Benfica: Marco Silva defende exibições de Rafa
Depois de grande início de temporada, Rafa Silva voltou à terra, e tem sido menos influente no Benfica nas últimas semanas — contra o Vitória de Guimarães, no domingo, não marcou nem assistiu.
Mas nem por isso o treinador, Marco Silva, considera que o extremo português esteja num mau momento. «Percebo, olha-se muitas vezes para números, e os jogadores naquela posição estão muito ligados àquilo que são os seus números. Começou a época de forma muito boa, a marcar, a assistir, mas ele acabou por ter uma grande importância no último jogo. Naqueles três primeiros minutos, se a bola que vai à barra ele acaba por finalizar, mais uma ou outra oportunidade que teve, mais alguma assistência que podia ter feito, o jogo seria completamente diferente em termos de números. A aplicação, a qualidade que teve no jogo…», destacou o treinador encarnado, em flash-interview à Sport TV antes da conferência de imprensa de lançamento do jogo com o Celtic, da segunda jornada da fase de liga da UEFA Europa League
Marco Silva, em todo o caso, não garante a titularidade de Rafa no jogo de amanhã com o Celtic. «Não é só por um jogo, por uma exibição. Temos soluções, jogadores que tiveram oportunidade com o Milan estiveram muito bem. E para nós, equipa, é muito bom que o segundo golo [contra o Vitória], que acabou com o jogo, tenha a influência de dois jogadores que entraram para a linha média [Echeverri e Sudakov].
Sem confirmar opções para o onze, o treinador dos encarnados deixou no ar, em todo o caso, que não deverá fazer uma rotação tão radical como aconteceu para o jogo com o Milan, na estreia na fase de liga. «Será diferente, não porque é o Celtic, não porque é um adversário diferente, mas pelo contexto de não termos jogo no fim de semana», explicou, lembrando que o Benfica está isento desta ronda da Taça de Portugal.
«Se tivermos de mudar alguma coisa, vamos fazê-lo, mas a proximidade do jogo seguinte não é a mesma. Houve uma paragem para as seleções, alguns jogadores, em 15 dias, a nível internacional, jogaram quatro jogos, notou-se. E também se notou que alguns jogadores não jogaram jogo nenhum, e tem impacto na equipa. Percebemos o nível de competição que se tem na seleção, pouco tempo para treinar, e acabam por perder algumas bases que são importantes para a equipa e para a forma como queremos jogar», acrescentou, dando então a entender que quem foi menos utilizado na paragem para seleções deve ter minutos esta quinta-feira.
À Sport TV, Marco Silva falou também de Sudakov, e do enguiço quebrado com o golo frente ao Vitória — não marcava desde dezembro do ano passado. «O Sudakov começou a época a jogar, com bons jogos, independentemente de não fazer golos ou assistências. Mas muito do trabalho que nós lhe pedíamos estava lá. Estava a faltar um pouco daquela confiança, imprevisibilidade e criatividade para nalguns momentos fazer a diferença, porque ele tem essa capacidade. Houve momentos em que teve variadíssimas oportunidades para fazer, e [contra o Vitória] praticamente na primeira vez que toca na bola fez golo», lembrou.
«Se o golo o vai libertar mais ou não, esperemos que sim, ele precisa, todos os jogadores precisam. Falei com ele a seguir ao jogo, ainda no relvado, e finalmente apareceu aquilo que ele tanto procurava. É importante para ele ajudar a equipa. Ele tem ajudado de uma outra forma, mas é importante ajudar com golos», admitiu Marco Silva, falando ainda na questão da guerra na Ucrânia, que o médio abordara minutos antes: «Se para nós não é agradável, imaginem para alguém que é daquele país, que tem familiares e tanta gente envolvida. Nunca serviu de desculpa para ele. Não o sinto pressionado. Infelizmente, já estão habituados a isto e têm de ter capacidade para se abstrair. Depois, dentro de portas, no seu seio familiar, é algo que está sempre presente.»