O desequilíbrio inaceitável
João Cancelo fez o 1-1 diante do FC Porto (Foto: ZUMA Wire/IMAGO)

O desequilíbrio inaceitável

OPINIÃO30.11.202309:23

As epidemias que vão contaminando o jogo só são possíveis pela falta de exemplos de ‘fair play’

A violência é uma avenida que se alarga, sem travagens imediatas, que compromete o futuro do desporto e da sociedade. Quem educa quem? Felizmente há jovens jogadores e jovens árbitros que conseguem manter os jogos dentro do desportivismo que se exige. Na imprensa, nos programas de televisão, em que adultos defendem as suas cores sem cuidar de defender todas as outras, o que fica, na maior parte, são vestígios de ódios, eventualmente para agradar a lideranças que não os deveriam aceitar. As epidemias que vão contaminando o jogo só são possíveis pela falta de exemplos de fair play. A situação atual tem duas oportunidades: ou travam a violência com eficácia e regras muito determinadas, ou então corremos o risco de fomentar gerações que não distinguem o certo do errado e isso é um risco de enorme gravidade. Os treinadores devem ter cuidado nas suas comunicações públicas. Quando um treinador de uma grande equipa nacional afirma «o VAR não é positivo para o futebol», segue-se um silêncio brutal da parte dos comentadores de arbitragem, do Conselho de Arbitragem da FPF, da UEFA e da FIFA, que acaba por deixar uma marca muito infeliz. Caso curioso é que esse treinador quando tem sorte com a decisão do VAR limita-se ao silêncio. Num regresso ao passado, esse treinador entende que as decisões devem ser exclusivamente da equipa de arbitragem no campo, como aconteceu «em 100 anos de futebol»! É decisivo comparar o râguebi com o futebol e ver quem sabe tirar partido da tecnologia e valorizar a credibilidade do jogo. Continuar a afirmar que «prefiro que seja um fiscal de linha a tomar a decisão certa» é retrocesso por desvalorizar tecnologia de apoio. Curiosamente, essas declarações ocorreram no último jogo… Quando um líder não consegue levar os adeptos para comportamentos que ajudem e apoiem o clube, a sua personalidade fica afetada e sem prestígio. Se falássemos de aperfeiçoar o uso da tecnologia, juntamente com uma formação qualificada e sem inclinações clubísticas, mas antes decisões rigorosas, certamente que as polémicas e agressões seriam mais rapidamente solucionadas. Veja-se a colocação das linhas para controlar o fora de jogo, que podem ter pequenos erros que podem anular ou validar golos. Por exemplo, qual a razão para terem eliminado o sinal que o árbitro recebia no seu relógio de que a bola transpôs a linha de golo e assim ser justo? Muitas vezes, em clubes mais humildes e com mais limitações, há um trabalho de proximidade que fortalece amizades e regras que se transportam para o quotidiano. Podemos falhar, contudo ao analisar o nosso comportamento temos sempre a oportunidade de corrigir e estabilizar. Ninguém quer ser prejudicado, assim como nunca se deve prejudicar intencionalmente seja quem for. A formação de dirigentes, ao longos dos anos, já conheceu fases de aprendizagem profunda, assim como os desmandos dos que julgam saber tudo. No futebol jovem estamos a ajudar a construir a personalidade de cada um, algo que poderá ser suporte para um crescimento de cidadania. Taça de Portugal

