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Vítimas da guerra na memória: a história de superação do herói da RD Congo
Yoane Wissa, o avançado que marcou o golo do empate (1-1) da República Democrática do Congo contra Portugal, tem uma história de superação marcada no rosto. As cicatrizes e os óculos que usa são o testemunho de um ataque com ácido que sofreu em 2021, à porta de casa, perpetrado por uma mulher. Um episódio que quase lhe roubou a visão e a carreira.
«É uma história da qual não gosto muito de falar porque ainda dói, mas arrisquei-me a perder a visão e a não voltar a jogar. Sofri com isso», confessou o jogador. Contudo, o destino reservou-lhe um momento de glória em Houston, onde marcou o primeiro golo da história do seu país num Campeonato do Mundo
Após o golo histórico, a primeira reação de Wissa foi de incredulidade e esperança. «Rezei para não estar em fora de jogo, não percebi nada. Vou precisar de algum tempo para processar», admitiu, acrescentando que o seu pensamento se virou de imediato para «os milhões de congoleses em todo o mundo, os filhos da diáspora devido à guerra e, claro, o Zaire, os rapazes de 1974».
Nascido em França, tal como 19 dos 26 jogadores da seleção, Wissa conhece a história da participação do Zaire no Mundial 1974, marcada pela resiliência e dificuldades. O jogador não esquece a difícil situação que se vive no seu país, com a guerra no leste. «Temos de ser um exemplo, demonstrar que somos fortes, unidos e rezar pela paz. Este ponto é para todos os congoleses, para quem ficou em casa, para quem viajou e para quem já não está entre nós. Resistimos», declarou, enviando uma mensagem de união.
A sua carreira desportiva foi tudo menos linear. Gostava de ir à baliza em criança e até praticou râguebi. «A minha é uma história de verdadeira luta», recorda. A sua ascensão no futebol deu-se no Lorient, entre a Ligue 2 e a Ligue 1, seguindo-se a transferência para o Brentford, na Premier League, e, mais recentemente, para o Newcastle. «Foi um ano difícil, não fiz a diferença, mas voltarei com mais fome do que nunca», prometeu.
O empate contra a equipa de Cristiano Ronaldo é um marco que, segundo Wissa, ficará para a história. «Este 1-1 entrará nos livros, para além de Cristiano, que continua a ser um fenómeno imbatível. Mas demonstrámos que o trabalho e o sacrifício podem contrariar os prognósticos», sublinhou. O objetivo agora é claro: «Conquistámos o primeiro ponto da nossa história, agora temos de conquistar os primeiros três», referindo-se à passagem aos oitavos de final.
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