Artur Jorge: «O Benfica é fortíssimo e vai jogar em casa»
Artur Jorge, SC Braga (Imago)

Artur Jorge: «O Benfica é fortíssimo e vai jogar em casa»

NACIONAL09.01.202413:49

Treinador do SC Braga antecipa dificuldades na deslocação ao Estádio da Luz, deixando elogios ao adversário; Abel Ruiz recebe voto de confiança do técnico; equipa já recuperou do empate no dérbi com o Vitória de Guimarães

O SC Braga joga, esta quarta-feira, no Estádio da Luz, frente ao Benfica, nos oitavos de final da Taça de Portugal, com o apito inicial agendado para as 20.45 horas. Artur Jorge, treinador dos bracarenses, fez a antevisão à partida.

Que partida antevê, tratando-se de uma eliminatória e que o SC Braga vai à procura do regresso às vitórias?

Um jogo de extrema importância, sendo a eliminar no qual teremos um SC Braga a tentar ultrapassar este adversário para seguir em prova e obviamente ir em busca da vitória, pois só esse resultado nos permite continuar. Temos de ter ambição de sermos superiores para sermos vencedores.

Al Mustari, Bruma e Djaló estão aptos?

Não vou falar sobre jogador nenhum e sobre o seu estado atual.

Como trabalhou a equipa em termos anímicos, após o empate no dérbi? Como se vivem estes dias, num mês com grandes jogos e de elevada dificuldade?

Este é um mês, e também podemos prolongar para o mês de fevereiro, em que é um período da temporada de extrema dificuldade e alta competitividade. Estando inseridos em todas as provas, propusemo-nos a passar por estes momentos. Sabemos da dificuldade e estamos preparados para esse momento. São jogos exigentes, de elevada dificuldade e temos a noção do que temos de fazer para continuar no nosso caminho ao longo da época. Nestes dois meses passamos por muitos dos objetivos que temos para o final da temporada. O trabalho com os jogadores é sempre feito da mesma forma. Como após o jogo com o Union Berlin, em que se seguiu o Rio Ave e foi preciso colocar os jogadores focados. Perdemos dois pontos em casa, mas os jogadores percebem que foi no momento e que o resultado não foi o que queríamos e têm de ultrapassar isso. O Benfica é fortíssimo e vai jogar em casa, mas temos ambição para ultrapassar este adversário.

Espera um jogo diferente daquele que foi o da Liga, em que perdeu 0-1, em casa?

Contexto ligeiramente diferente. Tendo em conta que aqui sofremos um golo muito cedo. Mas, foi um jogo equilibrado e até tivemos um ascende. O resultado foi favorável ao Benfica e esse nosso ascendente pode ter sido por termos sofrido muito cedo. Espero um jogo equilibrado com duas belíssimas equipas. Sei que somos competentes e é um jogo de margem zero em que o resultado dita a continuidade nesta prova.

No final do jogo passado falou em frustração. Como lida com esse sentimento? E se sente pressão para melhorar o registo frente aos grandes?

Não sinto pressão nenhuma. Porque tenho perfeita consciência do trabalho que é feito e poder fazer seis, doze ou dezoito pontos com aquelas que são normalmente as equipas mais fortes do campeonato, não chega para os meus objetivos. Acho demasiado redutor olhar para três ou seis jogos. A consistência é que faz a diferença, mas não estou preocupado com isso. Para mim vale zero, pois temos trabalhado bem. Na época passada ficamos em 3.º e entramos na Champions e não foi por termos feito pontos com FC Porto, Benfica e Sporting. Obviamente que quero fazer mais pontos contra essas equipas. No ano passado apenas fizemos cinco pontos e quero fazer mais.

A frustração é difícil de lidar. Mas é efêmera, por isso no futebol não podemos ficar pendurados nisso. Mas, é um sinal do potencial que desta equipa que ficou frustrada com o empate. Tivemos de um lado uma equipa que ficou eufórica e do outro uma que ficou frustrada. Foi essa diferença. Uma noite não dormida da minha parte, mas depois o encerrar do capítulo, como sempre, e pensar no Benfica com muita ambição. Nestes jogos de três ou de quatro em quatro dias, temos de focar no próximo, pois a responsabilidade é sempre muito grande. Temos de trabalhar sobre vitórias e pensar em voltar a ganhar. Sabemos da exigência que temos e é essa a nossa maior pressão. A exigência de ganhar em cima de ganhar.

Nos dois últimos confrontos com o Benfica na Taça ganhou. Pensa que a derrota no campeonato esvaziou um pouco esse ímpeto?

O peso que pode ter é apenas e só momentâneo, se olharmos historicamente temos um défice muito grande nos duelos com o Benfica. Se tem importância estatisticamente? Para quem gosta sim, para mim não. Mais um jogo, no qual vamos procurar a vitória.

No final do jogo passado disse que os lances de Abel Ruiz e André Horta, que falharam boas oportunidades de golo, fazem a diferença entre ganhar. Tem explicação para o Abel não marcar?

Temos um problema que provavelmente esta conferência não chega para falar sobre isso. Sofremos de memória curta e de falta de sanidade mental. Não podemos exigir ao Abel que foi a pessoa mais triste com esse momento, mas são de facto momentos importantes. Memória curta, pois foi importante para a equipa nestes anos, até quando não era eu o treinador. Não podemos focar num momento. Acontece com frequência no futebol e por vezes parece que vale tudo, as coisas fogem de mão. Não vale tudo. Estamos a falar de homens de família que trabalham muito. A minha confiança no Abel é de 100 ou melhor 200 por cento. Já o era quando o Banza cá estava. Confio no Abel e na qualidade que ele tem. Não reduzo o bom jogo que ele fez com a perdida que teve que de facto podia ter arrumado com o resultado. Não podemos condenar quem quer que seja, nunca o fiz e não aceito que o façam com os meus. Sou o maior defensor dos meus jogadores. Perdemos todos e na próxima vamos ganhar todos. Quando digo perdemos, foram os dois pontos.

No final houve uma discussão do Matheus com os adeptos. É nessa defesa que fala?

Não temos tempo para isso, cada vez mais temos casos em que há pouca abertura para isso, que é a saúde mental dos jogadores. Escondemos a cabeça na areia e seguimos em frente. Vivemos num mundo de faroeste, mas em vez de armas atrás de um computador, nas redes sociais. Sinto o desconforto dos jogadores. Não tem a ver com o jogo em si, mas perceber que a saúde mental dos jogadores tem impacto no seu rendimento. Temos de ter corpo são e mente sã para tirar o máximo rendimento dos jogadores e sinto que por vezes é difícil, pois são bombardeados com críticas.

Pensa em reforçar o centro do ataque neste mercado?

Não estamos à procura de ninguém. Eventualmente, pode surgir alguma situação de oportunidade. Vamos competir com uma equipa que comprou um avançado de 20 milhões e agora outro por 18. Percebam que são essas as dificuldades que falo e que são factuais. Não vamos à procura, temos identificados jogadores e estamos atentos a isso. Nesta altura, não temos nada a dizer.

Prepara um plano para jogar sem ponta de lança? Os problemas físicos de Bruma e Djaló têm impedido de o colocar em prática?

Temos naturalmente, com a saída do Banza. Já jogamos com três jogadores na posição nove: Banza, Abel e Djaló. O Djaló jogou aí nas pré-eliminatórias da Champions. É uma posição em que pretendo mobilidade dos jogadores, porque também me interessa que possam ser capazes de aí atuar. Ter jogadores com qualidade e com garantias para o desempenho dessa função, sendo que estamos limitados àquilo que possa ser a disponibilidade dos jogadores.