Um Banza que assusta e o letal contra-ataque encarnado

Um Banza que assusta e o letal contra-ataque encarnado

NACIONAL17.12.202310:20

SC Braga tem o terceiro melhor ataque da Europa e é o rei das reviravoltas (5). Benfica apenas sofreu um golo até ao intervalo

O aguardado confronto desta noite na Pedreira de Braga entre 3.º 4.º classificados da Liga separados por um ponto pode ser projetado de muitas maneiras, mas uma análise estatística quanto aos golos marcados e sofridos no campeonato pelas duas equipas ajuda a esmiuçar muitas das melhores capacidades, e vulnerabilidades, das formações de Artur Jorge e Roger Schmidt.

Entrando demasiadas vezes adormecidos, os minhotos - vão numa sequência de quatro vitórias seguidas em casa - chegaram ao intervalo a perder em seis das 13 jornadas (!), mas despertam após o regresso dos balneários e venceram 10 das segundas partes, conseguindo cinco reviravoltas e marcando o triplo dos golos (27 contra 9). É, de longe, o melhor ataque da Liga (36 golos apontados à média de 2,77) e nas seis mais cotadas ligas europeias só Bayern (3,38 por jogo) e Bayer Leverkusen (2,79) superam o poder ofensivo dos guerreiros.

Dos lances de bola parada o destaque vai para os livres diretos (marcou assim por três vezes, pelos manos Ricardo e André Horta, e ainda por Álvaro Djaló ao Sporting), lance de laboratório onde os bracarenses marcaram tantos golos como o total das restantes equipas situadas até ao oitavo lugar!

A equipa tem o mais eficaz cabeceador da prova - Simon Banza marcou de cabeça seis dos 13 golos que o colocam no topo dos goleadores da Liga - e outra área a considerar é o impacto trazido pelos suplentes, autores de oito golos que permitiram vencer três partidas e empatar uma. Ou seja, um total de sete pontos foi conquistado pelo rico banco à disposição de Artur Jorge.

Já o Benfica só foi derrotado na ronda inaugural, mas concedeu três empates nas últimas cinco jornadas, seis pontos perdidos que lhe custaram a liderança da prova.

A única cambalhota no resultado conseguida deu o suado triunfo diante do Sporting na Luz, de uma equipa que marca o dobro nas segundas metades dos jogos e privilegia os lances de contra-ataque - teve êxito em cinco lances, ou seja, um quinto dos seus 24 golos surgiram das denominadas transições ofensivas rápidas.

É uma das equipas que ainda não marcou qualquer golo de livre indireto - de resto esta é uma enorme pecha das águias de Roger Schmidt, já que em 2022/23 dos 82 golos na Liga só marcaram uma vez desta forma (João Neves no empate em Alvalade). Mas, ao contrário dos minhotos, os defesas encarnados já marcaram por quatro vezes: Aursnes (2), António Silva e Bah.

As duas equipas conquistaram ambas cinco pontos (duas vitórias, uma com reviravolta) graças a golos apontados já no período de compensação concedido pelo árbitro.

FRÁGIL DEFESA BRACARENSE

No que respeita a golos consentidos, o SC Braga tem o dobro do seu adversário desta noite - bracarenses têm apenas a 11.ª defesa menos batida! - e até de lançamento de linha lateral do Gil Vicente sofreu (Roan Wilson). O Benfica curiosamente só concedeu um golo até ao intervalo, apontado por Gyokeres na Luz.

Metade dos golos sofridos pelo Benfica surgiram de lances de bola parada, com os encarnados a consentirem um só golo de cabeça, num canto concluído por Cláudio Falcão que valeu o empate do Farense na última jornada na Luz.

As duas equipas têm-se mostrado algo vulneráveis a contra-ataques ao concederem três golos cada dessa forma.