Administrador da SAD dos espanhóis faz a antevisão ao encontro com o FC Porto, fala das ambições do clube espanhol na Champions e de como é investir no futebol português
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«A festa do futebol só é possível graças aos adeptos»

No livro 'Futebol SA' Jose María Gallego defende a ideia de que sem romantismo a modalidade não sobrevive

— Além de uma intensa atividade empresarial, também escreve livros. Como é que consegue tempo para isso?

— Costumo dizer que o livro Futebol SA surge um pouco devido ao vazio que o Amora me deixou. Fiquei ali um pouco desorientado. No verão já não há mercado para mim. Estou só com o Betis. Costumo ser bastante ativo e surgiu a ideia de tentar escrever alguma coisa… Mais do que uma crítica, é uma reflexão sobre o rumo que a indústria do futebol está a tomar, tal como eu a vejo, desde a paixão do adepto até ao futebol como negócio, que é uma realidade cada vez mais presente. Bem, no final, com tempo, dedicação e sacrificando horas de sono, o produto ficou pronto, e acho que funcionou bastante bem. Em Espanha, já vai na segunda edição; em Portugal, também já houve uma editora que se interessou pelos direitos e o livro já foi lançado no mercado. Estou contente; no fim de contas, é um livro divertido que tenta ser crítico, mas sem ser irritante, sobre a forma como vejo a indústria.

— Porque defende a ideia de que o futebol sem romantismo não sobrevive?

— Para mim é importante; eu estou no lado do futebol como negócio e qualquer pessoa que perceba isso diz: «Afinal, estás no mundo dos negócios, és um investidor; como é que consegues manter essa vertente romântica?» Mas eu digo sempre que, no fim de contas, esta festa só é possível graças aos adeptos, à paixão, àquele pai que vai com o filho ao estádio. E que, se nós, que estamos no lado empresarial, nos esquecermos de quem são os verdadeiros artífices disto e aqueles que fazem a indústria crescer, que compram camisolas, que vão ao estádio, que apoiam o seu clube incondicionalmente, se nos esquecermos dessa realidade, o desequilíbrio pode fazer com que a indústria deixe de crescer. E, depois, há sempre uma parte mais romântica, de tentar dar o seu lugar ao adepto. Aqui em Portugal há muito essa cultura das pessoas do clube do seu bairro, que funcionam mais como uma comunidade do que como um clube no qual se ajudam uns aos outros. Isso está muito enraizado em Portugal tal como na Argentina; toda essa força do clube enquanto massa social, que detém o controlo e a identidade de algo concreto. Sou um fiel defensor disso porque vivi isso aqui neste futebol, digamos de nível inferior ou quase profissional.

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