César Peixoto despede-se do Gil Vicente: «É um adeus com o coração apertado»
César Peixoto despediu-se do Gil Vicente e dos seus adeptos com um vídeo publicado nas redes sociais do emblema de Barcelos. O novo treinador do Wolverhampton, de 46 anos, abraça a primeira experiência no estrangeiro depois de ter orientado Varzim, Académica, Chaves, Moreirense e Paços de Ferreira.
«Chegou um momento difícil para mim. É o quebrar de um ciclo que para mim foi um ciclo muito feliz e de muito crescimento. Acho que eu e a minha equipa técnica conseguimos fazer aqui um trabalho fantástico. Fomos criando alguns alicerces para o futuro do Gil Vicente. Um primeiro ano onde nós chegámos, difícil, para garantir a manutenção do clube. Depois criámos, e o clube cresceu muito em vários departamentos, criámos uma equipa forte, criámos, penso eu, um bom ADN de clube forte também, uma estrutura forte, onde nós fizemos este ano uma época fantástica na minha maneira de ver. Não só em termos de resultados e em termos de números, mas acho que em termos de paixão, de envolvimento, de qualidade de jogo, do que é os adeptos envolvidos com o clube, do que é os jogadores estarem em sintonia com os adeptos. Todos nós, o dia a dia — e eu fui dizendo isto ao longo de toda a época — o dia a dia feliz que nós criámos e construímos aqui no clube com toda a estrutura foi muito importante para o sucesso desta época», disse, acrescentando:
«Sinto-me muito orgulhoso do crescimento que nós fizemos todos aqui dentro, porque eu sozinho não conseguiria nada. Tive a ajuda de muita gente que está por trás das câmaras, principalmente dos jogadores, que vão ser para mim sempre as estrelas deste jogo. Mas há muita gente por trás também que ajudou muito e foi importante. E, sobretudo, a consistência que nós tivemos de resultados, a qualidade de jogo... acho que em termos de ciclo sinto-me muito orgulhoso pelo que nós fizemos aqui, pelo que construímos, pelo que eu cresci também enquanto treinador e a equipa técnica. É um adeus, mas com o coração apertado, porque tive três anos cá como jogador, fui capitão, agora mais um ano e meio... são quatro anos e meio de Gil Vicente. Não é um clube indiferente para mim, não pode ser».
O tempo foi também de agradecimentos. «Agradecer também aos adeptos por todo o apoio e pela paixão, e por terem vindo cada vez mais ao estádio, e espero que continuem a vir porque são muito importantes para o crescimento do clube nos próximos anos. Muito obrigado ao presidente, ao Flávio, a toda a estrutura, a toda a gente que me ajudou a consolidar enquanto treinador e, sobretudo, a fazer uma grande época onde eu me diverti muito — que isto acho que esta palavra é muito importante e é pouco usada no futebol — que nós temos que nos divertir porque nós fazemos o que nós amamos e o que nós temos como paixão também. Aos meus jogadores, claro, o meu muito obrigado por terem acreditado em mim desde o primeiro dia. Passámos momentos difíceis, momentos muito bons, onde houve uma união, uma empatia muito forte. Tenho gente dentro deste balneário que me deu muito e a quem eu estarei para sempre agradecido. Vou estar sempre aqui a torcer pelo Gil Vicente, sempre a ver todos os jogos. Mesmo estando no estrangeiro, vou ver os jogos todos, de certeza absoluta, e a torcer para que corra tudo muito, muito, muito bem. Porque é um ciclo que se fecha. Enquanto profissional, eu tenho que dar este passo. Se fosse pelo coração, não o daria, mas enquanto profissional eu tenho que o dar. Sinto que é uma oportunidade importante para mim, mas também sinto que dei tudo de mim ao longo do tempo que cá estive, ao longo dos meses que cá estive. Espero que tenha ajudado a criar um ADN forte, a criar bases para que o Gil Vicente cresça no futuro, porque o Gil Vicente é um clube que merece estar, ano após ano, do décimo lugar para cima. Tem capacidade e qualidade para isso, tem dimensão para isso, está-se a organizar cada vez mais para isso também. E muito obrigado a todos por tudo o que me deram, por terem acreditado em mim, por estes meses fantásticos que nós tivemos. Mais uma vez aos adeptos também, e boa sorte para o futuro. Serei sempre um gilista a torcer por vocês», disse.
O Wolverhampton (que na temporada que aí vem irá competir no segundo escalão do futebol inglês, o conhecido Championship) paga ao Gil Vicente uma verba a rondar um milhão de euros pela contratação de César Peixoto. Luís Pinto deverá ser o sucesso de César Peixoto no comando técnico dos galos de Barcelos, sendo que o processo negocial com o ex-treinador do Vitória de Guimarães está já na reta final e ficará, ao que tudo indica, concluído nos próximos dias.