Alioune Ndoye entrou para ser herói na meia-final da Taça da Liga
Alioune Ndoye entrou para ser herói na meia-final da Taça da Liga - Foto: IMAGO

A arma secreta no plano que Charles nunca largou (as notas do V. Guimarães)

Plano vimaranense foi ousado, com pressão alta e muita exposição ao perigo, mas deu frutos. O guarda-redes brasileiro fez sete (!) enormes defesas, que agarraram o Vitória à luta pela final até à última. Ndoye entrou, bisou e... decidiu. Saviolo sempre ligado à ficha

Charles (8) — O herói da noite deu pelo nome de Ndoye, mas o guião da reviravolta não teria sido escrito sem Charles, que só não defendeu o 1-0, sozinho e com Luis Suárez pela frente. O festival do guardião começou aos 36', a travar o bis do colombiano, e repetindo, logo depois, a façanha perante Alisson. Manteve a toada na etapa complementar: com a perna esquerda, disse não a João Simões (52’) e foi à relva para negar, outra vez, o 2-0 a Suárez (55'). Chegou à mão cheia quando, aos 84’, travou remate potente de Alisson. E ainda deu tempo para mais duas grandes intervenções, aos 86' e aos 90'. Ufa!

Tony Strata (6) — Estaria fiado na cobertura de Miguel Nóbrega a Luis Suárez no tento inaugural. De resto, cumpriu a defender e teve o condão de ler bem as ideias de Telmo Arcanjo, recebendo o passe do extremo para assistir Alioune Ndoye no empate.

Miguel Nóbrega (4) — Talvez por desatenção, deixou Suárez fugir-lhe nas costas no lance do primeiro golo. Um erro que marcou a exibição do central, que ainda quis compensar, aos 21’, só que o remate à meia-volta, após confusão na área, foi parar às nuvens. Admoestado desde os 29’, após várias faltas, acabaria por sair na primeira leva de alterações, para evitar riscos de maior com a partida mais aberta...

Rodrigo Abascal (5) — Cortou com o calcanhar um disparo perigoso de Ioannidis, logo aos 4 minutos. Em cima do intervalo, quase assinava golo de bandeira, atrás da linha de meio-campo, não fosse a atenção de Rui Silva. Já aos 49’, facilitou, não cortou e deixou a bola à mercê de Trincão. Vá lá que o internacional luso errou o alvo...

João Mendes (5) — Contido nas subidas, tentou combinar com Camara enquanto o francês andou no seu corredor. Mais atrás, sofreu com Alisson quando o jogo ficou mais partido, mostrando não ter pernas para as acelerações do brasileiro. E Trincão ainda o brindou com uma maldade daquelas, aos 90'. No fundo, lutou como pôde.

Beni Mukendi (6) — Percorreu o miolo a toda a largura, dando mais nas vistas na circulação, encontrando quase sempre a melhor solução de passe, do que a destruir. Rendido por Mitrovic.

Diogo Sousa (5) — Procurou mostrar-se ao jogo e quase marcou aos 26', num remate colocado que ainda tirou tinta ao poste. Nem tudo lhe saiu bem, mas não se coibiu de exibir faceta batalhadora. Substituído aos 58', com queixas musculares.

Noah Saviolo (7) — Começou à direita, a obrigar Maxi a cautelas defensivas, mas foi à esquerda que ganhou acutilância redobrada. Começou por cravar um cartão amarelo a Fresneda e, a partir daí, foi sempre a... acelerar. Causou um calafrio a Rui Silva (79'), de cabeça, e foi aproveitando o espaço. O golo da vitória é muito dele: foi por ali fora e deixou para Samu e Ndoye fazerem o resto.

Gonçalo Nogueira (6) — Juntou-se muito a Nélson Oliveira na manobra de pressão idealizada por Luís Pinto, mas também surgiu em zonas de perigo, a rematar (19') e a servir (26'). Sem Diogo Sousa, baixou no terreno, sem perder capacidade de luta.

Oumar Camara (6) — Dono de velocidade e recursos técnicos assinaláveis, foi quebra-cabeças pela ala esquerda, ganhando várias vezes no um para um em busca do cruzamento. À direita, no segundo tempo, manteve a ficha ligada. Perseguiu Maxi Araújo até à exaustão e ainda ganhou algumas bolas em zona de perigo. Cedeu o lugar a Telmo Arcanjo aos 69'.

Nélson Oliveira (5) — Baixou para dificultar a saída de bola do Sporting e, aos 8’, até roubou a bola a Hjulmand em terrenos subidos, originando lance perigoso. Viveu noite de muito trabalho de sapa, o que o afastou de zonas de finalização. Numa rara ocasião (50'), disparou por cima. Saiu aos 78', em dificuldades.

Thiago Balieiro (5) — No lugar de Miguel Nóbrega, não inventou e beneficiou da (grande) ajuda de Charles para ajudar a manter a diferença no mínimo.

Samu (6) — Além de ter dado novo (e necessário) gás ao meio-campo, apareceu na área leonina a desviar, a meias com Morita, a bola da reviravolta.

Telmo Arcanjo (6) — Dotado de uma visão de jogo superior, viu bem a desmarcação de Tony Strata e colocou no lateral com conta, peso e medida na jogada do empate.

Matija Mitrovic (5) — É perigoso na meia-distância e foi assim que quase picou o ponto, já bem para lá do minuto 90'. O livre direto saiu a rasar o poste...

Melhor em campo - Alioune Ndoye (8)
Com o Vitória a perder pela margem mínima, a missão atribuída por Luís Pinto a Alioune Ndoye foi bem clara: dar a presença na grande área do Sporting que faltou durante os 78' que Nélson Oliveira esteve em campo. E que mais se pode pedir a um avançado que, além de ter cumprido essa tarefa, abrilhantou-a com os golos que completaram a reviravolta e colocaram os vimaranenses na final da Taça da Liga? O senegalês, de 24 anos, terá vivido a noite mais feliz da carreira e, se assim foi, fê-lo por mérito próprio. Apareceu, felino, a desviar o cruzamento de Strata para o 1-1 (90'+2'). No último suspiro, estava no sítio certo para tirar proveito da carambola de Samu e Morita, com o VAR a confirmar a explosão de alegria. E tudo vindo de alguém que, até ontem só tinha dois golos marcados pelos minhotos...

As notas do V. Guimarães

Charles (8); Tony Strata (6), Miguel Nóbrega (4), Rodrigo Abascal (5), João Mendes (5); Beni Mukendi (6), Diogo Sousa (5); Noah Saviolo (7), Gonçalo Nogueira (6), Oumar Camara (6); Nélson Oliveira (5).

Suplentes utilizados: Thiago Balieiro (5), Samu (6), Telmo Arcanjo (6), Mitrovic (5) e Alioune Ndoye (8).