Dos 16 jogos, a Festa da Taça continua a manter a capacidade de surpreender e a possibilidade de clubes de menor dimensão receberem, e até vencerem, adversários de divisões superiores. O Vizela venceu o Estrela da Amadora, após prolongamento. O FC Porto, a poucos dias de viajar para Barcelona, defrontou o Montalegre, que jogou com dignidade, ambição e em jogo aberto dentro das suas possibilidades; o treinador do Montalegre e a sua equipa, apesar da derrota natural, mantiveram o ritmo constante para defrontar os azuis e brancos com a intensidade que conseguiram, prestigiando o jogo. O FCP tenta, com a rapidez possível, recuperar jogadores para conseguir o melhor resultado possível em Barcelona, com melhor arbitragem. O Portimonense perdeu com o Braga por 1-4. Canelas 2010 foi derrotado pelo Marítimo por 3-1. O Nacional venceu nas grandes penalidades (6-5) o Casa Pia. O Gil Vicente foi ganhar a Serpa por 1-0, com o clube local a ter uma prestação para não esquecer. O Penafiel venceu em casa o Vitória de Setúbal por 3-2 (ap), num jogo com dois autogolos dos setubalenses. O Guimarães venceu o Vilaverdense por 4-1, num jogo vivo e com golos de qualidade. O Benfica teve a felicidade do jogo porque o Famalicão fez autogolo, sofreu de imediato uma expulsão (em dois minutos) e naturalmente aconteceu o segundo golo, tudo em 5 minutos. O cartão vermelho mostrado ao jogador do Famalicão foi precedido de fora de jogo do jogador do Benfica! Curiosamente, esta época na Luz, houve 4 jogos com expulsões (Famalicão, Sporting, FC Porto e Guimarães), que são sempre uma mais-valia! Os petardos continuam a violar a lei. O Amarante foi a Paredes vencer por 2-0. O Elvas empatou com o Santa Clara por 1-1 e a equipa dos Açores venceu nas grandes penalidades (4-1). O União de Leiria venceu o último clube que representava os Distritais, o Malveira, por 5-0. O Estoril Praia ganhou ao Mafra por 2-1. O Sporting eliminou o Dumiense com resultado de 8-0. O Torreense perdeu com o Tondela (2-4 nas grandes penalidades, após 1-1). O Arouca eliminou o Boavista (2-2 e 4-3 gp). Passaram à fase seguinte: 9 clubes da divisão I; 6 clubes da divisão II; 1 clube do Campeonato de Portugal.

Champions

Em Barcelona, o FC Porto jogou para procurar vencer o adversário e lutar pelo primeiro lugar no grupo, desejando antecipadamente uma arbitragem superior à do jogo no Dragão, porque essa teve influência direta no resultado com erro grave e inaceitável. A recuperação de Pepe foi muito importante, porque acrescentou confiança e estabilidade. Sérgio preparou a estratégia, mas os laterais não foram eficazes nem a defender, nem a atacar. FC Porto entrou a vencer, circulando com eficácia, e Cancelo empatou em lance sem oposição. Barça, na segunda parte, conseguiu o segundo golo, mais uma vez por falha defensiva. Meio campo sem velocidade, muitas faltas sobre Pepê sem marcação e faltou ligação no ataque, desperdiçando lances com perigo. Último jogo do grupo, apesar de poder empatar, obriga os azuis e brancos a vencer, para se apurarem para a fase seguinte sem riscos. O Benfica recebeu o Inter, esteve a vencer por 3-0 e deixou-se empatar 3-3, ficando um registo sem vitória. O Braga empatou em casa com o Union Berlim por 1-1 e mantém o terceiro lugar no grupo. Hoje, para a Liga Europa, desejamos que o Sporting vença a Atalanta, para assim conseguirmos mais pontos para o ranking europeu.

Universo Porto

Evanilson, esta época, é o melhor marcador do clube neste momento, tendo atingido 50 golos nos 123 jogos disputados. «O nosso treinador quer que quem joga na frente procure atacar o espaço, a linha defensiva e evoluí muito nesse aspeto de atacar com intensidade. Atacar forte, aproximar, ir nas costas, aparecer para jogar (…) Temos de transportar o que treinamos para o jogo. Esse é o caminho», afirmou Evanilson. Quaresma, no passado, jogou no FC Porto e no Barcelona e caracteriza cada cidade: «Barcelona é Catalunha, querem ser um país e não uma cidade e logo aí nota-se que a mentalidade das pessoas é diferente. E o Porto é aquilo que sabemos, é uma cidade totalmente diferente de todas as outras que temos em Portugal. As pessoas vivem para o clube, respiram o clube, não veem outra coisa que não seja o clube. É o que digo muitas vezes: para triunfar no FC Porto tens de ter personalidade, pois a exigência é tanta. Às vezes há muitos jogadores, não é que não tenham qualidade, mas não aguentam essa pressão toda… Em Portugal, o FC Porto é diferente dos outros clubes.» A qualidade técnica do Harry Potter da Catalunha teve tudo para chegar ao máximo esplendor, com as suas trivelas únicas, mas não conseguiu atingir o sonho máximo para o qual tinha toda a competência: o futebol tem imponderáveis que nunca se conseguem entender. «Se fizesse no Barcelona o que fiz no Dragão, podia ter ganho a Bola de Ouro», lamentou-se Quaresma.