Sudakov e a questão da paciência
No futebol moderno, que movimenta milhões em dinheiro e em esperança, a paciência esgota-se demasiado rápido nalguns casos. Algumas administrações, quase sempre os adeptos - também alguns treinadores e, voilá, empresários - exigem rendimento imediato ao futebolista, seja ele uma contratação promissora de 30 milhões com 23 anos ou um rapaz de 18 que acaba de deixar a casa dos pais para atravessar um oceano e chocar de frente com a nova realidade.
Gianluca Prestianni e Andreas Schjelderup foram adquiridos pelo Benfica bastante novos, mas já com andamento de primeiro escalão. A expectativa nasceu logo aí. Ambos passaram pela equipa B, o norueguês chegou a ser emprestado ao clube a que tinha sido comprado, e agora são o duo dinâmico que puxa pela equipa de Marco Silva. Os dois também estiveram perto de deixar a Luz. Nos dois casos exigia-se alguma paciência.
Um jovem recrutado por valores baixos ou moderados (o norueguês foi um investimento de 14M€, o argentino de 9) chega com margem de erro. O clube e os adeptos devem aceitar que o crescimento envolve idas à equipa B, empréstimos ou deslizes comportamentais típicos da idade, como tiveram.
Diferente tem de ser a paciência com um jogador como Sudakov. O ucraniano marcou um golo ao Vitória e finalmente obteve a injeção de moral que parecia necessitar. Marco Silva não pode olhar ao preço da compra do ucraniano para decidir o onze, mas ter ativos de quase 30 milhões no banco é um privilégio que nenhum clube português tem. Com 25 anos e um custo financeiro que não admite grande margem de erro, não pode propriamente haver complacência.
Ao contrário dos colegas, Sudakov não foi contratado para ser moldado, foi contratado para decidir e pelo que a equipa está a jogar, este pode mesmo ser o seu momento. Agora é ele quem tem de agarrá-lo.