Spartak Moscovo foi um dos clubes que Promes representou
Spartak Moscovo foi um dos clubes que Promes representou

Ex-internacional neerlandês confessa esfaqueamento: «Tinha perdido a confiança na justiça»

Incidente ocorreu em julho de 2020, durante uma festa de família. Na altura, Promes acusou o primo de ter roubado joias da família, o que desencadeou uma grande altercação

Quincy Promes admitiu finalmente ter esfaqueado o seu primo, uma confissão feita pelos seus novos advogados durante uma audiência preliminar do recurso. O antigo internacional neerlandês, que tinha sido condenado em primeira instância a um ano e meio de prisão, muda, assim, de estratégia de defesa.

Representado agora pela conhecida dupla de advogados Gert-Jan e Carry Knoops, Promes reconhece que ter recorrido ao direito ao silêncio na primeira fase do processo foi uma decisão pouco acertada. Segundo a sua defesa, o jogador «tinha perdido toda a confiança na justiça e está agora a receber apoio psicológico».

O incidente ocorreu em julho de 2020, durante uma festa de família em Abcoude. Na altura, Promes acusou o primo de ter roubado joias da família, o que desencadeou uma grande altercação. Foi no meio dessa confusão que, segundo os seus advogados, «Promes desferiu um único golpe com um canivete». A defesa alega que o ato pode ter sido cometido num estado emocional alterado e possivelmente em legítima defesa.

Carry Knoops explicou que o «enorme medo e raiva pela forma como foi retratado como um criminoso pela justiça neerlandesa» impediram Promes de prestar declarações anteriormente. O jogador alega ter sofrido um trauma durante a sua detenção no Dubai, onde afirma ter sido interrogado durante dias sobre assuntos com os quais «não tem nada a ver», como o seu alegado envolvimento com o criminoso fugitivo Jos L., conhecido como Bolle Jos. Promes relatou ainda ter ouvido outros prisioneiros a serem torturados.

Através dos seus advogados, o futebolista afirmou que pretendia regressar voluntariamente aos Países Baixos e não compreende por que motivo o Estado neerlandês não o foi buscar. Esta situação levou-o a perder a fé no sistema judicial e a optar pelo silêncio, uma postura que agora pretende abandonar. No entanto, Promes prefere prestar declarações à porta fechada, para evitar a exposição mediática: «Caso contrário, atiram-me novamente aos leões com toda a comunicação social presente».

Recorde-se que, além da condenação pelo esfaqueamento, Promes foi também sentenciado a seis anos de prisão por envolvimento na importação de 1300 quilos de cocaína. Os seus advogados negam qualquer ligação do jogador ao tráfico de droga. A análise substantiva do recurso está agendada para o final de novembro e início de dezembro, distribuída por três dias.

O avançado, que esteve presente no tribunal em Amesterdão, ainda não desistiu da sua carreira no futebol. Ao longo do seu percurso, representou clubes como Go Ahead Eagles, Twente, Spartak Moscovo, Sevilha, Ajax e, mais recentemente, o Dubai United.