak, Fiji (25 de agosto a 4 de setembro)

  • Lower Trestles, Estados Unidos (11 a 20 de setembro)

  • Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos (14 a 18 de outubro)

  • Peniche, Portugal (22 de outubro a 1 de novembro)

  • Pipe Masters, Estados Unidos (8 a 20 de dezembro)

No circuito masculino, o grande destaque é o retorno do tricampeão mundial Gabriel Medina (2014, 2018 e 2021), especialmente após a desistência de última hora do havaiano John John Florence, também ele detentor de três títulos mundiais.

O formato da competição sofreu alterações importantes para esta época. O circuito de elite regressa ao sistema original de pontos corridos, valorizando a consistência ao longo da temporada. O corte a meio da época foi modificado e o Dia das Finais, que apurava os cinco melhores de cada campeonato para disputar o título, foi extinto.

A temporada do CT arranca em abril em Bells Beach, na Austrália, e terá a sua decisão final em Pipeline, no Havai. O calendário inclui passagens por Margaret River e Gold Coast (Austrália), Raglan (Nova Zelândia), Punta Roca (El Salvador), Saquarema (Brasil), Teahupoʻo (Taiti), Cloudbreak (Fiji), Lower Trestles (Estados Unidos), Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) e Peniche (Portugal), cuja prova na Praia de Supertubos foi reagendada de março para outubro.