Um Porto à Porto
Galeno contribuiu muito para a festa no Dragão (Foto IMAGO)

O MISTER DE A BOLA Um Porto à Porto

NACIONAL04.03.202418:31

Vítor Vinha analisa a goleada do FC Porto sobre o Benfica

  1. Diferenças táticas

    Ambas as equipas jogaram com o mesmo sistema, 1x4x2x3x1, e com os seus onzes habituais. O Benfica manteve os seus padrões, sem qualquer nuance táctica; Sérgio Conceição, como é seu apanágio, mostrou que estudou bem a equipa de Roger Schmidt e fez alguns ajustes. Na primeira fase de construção, Diogo Costa foi decisivo. Com Pepe e Otávio, o jogo de pés do guarda-redes ajudou a bater a pressão de Rafa e Tengstedt. Alan Varela e Nico González ofereceram soluções no meio-campo; Pepê e Evanilson trabalharam mais à frente, nas costas de João Neves e João Mário. Em corredor central, o FC Porto teve vantagem de 7x4, com paciência e qualidade para encontrar homens livres e avançar no terreno. Mais à frente, Alan Varela baixou para o meio dos centrais azuis e brancos, conferindo vantagem de 3x2 na construção. Nico ficou como único médio, com seis jogadores na dianteira ofensiva, ameaçando constantemente a defensiva encarnada. Na pressão, o Benfica foi presa fácil — esteve sempre em grande desvantagem numérica e os seus níveis de energia e intensidade ficaram aquém do exigido — e o FC Porto manteve o 3x3 no meio-campo, entregando a Evanilson, em primeira instância, a tarefa de condicionar a construção encarnada. Com um bloco junto e compacto, com timings de pressão bem definidos e uma intensidade elevadíssima, o FC Porto obrigou o Benfica a errar, ou a tentar um jogo mais direto — no qual os dragões se superiorizaram nas primeiras e segundas bolas. Raramente se viu uma jogada do Benfica com princípio meio e fim, o que espelha bem a qualidade e intensidade dos dragões no plano defensivo.

  1. Sentido único

Tirando os lances de perigo de Tengstedt e Rafa, o Benfica foi praticamente inexistente do ponto de vista ofensivo, o que se agudizou com a expulsão de Otamendi, ao minuto 61. Em contrapartida, o FC Porto, com todo mérito e justiça, teve uma noite em grande. Os dois golos de Galeno, na primeira parte, e os de Wendell, Pepê e Namaso, na etapa complementar, deram expressão e volume à vitória azul e branca. 5-0, é certo, mas os dragões tiveram oportunidades para marcar mais golos.

  1. Nota

    No lance do segundo golo, João Mário conduziu bola, com Kokçu em perseguição, mas sem conseguir acompanhar. Três jogadores do Benfica não pressionaram o cruzamento de Francisco Conceição. Na área, Evanilson ganhou o duelo a Aursnes e Galeno a António Silva. Pormenores que espelham as diferenças e o resultado.

  1. Destaques

Toda a equipa do FC Porto esteve imaculada, num jogo, praticamente, perfeito. No entanto, Galeno sobressaiu pelos dois golos e pela assistência para o 3-0. Foi, e é, um jogador decisivo. Francisco Conceição voltou a fazer das suas. Carregou os dragões para a frente, desequilibrou no 1x1 e no 1x2 e rematou com muito perigo. Não marcou, mas foi diabólico.