Rui Borges: o muito que se fará para ganhar o dérbi, a crença no 'tri' e a defesa de Hjulmand
— Este deve ser um jogo especial para si porque quando chegou ao Sporting o Benfica foi o seu primeiro adversário. O que mudou neste adversário neste período? Espera um Benfica mais pragmático ou que vai pressionar?
— Não faço comparações ao meu primeiro jogo, são momentos diferentes. É o mesmo adversário, mas não faço comparação nesse sentido. Acredito que seja um Benfica forte, precisa de ganhar, seja por que objetivo for. Tem feito um bom campeonato, é uma equipa intensa, é a equipa que recupera mais bolas em zonas altas e isso define a capacidade do deles em ganhar duelos. É uma equipa que tem muitas dinâmicas em termos de corredores, tem muitos golos de cabeça, mais um aspeto que define a qualidade do Benfica. Espera-nos um jogo difícil. Mas que, acima de tudo, seja um bom jogo.
— Que peso pode ter o facto de o Sporting a meio da semana ter tido um jogo tão intenso como foi aquele diante do Arsenal?
— Não vos vamos agarrar a isso. A importância do jogo é grande, mas cada encontro tem cada vez mais importância porque faltam menos jogos para o final da Liga. É importante para o nosso objetivo. É uma equipa que luta por esse objetivo, estamos focados em ganhar. Em alguns momentos não vamos conseguir ser o Sporting que gostamos, mas acredito num Sporting forte. E os nossos adeptos serão importantíssimos até para não deixar vir o cansaço à cabeça dos jogadores. Não servirá de desculpa. A equipa está focada no objetivo. Vamos fazer muito por ganhar.
— O que pensa da nomeação de João Pinheiro para ser o árbitro da partida? Que comentário faz às declarações de Hjulmand em Inglaterra depois do jogo com o Arsenal?
— É um grande árbitro, vai estar no Mundial e isso por si só diz da sua qualidade, que esteja a altura de um dérbi. A questão do Hjulmand é um não assunto. O Morten [Hjulmand] falou em inglês. Toda a gente em Inglaterra percebeu o que é que ele quis dizer. Menos em Portugal... Temos de tentar traduzir melhor em algum momento. Referiu-se apenas e só ao Arsenal e muito bem. Nada mais do que isso.
— Tendo em contas todas as circunstâncias associadas, o empate é perdoável? Além disso, o Sporting já perdeu nove pontos em 15 possíveis depois de estar estado em vantagem. Como encara esse aspeto?»
— O nosso objetivo é ganhar, é só esse o nosso objetivo. Queremos muito os três pontos e continuar na luta pelo campeonato até ao fim. Pontos? Temos de ser mais frios e perceber de que forma empatámos os jogos. Nos dois jogos com o SC Braga sofremos dois golos de penálti nos descontos. Nada disso belisca aquilo que tem sido a capacidade do grupo. Estamos a fazer um grande campeonato, mas quem está em primeiro está a fazer melhor. Quem vai atrás quer chegar à frente e vai fazer tudo para chegar. Os adeptos serão importantes e seguimos o nosso caminho.
— O Sporting ganhou só por 1-0 ao Estrela da Amadora e empatou com o Arsenal 0-0. Que peso os dois últimos jogos podem ter? A equipa ainda acredita no tricampeonato?
— Os jogadores acreditam muito no tricampeonato e têm demonstrado isso. Vamos ganhar alguns jogos 1-0. A equipa mostrou um grande caráter na Amadora. Valoriza ainda mais o nosso trabalho. O Arsenal tem de nos motivar também. Aquilo que fizemos tem de nos motivar para estarmos neste nível, se conseguimos na Europa temos de conseguir no campeonato. Na reta final tudo pesa mas faz parte. Desde que a energia esteja lá está tudo certo.
— Diz-se que a sua renovação de contrato vai ficar assinada depois desta semana decisiva: é importante para si perceber que há confiança da direção numa altura importante, sente isso como um voto de confiança? E Fresneda, já está recuperado?
— O Iván e o João Simões estão em dúvida. Renovação? Não me foco muito nisso, não preciso de voto confiança, não há um contrato assinado. Desde o primeiro dia que a energia que se vive na Academia conta muito. Estou super tranquilo, as coisas acontecerão no momento em que tiverem de acontecer, a seu tempo. Não é isso que me motiva. Passa-me ao lado. Há pessoas, os meus representantes, a tratar disso ou não. Sinto a confiança de todos desde o primeiro dia, o que me deixa orgulhoso. Além disso, tenho contrato até 2027.
— O Sporting é a equipa com melhor ataque da Liga e sabemos como José Mourinho enfrenta estes jogos. Que adversário espera tendo em conta este aspeto. Já agora, como está a situação dos outros lesionados, como Nuno Santos, Luís Guilherme e Ioannidis?
— O Nuno Santos ainda está fora. O Ioannidis e o Luís Guilherme estão a fazer algum trabalho de campo, mas não estão disponíveis. Melhor ataque? É bom que diga isso, porque hoje li num jornal que dizia que o Rui Borges era uma equipa dada atrás e é o melhor ataque. Faria se não fosse [risos]. Foi uma curiosidade. Por acaso li. Acredito que tenham em conta que seja o melhor ataque. É algo que nos define, mas nunca esquecendo que vamos jogar contra uma boa equipa, em termos defensivos temos de ter a mesma vontade e intensidade para continuarmos a ser das melhores defesas. Olho para todos os momentos do jogo, leva-me a perceber que temos feito um bom trabalho. Acho que somos uma equipa equilibrada e isso é que é importante.
— No jogo da primeira volta, José Mourinho disse que Hjulmand tem mau comportamento com os árbitros e a verdade é que ele viu alguns cartões amarelos depois disso. Teme que esse fator possa condicionar o trabalho do árbitro amanhã?
— Quero acreditar que não. Temos direito a dizer o que queremos. Acima de tudo acho que é um grande árbitro, o estar no Mundial dá-lhe esse reconhecimento. Que esteja à altura, tanto ele como as duas equipas. Não há o condicionar. Que seja um bom espetáculo.
— O meio-campo, como sabe, tem várias faces e no adversário Aursnes pode ser titular. O que se pode fazer para travar um jogador como o norueguês?
— É um bom jogador, mas eles também têm de parar os nossos. Temos de ser iguais a nós mesmos, não me foco na parte individual de cada jogador do adversário. Mais do que o adversário, a nossa identidade está primeiro. Nada que mude os nossos princípios.
— Se o Sporting perder amanhã atira a toalha ao chão em termos de luta pelo campeonato?
— Não penso nisso, penso apenas e só em ganhar. Fica mais difícil, mas é possível porque matematicamente ainda é possível, não atirarei a toalha ao chão.
— Mesmo quem ganhar não ficará a depender de si próprio para vencer a Liga. Pensa que isso pode condicionar o jogo? E o que pode decidir o resultado da partida em termos futuros?
— Acho que não vai condicionar, serão duas equipas a querer ganhar porque estão focadás nos objetivos. Temos de fazer a nossa parte para não se tornar ainda mais difícil. Temos de fazer tudo para ganhar para meter pressão em quem vai na frente. Estamos focados nisso. O que pode decidir? Acho que não decide nada, torna difícil para qualquer uma das equipas.