«Acabámos por nos tornar, infelizmente, num clube fechado, bairrista»
André Villas-Boas, candidato à presidência do FC Porto: Foto: GRAFISLAB
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«Acabámos por nos tornar, infelizmente, num clube fechado, bairrista»

NACIONAL08.03.202407:51

André Villas-Boas com portistas na Suíça

André Villas-Boas esteve na Suíça, onde na noite desta quinta-feira protagonizou sessão de esclarecimento na casa do FC Porto de Lausanne. Perante plateia de cerca de centena e meia de portistas, o candidato à presidência do FC Porto analisou os erros da atual gestão.

«Nos últimos 12 anos, o FC Porto adicionou 250 milhões de euros ao seu passivo. E ao mesmo tempo que isso aconteceu, vendeu muito talento, mas teve uma margem de ingresso muito, muito curta relativamente às vendas que fez. Há muito dispêndio de dinheiro que está relacionado com comissões, intermediações, pagamentos a clubes terceiros, pagamentos a clubes formadores, e a realidade é que o FC Porto nos anos onde vendeu mais não conseguiu criar riqueza.

E ao mesmo tempo, nos anos em que ganhou mais, foi infelizmente os anos em que se perdeu uma oportunidade para todos nós. Ou seja, se olharmos para trás nestes últimos 20 anos onde conquistámos 2 Ligas Europa, 1 Taça Intercontinental, 1 Liga dos Campeões, e pensarmos que em vez de termos crescido perdemos a relação com os nossos adeptos, perdemos a relação com o nosso associativismo, entrámos em quase descalabro financeiro, parece quase uma irrealidade.

O FC Porto tem 88 por cento dos seus sócios em três distritos apenas - Porto, Braga e Aveiro. Ou seja, a Sul e a Centro é um deserto (...) Resistem apenas os bravos fora da zona do Porto. E aqui também vocês (fora de Portugal)», disse, lamentando um clube que diz estar «fechado sobre si mesmo».

«Nestes últimos 20 anos, onde podíamos ter crescido abruptamente por esse mundo fora - somos uma marca forte, temos valores únicos, temos cultura Porto, de paixão, de desejo, de dedicação - acabámos por nos tornar infelizmente num clube fechado, bairrista. Isso, em vez de crescermos nacionalmente como o melhor clube português, com o maior número de associados.

Infelizmente, a realidade é essa: pagámos um preço muito elevado por termos tido uma direção que se acomodou nestes últimos 20 anos, e que acabou por tornar o FC Porto de certa forma no seu quintal - o que impediu o seu crescimento», referiu ainda.

Não faltaram os elogios, como sempre tem feito, ao presidente Pinto da Costa, mas a necessidade de mudança, disse, fala mais alto.

«Tivemos muito sucesso desportivo, devemos muito ao presidente Jorge Nuno Pinto da Costa - e continuarei a repetir o que já disse: será para sempre para todos nós o presidente dos presidentes do FC Porto; o seu legado será sempre honrado por esta candidatura, e o seu passado será sempre honrado por esta candidatura. Mas agora, é o tempo de um novo acordar.

O futebol assim o exige. Estamos a ficar para trás. E se não fosse a sagacidade de um treinador realmente especial, podia ainda ter corrido realmente mal. É um treinador que consegue transformar a equipa fruto do seu grande amor pelo FC Porto; tem uma capacidade de motivar os seus atletas como ninguém. Mas, de certa forma, mascarou o estado real das coisas que se passam no topo, na direção.»