Vuelta: Leknessund vence em dia de Pogacar sem 'instinto matador'
Um dia depois de ter sido surpreendido após um ataque em montanha, algo raríssimo, Tadej Pogacar abdicou da vitória numa etapa com chegada em alto, o que também é incomum no esloveno, e geriu a condição de líder com ampla vantagem sobre os adversários ao permitir que a fuga vingasse ao sétimo dia da Volta a Espanha. A equipa UAE Emirates limitou-se a controlar o avanço dos fugitivos, nenhum ameaçando a camisola vermelha de Pogacar, que resistiu ao aumento de ritmo da Decathlon e aos ataques de Felix Gall, chefe-de-fila da formação francesa, antes de voltar a ganhar tempo à concorrência após acelerar a dois quilómetros da meta.
Na dianteira, impondo-se num quinteto em longa fuga, o norueguês Andreas Leknessund, conquistou a etapa em Aramón de Valdelinares, com 34 segundos de vantagem sobre o compatriota e companheiro de equipa na Uno-X, Tobias Johannesen, depois de ambos, à vez, terem deixado para trás o belga Wout van Aert (Visma), terceiro a 47 segundos do vencedor.
Tadej Pogacar cruzou a meta na 19.ª posição, a 4.23 minutos de Leknessund, um resultado pouco habitual no bicampeão mundial numa etapa de montanha de uma grande Volta, mas perfeitamente adequado à condição de líder folgado da classificação geral. Desta vez, o esloveno, já vencedor de três etapas, a mais recente na véspera, depois de enorme desgaste da equipa UAE e num desfecho pouco habitual, surpreendentemente alcançado numa subida dura pelo espanhol Enric Mas, batendo-o ao sprint final, aguardou pelo desenrolar da corrida no pelotão, sacrificando a permanente ambição de conquista por uma abordagem mais conservadora e sensata, e igualmente proveitosa para a vitória na Vuelta. Ganhou mais alguns segundos aos rivais diretos na luta - se ainda haverá - pela camisola vermelha.
Pogacar provou - se ainda necessitasse - que continua a ser o mais forte em competição, principalmente face a Enric Mas, que não foi capaz de responder à aceleração de Pogacar na fase final da derradeira ascensão, cedendo-lhe 16 segundos. O austríaco Felix Gall, que foi o único dos corredores da geral a mexer com a corrida, primeira com a equipa a intensificar o ritmo no pelotão durante a última subida e depois a desferir um ou dois ataques que causaram as cedências de 12 segundos por Primoz Roglic (Red Bull), Oscar Onley (Netcompany) e Sepp Kuss. O maior perdedor nesta jornada foi o equatoriano Richard Carapaz (EF Education), que deixou 1.29 minutos em relação a Gall.
Na classificação geral, Pogacar aumentou para 3.50 minutos a vantagem sobre o Enric Mas e para 4.50 face ao compatriota Primoz Roglic (Red Bull-BORA-hansgrohe), segundo e terceiro, respetivamente.
João Almeida não chegou a ser chamado ao trabalho na equipa UAE Emirates, como na etapa da véspera, descolando do grupo principal quando a Decathlon acelerou, e concluiu a tirada na 111.ª posição a 20.20 minutos do vencedor. O português é o 112.º da geral, a 1:09.06 de Tadej Pogacar. Ivo Oliveira, ao invés do compatriota, foi um dos mais ativos na formação dos Emirados na missão de controlar a fuga e após esse enorme esforço terminou a etapa na posição 170, a 29.46 minutos de Andreas Leknessun (na geral, 172 entre 178 ciclistas).
No sábado, a oitava etapa, em terreno plano, corre-se entre Puçol e Xeraco, na distância de 171 quilómetros.