Bruno Fernandes felicitado por João Félix após a segunda assistência da noite. Foto FPF
Bruno Fernandes felicitado por João Félix após a segunda assistência da noite. Foto FPF

A diferença que ainda faz ter mágicos numa equipa (crónica)

Norte-americanos até tiveram maior intensidade na primeira parte, mas a qualidade individual conta muito e acabou por revelar-se decisiva para uma vitória calmamente consolidada na segunda metade

Portugal bateu os Estados Unidos no último jogo de preparação antes da convocatória para o Mundial, num jogo sonolento em que o talento fez a diferença.

A vantagem portuguesa ao intervalo era lisonjeira. Num jogo muito pobre de técnica e emoção — valeu a aplicação física e a determinação das duas equipas para não adormecermos todos, nos Estados Unidos e sobretudo em Portugal — foram os norte-americanos os mais audazes e capazes de criar perigo relativo. Remataram mais, ainda que sem qualquer oportunidade de golo cantado, e tiveram um domínio territorial relevante na primeira parte, sendo ainda capazes de desequilibrar do meio-campo para a frente com jogadores de costas para a baliza a descobrirem espaços para tabelas e progressões em direção à área lusa. Depois faltou-lhes arte para o mais importante — tentar o golo — sendo que as maiores sensações de perigo resultaram de remates de meia distância.

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A Seleção Nacional pareceu meio atordoada com a pressão norte-americana e demorou muito a assentar ideias. Quer dizer, a ideia estava lá: médios mais recuados (Vitinha e Samu) a descerem na fase de construção ofensiva, centrais chegados às alas e laterais projetados na linha. Mas o jogo não saía. A bola não chegava a terrenos avançados. Trincão, Neto e Gonçalo Ramos eram órfãos do jogo.

Bruno Fernandes, a jogar como espécie de número 10 neste 4x2x3x1, era o elo de ligação que mais vezes tentava ser efetivo. Todas as aproximações relevantes à área dos donos da casa resultaram de desequilíbrios criados por ele no último terço, devidamente lançado por Vitinha. E foi assim que à passagem do minuto 37 Portugal descobriu o caminho do golo: Vitinha apanhou a defesa americana em contra-pé, Bruno Fernandes entrou pela área e teve o toque de artista que só Pulisic poderia ter do lado americano, servindo Trincão de calcanhar. Só que Portugal tem mais de um mágico e isso fez toda a diferença. Francisco, já à porta da pequena-área, recebeu em movimento, direcionou a bola para o pé esquerdo e encostou um passe à baliza à maneira do seu colega de clube Pedro Gonçalves, que termina a viagem às Américas como o único jogador sem um minuto em campo.

O recomeço foi mel para Portugal. Continuou a errar mais passes que o costume, mas um espaço inusitado na marcação de um canto permitiu a João Félix, à entrada da área, dominar, esperar pela descida da bola no momento certo e rematar para o 2-0.

João foi um dos sete novos protagonistas da segunda parte. Os Estados Unidos também substituíram muita gente e ainda por cima saíram os poucos criativos, pelo que o jogo passou a ser controlado a bel-prazer pela equipa das Quinas. Umas vezes mais depressa, outras mais devagar, mas sempre com segurança.

O correr dos minutos ainda permitiu que Mateus Fernandes e Ricardo Velho se estreassem como internacionais, mas quase como pró-forma...