Sara Francisco foi uma dos que saíram bem cedo de casa para ver a chegada da Seleção. Queria ver Ronaldo, mas simpatia do selecionador e outros jogadores consolaram-na

A 'Ronaldete' e uma direta de Aveiro queriam ver CR7, mas saíram a sorrir na mesma

Adeptos juntaram-se no aeroporto de Lisboa; Ronaldo não não apareceu, mas apoio foi incondicional

Sara Francisco chegou ao aeroporto de Lisboa às 5h30 horas, ainda de noite. Tinha decidido, horas antes, que ia receber a Seleção no regresso dos Estados Unidos, depois da eliminação de Portugal nos oitavos de final, com a Espanha. Porque é para apoiar sempre.

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«Vim para apoiar. Tenho estado a pensar todos os dias, pensei que só vinha quando eles chegassem com a taça, mas ontem estava deitada e pensei ‘não, eles merecem que a gente vá lá recebê-los’. Não quero que eles fiquem a pensar ‘afinal porque perdemos este jogo, já não valemos nada. Tanto se criticou a nossa Seleção, acho que imerecidamente. Creio que eles têm feito tudo o que podem. Mais do que nós queremos, com certeza que querem ganhar, não é? Achei que tinha que vir dar uma força. E se lá fora dão a força, porque é que nós aqui que estamos cá em Portugal não damos essa força que eles querem e que eles precisam?», referiu a A BOLA, sem esconder, ao mesmo tempo, a desilusão por uma eliminação considerada precoce:

«Penso que podiam ter ido mais longe. O futebol, apesar de ser um jogo para se saber jogar, há fatores também externos sorte, azar, arbitragem. Eu acho que houve um penálti que não marcaram a nosso favor. Tudo isso influi no jogo, no resultado.»

Junto a cerca de meia centena de adeptos, Sara destacou-se e improvisou um duplo cartaz numa folha. «O cartaz tem duas coisas: Cris, Seleção, obrigada. E do outro lado o grito dele, ‘siuuu’ e Cristiano só vim para te ver.»

Mas não viu. Ronaldo não saiu. E no entanto Sara saiu feliz depois de ter passado energia positiva - e recebido - de alguns jogadores e do selecionador Roberto Martínez, que se demorou longamente em autógrafos antes de entrar no autocarro da Seleção.

«Não vi, com muita pena. Vi o Nuno Mendes, o Bruno Fernandes, o Vitinha, o selecionador. O que lhe disse? Parabéns, e que não ligue a palavras que têm sido ditas. Gostei muito. Agradecemos os títulos que trouxe», reforçou.

Com o sol já a nascer, Sara Francisco olhou também para o futuro. «Fala-se em Jorge Jesus, não é? Ele tem ganho muitos títulos, Sim, que venha pronto, que mostre o trabalho dele», disse, um futuro que pode ser já se Cristiano Ronaldo que, para já, só confirmou que este foi o seu último Mundial. 

«Eu sou uma ‘Ronaldete’, como lhes chamam. Ele jogue bem, jogue mal, meta golos ou não meta, eu estou sempre com ele. Vai ser diferente sem ele. Se continuarei a apoiar? Com certeza. Gosto do Nuno Mendes, do Rafael Leão, do Bruno Fernandes? Apesar de ver que estavam cansados, foram muito bem dispostos, assinaram a camisola», contou, deixando também críticas. «Já o Diogo Costa e o Francisco Conceição foram para longe, chamámos por eles, mas nem olharam. Puseram as malas no carro e foram-se embora. Acho que não merecíamos isto. E não éramos tantos assim…»

Margarida e Tatiana chegaram também de noite. Ficaram lado a lado na grade, por isso encetaram desde logo uma amizade. Margarida pôs-se à estrada desde Aveiro, chegou a Lisboa à 1 da madrugada, e ao aeroporto pelas 3 da manhã. Estava de direta quando A BOLA falou com ela pelas 6 horas. Tudo por Ronaldo.  «Então nós temos que apoiar a nossa seleção. Eu vi todos os jogos da seleção, vim de Aveiro, estou aqui desde a 1h à espera e apesar de termos perdido, é um momento em que nós temos que estar sempre unidos e apoiar», disse Margarida. Mas a exibição da seleção no Mundial valeu a pena essa direta? «Claro que sim, claro que sim. Pelo nosso Cristiano Ronaldo, por tudo o que fez por nós e toda a seleção vale super a pena. Espero que venham aqui tirar fotos connosco, algumas palavras, autógrafos. Espero que venham bem dispostos.»

Tatiana e Margarida na chegada da Seleção a Lisboa depois de eliminação do Mundial 2026 - foto: A BOLA

Para Tatiana, ao lado, a mesma pergunta. Porquê? «Vim aqui de Loures, mais pertinho, mas estou aqui pela nossa Seleção porque é sempre bom apoiarmos, e apesar do resultado, eles sentirem que nós também estamos presentes. Estou sempre presente e vim mesmo por uma vontade do coração. E foi o último Mundial do Ronaldo, é sempre bom ele sentir este aconchego.» No final, Tatiana não teve tudo o que queria, faltou Ronaldo a sair pela porta. Mas o sorriso manteve-se. «Correu bem, mas fiquei muito desiludida, porque esperava que o Cristiano realmente tivesse vindo ter connosco. Fiquei muito surpreendida com a simpatia do nosso selecionador, tirou fotos com toda a gente, deu autógrafos a todos os que pediram e o Bruno Fernandes e Nuno Mendes pararam mesmo à nossa frente e deram uma palavra amiga às pessoas.»

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