A realidade difusa do Benfica
A conferência de imprensa de antevisão de José Mourinho antes do decisivo jogo com o Sporting, deste domingo, não foi a de um treinador derrotado, nem a de alguém que tenha atirado a toalha ao chão.
Também não foi uma conferência de um Mourinho irritado com aquilo que considera injustiças que prejudicaram a equipa ao longo do campeonato, erros de arbitragem. Foi, acima de tudo, uma conversa com os jornalistas muito pragmática, marcada pela consciência do momento, do que está em causa e até da projeção que, nesta fase, é possível fazer para a próxima temporada.
Por muito significado que possa ter o facto de o Benfica ainda não ter perdido qualquer jogo no campeonato, os nove empates e a distância para o segundo e o terceiro classificados tornam o cenário muito complicado para os encarnados. Mesmo que matematicamente tudo ainda seja possível, poucos, muito poucos, acreditarão que os rivais do Benfica vão tropeçar tantas vezes quantas as águias precisam.
Ainda assim, o que há a fazer, e o que está nas mãos da equipa, será vencer este domingo o Sporting, em Alvalade, também com a consciência de que o rival está a jogar bem e vive um bom momento.
Para estes jogos, como aconteceu quando o Benfica venceu por 4-2 o Real Madrid e se qualificou na fase de liga da Liga dos Campeões, a motivação não pode faltar. A má época está praticamente garantida, mas ainda é possível correr atrás do que pode aquecer o coração dos adeptos e dos jogadores. Sendo, claro, que o segundo lugar continua a ser realisticamente atingível, se o Benfica conquistar os três pontos em Alvalade, num jogo que será determinante para o fecho da temporada.
Neste dérbi, já não pode haver meias palavras, o Benfica jogará o tudo ou nada na corrida pelo segundo lugar da tabela classificativa da Liga; o Sporting joga o tudo ou nada para atacar o primeiro lugar do FC Porto, a conquista do campeonato.
Sobre o futuro no Benfica, embora se vá irritando com a insistência dos jornalistas nas perguntas sobre o tema, Mourinho acabou por admitir que não está em condições de garantir que ficará na próxima temporada. Também aqui o treinador foi pragmático, explicando que a decisão não depende apenas da sua vontade. Nunca dependeria e a responsabilidade da clarificação não deve ser dele.
A vontade de Rui Costa, presidente dos encarnados, será, segundo entendemos das considerações do próprio, respeitar o contrato que existe por mais um ano com o técnico. Mas a verdade é que nem Rui Costa, nem Mourinho, conseguiram dizer claramente e com todas as letras aos benfiquistas: 'Mourinho fica' ou 'Mourinho continua', como entendessem ser a melhor forma de esclarecer o assunto. Creio ser, também aqui, uma questão de pragmatismo. De não fugir à realidade.