«Eu e Ronaldo poderíamos jogar juntos»
Em entrevista concedida ao programa Soltinhos pelo Mundo, no Canal 11, Gonçalo Ramos abordou a sua afirmação na Seleção Nacional, a convivência com Cristiano Ronaldo e o novo ciclo sob o comando técnico de Jorge Jesus. O avançado do Milan assegurou que a sua utilização não tem de significar a exclusão do capitão luso no onze titular.
«Respeitamos o estatuto do Cris, mas acho que, muitas vezes, poderíamos jogar juntos. Podíamos estar a recompensar a boa forma, os meus golos, não abdicando do Cris. Tanto que já aconteceu jogarmos juntos. Há um jogo no Dragão contra a Eslováquia [a 13 de outubro de 2023, na vitória por 3-2 com golo de Ramos e bis de Ronaldo] em que jogámos juntos, fizemos um grande jogo. Não só eu e ele, a equipa toda. É possível, não tem de se abdicar de um para jogar o outro. Há todas as possibilidades, para mim o importante é eu jogar mas não quero que saia ninguém em específico, é uma decisão do míster», explicou o ponta de lança.
O jogador abordou igualmente o episódio do abandono do capitão no último estágio, admitindo a estranheza do momento vivido pelo grupo de trabalho: «Foi uma situação meio estranha. Tínhamos um treino, chegámos e percebemos que o Cris já não estava lá. É sempre uma situação chata, acabam por soar muitos alarmes e haver muito barulho à volta da Seleção. E é um barulho mau. É o Cris, que dispensa apresentações, é o nosso capitão a abandonar o estágio. E, claro, tudo o que ele faz, seja bom ou menos bom, vai ter uma grande repercussão. Deixa-nos ali a pensar: "O que é que se está a passar?". Meio que nem parece verdade. Durante o treino percebemos que não estava, depois disseram que foi embora.»
Apesar do ruído gerado, o internacional português garantiu que a equipa procurou focar-se no jogo com a Dinamarca, onde Gonçalo Ramos marcou na vitória por 4-2, recusando qualquer tipo de ressentimento caso CR7 regresse aos convocados de Jorge Jesus no estágio de novembro.
«Se, de facto, o Cris quiser abandonar a Seleção, tem de se fazer uma despedida de acordo com a sua imagem, o seu legado e o seu estatuto. Mas acima de tudo pelo seu legado, por tudo o que fez e deu ao país, à Seleção e à Federação. Inspirou-nos a todos. Se quiser abandonar é isso que deve fazer.», declarou, acrescentando: «Se calhar, por uma atitude de cabeça quente, vamos amuar e deixar de falar com ele? Acontece. Se o Cris for ao próximo estágio, vamos estar lá, vou cumprimentá-lo exatamente da mesma maneira, não vou tocar no assunto. Se quiser resolver, resolve com o míster, com a Federação. Se quiser falar connosco vamos para ouvir, mas ninguém, acho eu, lhe vai cobrar nada.»
«Martínez tomou as decisões dele, mas para mim foi chato»
A viver uma fase profícua com as quinas — somando três golos nos primeiros quatro jogos com Jorge Jesus —, Gonçalo Ramos destacou o impacto do técnico na dinâmica da equipa e o aumento do seu tempo de jogo.
«Gostei quando anunciaram o míster Jorge Jesus, senti logo que ia estar mais próximo de jogar, até porque antes jogava um bocadinho mais do que nada. É um novo começo. Mas cheguei e houve a situação do Cris, falou-se que ele ia jogar o 1.º e o 4.º jogos. Eu sabia que no 2.º e 3.º havia grande oportunidade de jogar, estava entre mim e o Fábio Silva. Acabou por correr muito bem, aproveitei a oportunidade. Ao fazer um bom jogo no 2º, garanti para o 3º, houve aquela situação toda e acabei por jogar o 4º jogo também, mostrei serviço», recordou.
Por fim, confrontado com a era Roberto Martínez na Seleção, o avançado do Milan lamentou as poucas oportunidades que lhe foram concedidas pelo técnico espanhol.
«Perdi o Euro 2024, joguei com a Geórgia que já não contava para nada. Este Mundial fiz o golo à Croácia, mas sem isso, também foi perdido, não joguei nada. Fiz 10’ com a RD Congo, depois não joguei 2 jogos. Com a Croácia joguei meia hora e não joguei com a Espanha. O míster tomou as decisões dele mas para mim é chato. Já demonstrei que podia ter dado e ajudado muito», concluiu.