Internacional sub-20 brasileira fez um golo espetacular frente à Argentina, o segundo pelo seu país e logo na segunda partida

A menina de ouro do Benfica que conquistou a América do Sul

Clarinha brilha nas águias e pelo Brasil

A história de Ana Clara Oliveira, ou Clarinha, como é carinhosamente tratada no universo encarnado, confunde-se com a própria evolução do futebol feminino no Benfica. Aos 20 anos, a jovem que chegou à Luz com apenas 13 anos vive um momento de plena afirmação, consolidando-se como uma das figuras emergentes da equipa principal. Em entrevista aos canais do clube, a ponta de lança recorda o longo percurso desde a formação até ao palco da Liga dos Campeões, sublinhando que o clube foi o alicerce fundamental para as suas conquistas recentes, incluindo o título de campeã sul-americana sub-20 pelo Brasil. 

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Clarinha recorda que a chegada ao Benfica, ainda muito jovem, exigiu uma maturidade precoce: «O Benfica foi um dos principais fatores para eu ter chegado onde cheguei, na seleção. Comecei aqui com 13 anos, nem estava à espera talvez de vir com 13 anos para um clube como o Benfica. Foi uma responsabilidade que eu quis ter. Talvez tenha perdido muito da minha vida para estar aqui, mas foi por uma boa causa. Perdi a minha adolescência, perdi amigos, perdi tempo com a minha família, mas eu decidi tirar um bocadinho disso para estar onde eu estou hoje, o que foi algo bastante importante para mim.»

Clarinha, ponta de lança do Benfica (foto: SL Benfica)

A transição para a equipa principal foi um processo natural mas exigente, marcado pela passagem vitoriosa pelos escalões de formação e pela equipa B. A estreia oficial aconteceu na época 2022/23, num jogo da Taça de Portugal frente ao Moreirense, onde a jovem não só se estreou como marcou um golo. «Foi uma estreia bastante importante para mim. Não estava à espera de marcar um golo, mas acho que nem sei explicar realmente o que eu senti, porque estar aqui desde os 13 anos e marcar esse golo foi algo bastante importante», confessa. 

Perdi a minha adolescência, perdi amigos, perdi tempo com a minha família, mas eu decidi tirar um bocadinho disso para estar onde eu estou hoje

Mais recentemente, Clarinha viveu o impacto de representar o clube no palco maior do futebol encarnado, o Estádio da Luz, num embate da Champions League frente ao PSG. Sobre esse momento, a atleta revela o nervosismo que sentiu ao ser chamada pelo treinador: «O facto de estar ali naquele momento, que foi a primeira vez em que eu 'pisei' no Estádio da Luz… Não estava à espera realmente de entrar, mas quando o míster me chamou – nós vamos aquecendo durante o jogo – para fazer aquele aquecimento para entrar, aí eu percebi: vou entrar. Vou entrar no Estádio da Luz, onde eu sempre sonhei jogar desde que estou aqui no Benfica. Estava bastante nervosa, estava a tremer toda, mas quando levantaram a placa para eu entrar, aí percebi: 'vou entrar, vou jogar, vou dar o meu melhor e, se der certo, deu; se não der, o próximo jogo vai correr melhor'. Mas correu tudo bem e, na minha opinião, fiz um bom jogo. Foi algo que realmente vou guardar para o resto da minha vida e vou falar sempre sobre isso, porque jogar no Estádio da Luz contra uma equipa bastante grande foi algo inexplicável.»

Clarinha, ponta de lança do Benfica (foto: SL Benfica)

Estava bastante nervosa, estava a tremer toda, mas quando levantaram a placa para eu entrar, aí percebi: ‘vou entrar, vou jogar, vou dar o meu melhor.

A evolução do futebol feminino no clube é também visível nas infraestruturas, com a mudança para o Benfica Campus a marcar uma nova era na rotina das jogadoras. Clarinha destaca que o impacto foi enorme, pois agora as atletas dispõem de ginásio, campos e refeitório num local fixo, o que contribui para a qualidade que o grupo apresenta. «O que torna este grupo tão especial, além da qualidade técnica, é a nossa atitude, a nossa garra e o nosso querer», afirma a jogadora, que se sente parte integrante de uma mística que aprendeu a valorizar. «Sempre me ensinaram que ser benfiquista é algo que não se consegue explicar, é só sentir mesmo. Sempre nos disseram que somos 'de todos, um'. Isso é algo que nós temos de levar para a vida. Foi assim que eu cresci, é assim que eu quero continuar a levar porque sem estes valores eu talvez não estaria aqui hoje», reforça, deixando uma mensagem de agradecimento aos adeptos pelo apoio constante.

Sempre me ensinaram que ser benfiquista é algo que não se consegue explicar, é só sentir mesmo.

Apesar do foco total no Benfica, onde luta pelo hexacampeonato e pela Taça de Portugal, a conquista do Campeonato Sul-Americano Sub-20 pelo Brasil continua a ser um marco na carreira. A campanha invicta e o golo na final contra a Venezuela foram momentos de glória que Clarinha partilha com as companheiras de equipa e com a família, o seu maior pilar. «Representar o Brasil é um sonho que tenho desde basicamente que nasci. Quando vi a bola na rede [na final] foi algo inexplicável», recorda, sublinhando que o título lhe dá ainda mais ambição para o futuro. No regresso a Portugal, a jogadora sente-se «feliz e leve», trazendo uma energia renovada para enfrentar a fase decisiva da época. 

No horizonte imediato está o confronto com o Valadares Gaia, a sua antiga equipa, um jogo que encara com carinho mas com o objetivo claro de conquistar os três pontos para o Benfica. «A minha meta é continuar a trabalhar. Eu tenho os meus sonhos, tenho os meus objetivos, mas tento sempre guardar um bocadinho para mim, porque se der errado, talvez não me vá sentir tão em baixo. Mas vou guardar essas metas para mim, porque o principal neste momento é continuar a trabalhar, é continuar a dar tudo pelo meu clube, é continuar a dar tudo pela minha seleção, que as coisas irão aparecer», conclui.