«Vi Mourinho fazer Cristiano Ronaldo chorar no balneário»
Numa entrevista de final de ano ao jornal Corriere della Sera, Luka Modric abordou os seus primeiros meses no Milan e o impacto que a Serie A teve em si. «A vida surpreende-nos sempre, acontecem coisas que nunca julgámos possíveis. Estava convencido de que terminaria a carreira no Real Madrid, mas afinal... Sempre pensei que, se alguma vez tivesse outra equipa, seria o Milan. Estou aqui para ganhar», confessou o médio croata.
Modric assume que a conquista do título «é possível», com o Milan neste momento a ocupar o segundo lugar, a um ponto do líder Inter, mas pede cautela: «A época é longa. No futebol, temos de pensar jogo a jogo. Se começarmos a fazer planos com meses de antecedência, perdemos o rumo.»
O médio falou também dos grandes treinadores que encontrou na carreira. E contou história com fortes ligações a Portugal, do seu tempo no Real Madrid. «Mourinho é especial. Como técnico e como pessoa. Foi ele que me quis no Real Madrid, sem o Mourinho nunca teria chegado. Tenho pena de o ter tido apenas uma época. Entre todos, era o mais duro. Vi-o fazer o Cristiano Ronaldo chorar no balneário, um jogador que dá tudo em campo, porque uma vez não acompanhou o lateral adversário. O Mourinho é muito direto com os jogadores, mas é honesto. Tratava o Sergio Ramos e o último a chegar da mesma forma: se tinha algo para te dizer, dizia-o na cara», elogiou.
Ainda assim, elege Carlo Ancelotti como o melhor: «É o número um. É difícil encontrar palavras. Pela sua forma de ser, não apenas pelas suas qualidades no banco. Falámos muitas vezes de Milão e do Milan quando estávamos em Madrid. Também para ele, este lugar era único. Lembro-me de quando o conheci. Eu estava sozinho na cidade. Ele telefonou-me e disse: 'Anda, vem jantar comigo'. Falámos durante horas, sobre tudo. Futebol, família, a vida. Normalmente, os treinadores não dão essa confiança aos jogadores. Ele dá.»
Agora no Milan, Modric é treinado por Massimiliano Allegri, que «tem uma personalidade incrível», elogia. «Assemelha-se um pouco a Ancelotti: é sensível, divertido e gosta de pregar partidas. Mas em campo, como técnico, é fantástico. Sabe de futebol como poucos. Não o conhecia tão bem, mas estou feliz por ser o meu treinador hoje.»
O médio croata explicou ainda a ligação que sentia com o Milan: «Era milanista por causa do herói da minha infância: Zvonimir Boban, o capitão da Croácia que quase fez história no Mundial 1998, em França. Para nós, foi algo incrível. Um país pequeno, que saía de uma guerra devastadora, apresentava-se ao mundo. Sentíamo-nos todos muito orgulhosos. Eu ainda não tinha 13 anos e o meu pai ofereceu-me um fato de treino do Milan.»