SC Braga parou o Benfica na Luz para a Taça de Portugal (foto SLB)

SC Braga faz o impossível e desliga a Luz

Na época em que ascenderam à Liga e no primeiro embate de sempre contra o Benfica, minhotos eliminaram as águias nos oitavos de final da Taça de Portugal

E o que parecia impossível, ainda por cima para uma equipa que esta temporada subiu pela primeira vez à Liga, e no campeonato leva 4 v-3 d, aconteceu!

Numa partida em que nunca permitiu que os donos da casa liderassem por mais de 8 (37-29) e tendo anulado sempre a desvantagem frente aos tetracampeões e única formação invicta no campeonato, o SC Braga realizou aquilo que nenhum outro clube português concretizou nos últimos 25(!) meses: ganhar na Luz.

Parece irreal, mas é verdade. Em jogo a contar para os oitavos de final da 77.ª Taça de Portugal, os homens de Pedro Grenha eliminaram o Benfica por 82-81 (22-21, 21-15, 17-29, 21-17) com um cesto a 1s do fim.

Há dez jogos, incluindo o play-off da passada temporada, que os encarnados não perdiam, em casa ou fora, em competições internas. Agora, apesar de serem o maior vencedor da Taça de Portugal - 23 em 38 presenças na final -, irão passar a terceira época sem reconquistar o segundo troféu mais importante do calendário.

E aqui entra outro registo a ter em atenção neste ciclo que chegou ao fim. A última derrota que o conjunto às ordens de Norberto Alves havia sofrido no Pavilhão Fidelidade havia acontecido a 13 de outubro de… 23. Quando a Oliveirense, sob as ordens de João Figueiredo, venceu por 71-78, para a 1.ª jornada do Grupo A da Taça Hugo dos Santos.

Inesperado? Talvez apenas porque foi a dobrar. Afinal, dois dias antes, a mesma equipa derrotara as águias, por 73-74, a contar para a 1.ª jornada da Liga Betclic 2023/24.

Mas, contando a partir do desaire até ontem, passaram 791(!) dias. Ou seja: dois anos, um mês e 29 dias. Fenomenal.

Quanto ao embate da Luz, a vitória do SC Braga foi conseguido a 1 segundo do final, quando Ricardo Monteiro (8 pts, 7 res, 2 ass) ganhou um ressalto e tocou, de imediato, a bola para Carlos Cardoso (13 pts, 4 res, 2 ass) que marcou debaixo do cesto para selar o marcador.

Norberto Alves ainda pediu um desconto de tempo e desenhou a jogada para a reviravolta, porém, o lançamento de Aaron Broussard (8 pts, 4 res), sob a derradeira buzina, nem tocou no aro.

Além de terem passado aos quartos de final da Taça frente a um dos principais favoritos, provavelmente a maioria dos jogadores do SC Braga e o seu treinador nem sabiam o que acabavam de concretizar.

Tendo entrado melhor no derradeiro quarto – já depois de ter fechado o período anterior com um parcial de 0-8 (60-65) – e tendo Seydougou Fofana (21 pts, 11 res, 4 ass) registado os últimos 17(!) pontos dos visitantes no 3.º quarto, os guerreiros pareciam ter recuperado o controlo da partida quando chegaram aos 64-71 com 5.55m no cronómetro.

Norberto Alves, que em toda a partida procurou, sucessivamente, um cinco que lhe desse eficiência e o ritmo e estilo de jogo habitual dos encarnados, pediu então desconto de tempo.

Resultou! Com Aleksander Dziewa (22 pts, 8 res) em evidência, o poste polaco já convertera os 11 primeiros pontos dos lisboetas após o intervalo, o Benfica construiu um parcial de 11-1 (75-72) para retomar o comando.

Só que, uma vez mais, o SC Braga acreditou que era possível. Jesse Bingham (9 pts, 3 res) trouxe a igualdade a 77-77 com 59s para jogar, e Broussard, também da linha de lance livre, o 81-81 com 18,2s.

Pedro Grenha, num time out, colocou Cardoso com a bola na mão para o derradeiro ataque e, apesar do base ter falhado o lançamento, Monteiro, decisivo, garantiu uma segunda oportunidade.

Note-se, ainda, que a vitória dos minhotos, que começaram por liderar o jogo por 0-7 e 3-11, aconteceu apesar de terem cometido 16 turnovers, mas que o Benfica apenas conseguiu concretizar em 10 pontos, e do seu banco só ter contribuído com 17 pontos, enquanto os suplentes das águias ajudaram com 34.