Como se combatem vikings? De bigode e «faca nos dentes!»
Salvador Salvador passa por um adversário grego e marca... mesmo muito agarrado (IMAGO)

Como se combatem vikings? De bigode e «faca nos dentes!»

ANDEBOL15.01.202409:20

Salvador Salvador não teme dinamarqueses, com quem Portugal vai disputar o primeiro lugar do grupo F, já de olho na Main round

Quem acha que um viking barbudo com a espada em riste pode ser assustador, certamente, nunca viu um ribatejano de bigode com uma faca nos dentes.

Mas é uma imagem desse género que se vai poder ver em Munique, nesta segunda-feira, quando Portugal entrar em campo frente à Dinamarca (19h30) para decidir o primeiro classificado do grupo F do Europeu. Vá, sem as espadas. E sem a faca. Pelo menos em sentido literal. Mas as barbas e o bigode vão estar lá. E o ribatejano da Seleção, Salvador Salvador, garante que a raça e entrega podem muito bem fazer as vezes da faca que trouxe para a conversa com A BOLA, um dia depois do apuramento para a Main round.

Salvador Salvador, jogador da seleção de andebol, no jogo frente à República Checa (IMAGO/Beautiful Sports)

«Conseguimos duas vitórias e agora defrontamos a poderosíssima Dinamarca para tentar levar pontos para a fase seguinte. É uma equipa que dispensa apresentações, afinal são tricampeões do mundo. Mas estamos no Europeu, é só um jogo, por isso, qualquer coisa pode acontecer. Vamos entrar com a faca nos dentes e a olhá-los nos olhos para os defrontar, sabendo que precisamos de mostrar uma entrega ao mais alto nível», introduz o jogador da Seleção e capitão do Sporting.

Do outro lado, reconhece Salvador, estarão alguns dos melhores jogadores do Mundo, começando na lenda do andebol Mikel Hansen, passando por Mathias Gidsel, MVP e melhor marcador do Mundial de 2023, ou ainda Simon Pytlick, eleito para o sete ideal da mesma competição que os dinamarqueses conquistaram há um ano.

Mas quem é que esperava facilidades na fase final de um Europeu? «Sabemos que ao chegar aqui vamos defrontar os melhores. Mas eles também já sabem que vão ter de dar o máximo para nos ganhar. O grau de dificuldade vai aumentar, mas vamos continuar fiéis ao que temos feito, mantendo a entrega e raça para travar todas aquelas estrelas», receita o atleta de 22 anos, natural de Samora Correia.

Dupla com Cavalcanti mostra solidez

Aquilo que já ficou claro para todos desde o arranque do Europeu é que a sociedade entre Salvador e Alexandre Cavalcanti, com poucas rotinas a jogar ao centro na defesa 6x0 portuguesa dá garantias absolutas. E ainda bem, porque as alternativas seriam... adaptações.

Salvador Salvador e Alexandre Cavalcanti são as duas peças mais importantes da defesa da seleção de andebol de Portugal (IMAGO)

«Desde o início do estágio, sabíamos que não haveria muitas opções no meio. A lesão do Daymaro ainda nos prejudicou mais, mas o treinador sempre nos disse que acreditava bastante em nós. No clube, a posição em que defendia era ligeiramente diferente, mas o Alex é excelente defensor e isso torna mais fácil entendermo-nos», explica aquele que foi um dos melhores na vitória frente à Rep. Checa, com uma exibição defensiva impressionante.

A importância da dupla de defensores centrais nota-se também no facto de nenhum deles, apesar de ser forte ofensivamente, estar a jogar muito tempo no ataque. Uma opção que Salvador diz entender. «Atacar traria um desgaste muito maior, claro. Mas neste tipo de competição, o cansaço não entra, fica no hotel e nós vamos jogar de maneira a lutar por cada bola para continuar a sonhar», finaliza... de faca nos dentes.

Salvador Salvador após a vitória de Portugal sobre a Rep. Checa no Europeu de andebol (IMAGO)