Jean-Ricner Bellegarde, jogador do Haiti e do Wolverhampton
Jean-Ricner Bellegarde, jogador do Haiti e do Wolverhampton - Foto: IMAGO

A incrível história de Bellegarde: o número 10 do Haiti que nunca esteve no país

Jogador do Wolverhampton nasceu de forma prematura, aos seis meses, a mãe entrou em coma e foram os enfermeiros que o batizaram e escolheram o seu nome em França

Jean-Ricner Bellegarde, a principal referência técnica da seleção do Haiti, tem uma história de vida que transcende o futebol. O médio nasceu prematuro, com apenas seis meses de gestação, enquanto a sua mãe se encontrava em coma, e foi batizado pela equipa do hospital que o salvou.

«A minha mãe estava em coma, então não havia ninguém para me dar um nome. Foi o hospital em Colombes que me deu este nome», revelou Bellegarde em entrevista ao Le Media Carré. «Quando a minha mãe acordou, disse que o manteria porque lhe tinham dito que corríamos risco de vida, era ela ou eu, mas tivemos a sorte de sobreviver», acrescentou.

Nascido e criado em França, com ascendência haitiana por parte do pai, Bellegarde representou as seleções jovens francesas, tendo participado no Torneio de Toulon. No entanto, em 2025, tomou a decisão de representar o Haiti, motivado pelo desejo de «escrever a própria história».

«Se te qualificas para o Mundial com a França, as pessoas dizem que é apenas mais um dia de trabalho. O mesmo acontece se ganhares. Eu, por outro lado, queria escrever a minha própria história com o Haiti», explicou ao site Sofoot, sublinhando o incentivo que recebeu dos jogadores e do povo haitiano.

A qualificação para o Campeonato do Mundo foi um feito histórico, alcançado mesmo sem a equipa poder jogar em casa devido aos conflitos no país. Tal como o selecionador Migné, Bellegarde nunca esteve no Haiti. «É uma pena não poder jogar no Haiti, especialmente para mim, que nunca lá estive. É frustrante porque sei que existem lugares lindos lá, quero caminhar pela terra onde a minha família cresceu», lamentou.

O médio espera que o futebol possa trazer alguma paz ao país. «Quando nos qualificámos, a guerra abrandou por dois ou três dias. Espero que, durante o Mundial, vençamos um jogo para que as coisas se acalmem ainda mais...»

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