Sheffield Wednesday
Sheffield Wednesday - Foto: IMAGO

Venda do Sheffield Wednesday colapsa após ser retirada proposta milionária

Emblema do Championship já não tem comprador e está aberto a novos grupos de investimento, mas pode sofrer nova sanção na próxima época... já na League One

O futuro do Sheffield Wednesday mergulhou novamente na incerteza depois de o consórcio que planeava comprar o clube do Championship ter retirado a sua proposta. O grupo, liderado pelo jogador profissional de póquer James Bord, e que incluía também Felix Romer e Abdullah Faisal Bin Jamil, tinha sido selecionado em dezembro pelos administradores do clube para assumir o controlo em Hillsborough.

Contudo, o consórcio considerou que o valor inicial acordado, superior a 37 milhões de euros, era demasiado elevado após a conclusão do processo de devida diligência. Num comunicado, o grupo explicou a sua decisão: «Infelizmente, decidimos com pesar que temos de nos retirar do processo. A nossa proposta inicial tinha restrições à nossa capacidade de renegociar – o que é crucial, pois o valor que oferecemos é significativamente mais alto do que o justificado pelas conclusões de um longo processo de devida diligência».

O grupo já tinha feito o pagamento de um depósito não reembolsável para garantir um período de exclusividade e estava a financiar as perdas dos Owls durante a análise às contas do clube. «O nosso consórcio tem um forte historial na recuperação de clubes de futebol através de estabilidade financeira, gestão disciplinada e governação robusta. Acreditávamos genuinamente que poderíamos desempenhar um papel positivo a longo prazo como guardiões de um dos maiores clubes do futebol inglês», acrescentaram.

Numa carta aberta aos adeptos, os investidores lamentaram o desfecho. «A trágica má gestão histórica do clube e o padrão de subinvestimento catastrófico significam que a nossa considerável proposta vinculativa já não se justifica», pode ler-se. «Como foi amplamente noticiado, gastámos mais de 5 milhões de euros para ajudar a gerir o clube nos últimos dois meses e, após muita ponderação, decidimos que não podemos continuar a fazê-lo».

A situação do Sheffield Wednesday é dramática. O clube foi colocado sob administração judicial pelo antigo proprietário, Dejphon Chansiri, depois de os adeptos terem deixado de financiar o clube para forçar a saída do magnata tailandês. Desportivamente, a época tem sido um desastre, com a equipa a somar apenas 11 pontos, o que, após uma dedução combinada de 18 pontos por várias infrações financeiras, os deixa com um saldo negativo de -7 pontos.

Para agravar o cenário, a derrota no dérbi com o rival Sheffield United (1-2) no passado domingo confirmou a despromoção à League One, a terceira divisão inglesa, com 13 jogos ainda por disputar. É a descida mais rápida na história da liga... ainda apenas em fevereiro.

Com o colapso deste negócio, o Sheffield Wednesday está novamente no mercado. Os administradores esperam selecionar um novo comprador preferencial o mais rapidamente possível. Segundo a imprensa, o antigo proprietário do Newcastle, Mike Ashley, mantém o interesse, e David Storch, que já tinha apresentado uma proposta anteriormente, manifestou a intenção de voltar à mesa de negociações.

O futuro do Sheffield Wednesday está envolto em incerteza, com a possibilidade de uma dedução de 15 pontos na próxima época a tornar-se um cenário real. A principal preocupação, no entanto, é a própria sobrevivência do clube. A situação agravou-se após a rejeição da proposta de aquisição apresentada pelo consórcio Bord. Para evitar a pesada sanção pontual, era necessário que o clube atingisse um valor de 30 milhões de euros, o que permitiria pagar aos credores, incluindo o antigo proprietário Chansiri.

Apesar do revés, o consórcio Bord manifestou o seu contínuo interesse no clube. Antes da rejeição da sua oferta, um porta-voz do grupo afirmou: «Continuamos incrivelmente apaixonados pela oportunidade no Sheffield Wednesday e por ver o clube regressar à sua antiga glória».

O mesmo porta-voz acrescentou que, embora desejem sorte ao licitante preferencial, estão prontos para avançar caso surja uma nova oportunidade. «Desejamos felicidades ao licitante preferencial durante o processo, mas estamos prontos para intervir se a oportunidade se apresentar novamente. Sabemos que todos estão desapontados com a despromoção, mas desejamos o melhor à equipa para terminar a época atual.»