Andreas Leknessund (Uno-X), vencedor da 7.ª etapa da Vuelta 2026
Andreas Leknessund (Uno-X), vencedor da 7.ª etapa da Vuelta 2026

Vuelta: Leknessund vence em dia de Pogacar sem 'instinto matador'

Norueguês da Uno-X foi o mais forte dos fugitivos na última subida, enquanto o esloveno abdicou da habitual sede de vitória, mas no final ainda ganhou alguns segundos à concorrência

Um dia depois de ter sido surpreendido após um ataque em montanha, algo raríssimo, Tadej Pogacar abdicou da vitória numa etapa com chegada em alto, o que também é incomum no esloveno, e geriu a condição de líder com ampla vantagem sobre os adversários ao permitir que a fuga vingasse ao sétimo dia da Volta a Espanha. A equipa UAE Emirates limitou-se a controlar o avanço dos fugitivos, nenhum ameaçando a camisola vermelha de Pogacar, que resistiu ao aumento de ritmo da Decathlon e aos ataques de Felix Gall, chefe-de-fila da formação francesa, antes de voltar a ganhar tempo à concorrência após acelerar a dois quilómetros da meta.

Na dianteira, impondo-se num quinteto em longa fuga, o norueguês Andreas Leknessund, conquistou a etapa em Aramón de Valdelinares, com 34 segundos de vantagem sobre o compatriota e companheiro de equipa na Uno-X, Tobias Johannesen, depois de ambos, à vez, terem deixado para trás o belga Wout van Aert (Visma), terceiro a 47 segundos do vencedor.

Tadej Pogacar cruzou a meta na 19.ª posição, a 4.23 minutos de Leknessund, um resultado pouco habitual no bicampeão mundial numa etapa de montanha de uma grande Volta, mas perfeitamente adequado à condição de líder folgado da classificação geral. Desta vez, o esloveno, já vencedor de três etapas, a mais recente na véspera, depois de enorme desgaste da equipa UAE e num desfecho pouco habitual, surpreendentemente alcançado numa subida dura pelo espanhol Enric Mas, batendo-o ao sprint final, aguardou pelo desenrolar da corrida no pelotão, sacrificando a permanente ambição de conquista por uma abordagem mais conservadora e sensata, e igualmente proveitosa para a vitória na Vuelta. Ganhou mais alguns segundos aos rivais diretos na luta - se ainda haverá - pela camisola vermelha.

Pogacar provou - se ainda necessitasse - que continua a ser o mais forte em competição, principalmente face a Enric Mas, que não foi capaz de responder à aceleração de Pogacar na fase final da derradeira ascensão, cedendo-lhe 16 segundos. O austríaco Felix Gall, que foi o único dos corredores da geral a mexer com a corrida, primeira com a equipa a intensificar o ritmo no pelotão durante a última subida e depois a desferir um ou dois ataques que causaram as cedências de 12 segundos por Primoz Roglic (Red Bull), Oscar Onley (Netcompany) e Sepp Kuss. O maior perdedor nesta jornada foi o equatoriano Richard Carapaz (EF Education), que deixou 1.29 minutos em relação a Gall.   

Na classificação geral, Pogacar aumentou para 3.50 minutos a vantagem sobre o Enric Mas e para 4.50 face ao compatriota Primoz Roglic (Red Bull-BORA-hansgrohe), segundo e terceiro, respetivamente. 

João Almeida não chegou a ser chamado ao trabalho na equipa UAE Emirates, como na etapa da véspera, descolando do grupo principal quando a Decathlon acelerou, e concluiu a tirada na 111.ª posição a 20.20 minutos do vencedor. O português é o 112.º da geral, a 1:09.06 de Tadej Pogacar. Ivo Oliveira, ao invés do compatriota, foi um dos mais ativos na formação dos Emirados na missão de controlar a fuga e após esse enorme esforço terminou a etapa na posição 170, a 29.46 minutos de Andreas Leknessun (na geral, 172 entre 178 ciclistas).   

No sábado, a oitava etapa, em terreno plano, corre-se entre Puçol e Xeraco, na distância de 171 quilómetros.

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