Samu festeja o quarto golo no Dragão (ROGÉRIO FERREIRA/KAPTA+)
Samu festeja o quarto golo no Dragão (ROGÉRIO FERREIRA/KAPTA+)

A noite em que o italiano de Barga meteu no bolso o italiano de Livorno (crónica)

Não é fácil marcar quatro golos a uma equipa italiana, muito menos a uma equipa italiana treinada por Massimiliano Allegri. Mas o FC Porto de Francesco Farioli, com Gabri Veiga a iluminar o Dragão, fê-lo

Um treinador italiano contra uma equipa com três italianos treinada por um italiano: FC Porto de Francesco Farioli contra o Nápoles de Massimiliano Allegri. Poderíamos, pois, pensar que seria um jogo fechado, tático, absurdamente sonolento. Nada disso. Houve velocidade, intensidade, emoção de princípio a fim e, sobretudo, cinco golos. Na noite em que o jovem treinador (37 anos) de Barga meteu no bolso a velha raposa (59 anos) de Livorno: 4-1.

Logo a abrir, Pepê escapou a Vergara pela direita e, já na área, fuzilou Meret. Porém, a bandeirola de um dos auxiliares de Michael Oliver levantou-se. E bem: o brasileiro estava em posição irregular. O 11 dos dragões abriu o apetite dos portistas e, pouco depois, o desfecho habitual: bola parada, golo. No caso, canto e golo. Bola batida por Gabri Veiga e Bednarek, completamente solto, a desviar de cabeça para inaugurar o marcador e assinar o seu primeiro tento na Champions em apenas dois jogos. Boa, Jan.

Até ao minuto 29 o Nápoles quase não se viu. Um ‘piccolo’ Napoli, sim, mas sobretudo um grande FC Porto, mesmo perante o oitavo classificado da Serie A, com várias baixas por lesão. Só pouco antes da meia-hora, numa fuga vertiginosa de Hojlund pelo meio, os napolitanos andaram perto do empate, evitado por Martim Fernandes.

O FC Porto descansou então alguns minutos sobre a vantagem. O Nápoles, por sua vez, continuou estranhamente a carregar-se de cartões amarelos: ao minuto 37 somava já quatro: Vergara (1’), Anguissa (21’), Rrahmani (36’) e McTominay (36’). Poder-se-ia esperar, com isso, uma quebra de intensidade dos transalpinos.

Quem assim pensou, enganou-se. Aos 38’, a bola entrou na baliza portista, mas, felizmente para os azuis e brancos, o avançado dinamarquês estava adiantado e o 1-0 manteve-se. Por pouco tempo: aos 43’, numa jogada em que a defensiva portista andou aos papéis (Martim Fernandes, Bednarek e Froholdt impotentes na contenção), o Nápoles empatou por intermédio de McTominay. Antes disso, no início da jogada, já os italianos podiam ter marcado por Politano ou, na recarga, por Hojlund. Não marcaram porque, nesse instante, emergiu no relvado uma autêntica assombração chamada Diogo Meireles Costa. Se a intervenção ao remate de Politano foi de grande nível, a defesa à queima-roupa no desvio de Hojlund foi do outro mundo. De um mundo onde habitam Diogo Costa e poucos mais. Contudo, travar o disparo subsequente de McTominay já era pedir demasiado ao guardião portista.

Ao intervalo, o 1-1 premiava o equilíbrio. O FC Porto assinou meia-hora de excelente nível e o Nápoles respondeu com 15 minutos em crescendo.

A segunda parte começou em espelho com a primeira: grande FC Porto, com Gabri Veiga e Pablo Rosario perto do golo até aos 55’, perante um ‘piccolo’ Nápoles. O remate de Rosario só não entrou porque na baliza adversária surgiu uma espécie de Diogo Costa do sul de Itália: Alex Meret.

Francesco Farioli não hesitou. Instantes depois de Bednarek ter desviado uma bola ao ferro na sequência de um cabeceamento, André Silva deu lugar a Samu. Mais poder de choque e agressividade era, presume-se, a receita procurada pelo técnico portista. Essa contundência traduziu-se num míssil de Gabri Veiga de pé direito, que fez a barra estremecer aos 63 minutos.

Aos 67’, nova cartada do banco: saíram Borja Sainz e Martim Fernandes para as entradas de Santiago Giménez e Zaidu. A mexida foi cirúrgica e operada em tempo útil: o mexicano derivou para a direita, Samu fixou-se no meio e Pepê passou para o corredor esquerdo.

Os efeitos foram imediatos. Após reposição longa de Meret, Bednarek ganhou de cabeça, a bola sobrou para Giménez e este desmarcou de pronto Gabri Veiga na meia-esquerda. O espanhol progrediu em velocidade e, perante Meret, atirou a contar para o 2-1.

Faltava cerca de um quarto de hora para o final e o FC Porto tomava de novo as rédeas do jogo. Impunha-se fechar espaços no miolo ou, melhor ainda, fechar o resultado. A oportunidade para o 3-1 surgiu logo a seguir, mas Samu pecou por excesso de individualismo ao não servir Pepê, solto na esquerda na mesma zona do golo de Gabri Veiga. Farioli refrescou de imediato’: entraram Hwang e Fofana para as saídas de Gabri Veiga e Pepê.

Dois minutos volvidos, aos 80’, ponto final nas dúvidas: canto batido por Hwang e Kiwior a antecipar-se nas alturas para fazer o 3-1 de cabeça. Kiwior fez de Bednarek e Hwang fez de Gabri Veiga.

E, para quem tivesse dúvidas, ainda apareceu o quarto: fuga de Giménez pela direita, ligeira espera pela chegada de Samu e bola a rolar na frente do avançado espanhol. Quando este se preparava para alvejar a baliza, Rafa Marín puxou-lhe o braço e a indicação de Michael Oliver foi inequívoca: penálti. Da marca dos 11 metros, o próprio Samu assumiu a responsabilidade e selou o 4-1 final. Ao quarto jogo, por fim, os três pontos para os dragões de Farioli. Que meteu no bolso a velha raposa chamada Massimiliano Allegri.

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