Hugo Oliveira avisa que talento do Famalicão «vai custar caro»
Hugo Oliveira fez uma retrospetiva de mais de um ano e meio no comando técnico do Famalicão, na 4.ª Conferência Bola Branca. O técnico de 46 anos admitiu que a tem criado «muitas raízes» ao longo da «aventura bonita» no Minho.
O Famalicão alcançou a melhor classificação com a maior pontuação de sempre na Liga, mas o «maior feito» da temporada, para Hugo Oliveira, foi outro. «Fui o primeiro treinador na história do Famalicão a ficar até ao fim na segunda época [na Liga]. O presidente dizia-me muitas vezes: 'Qual é o teu objetivo no clube?'. O meu era não ser despedido na segunda época. Eu brincava, mas dizia a verdade. 'Nunca nenhum conseguiu, se eu conseguir, alguma coisa estamos a fazer bem.»
O quinto lugar alcançado pelos famalicenses atesta o rendimento de uma equipa... que não garantiu a qualificação para as competições europeias devido ao triunfo do Torreense diante do Sporting, na final da Taça de Portugal. A Europa «nunca» entrou no balneário do Famalicão, mas Hugo Oliveira admitiu a desilusão face ao vencedor da prova-rainha.
«Não vamos ser intelectualmente desonestos e dizer que não queríamos que o Sporting ganhasse a Taça e que não queríamos ter a oportunidade de jogar a qualificação para uma competição europeia. Ia ser mais um motivo de orgulho e festejo para nós e para os nossos», admitiu.
Hugo Oliveira ficou «triste» pelos jogadores e pelos adeptos, mas frisou que o plantel fez tudo o que podia para alcançar a Europa
«Não éramos nós que íamos jogar. Aquilo que nós tínhamos que fazer, nós fizemos. A partir daí era com Sporting e Torreense. Ficámos com a consciência que demos tudo aquilo que tínhamos e fizemo-lo à nossa maneira. Por isso, tínhamos que estar felizes e orgulhosos disso mesmo, reiterou.
A imprevisibilidade do futebol atraiçoou o Famalicão, mas Hugo Oliveira não esqueceu a magnitude do feito da turma de Torres Vedras: «Na conferência pós-jogo com o FC Porto no Dragão, disse que era preciso ter respeito pelo Fafe e pelo Torreense. O futebol é bonito por causa disto. Foi um dia fantástico para o Torreense que vai ficar marcado na história. Fiquei feliz pelo treinador [Luís Tralhão], que é um bom amigo e um fantástico profissional.»
O Famalicão colocou a fasquia alta para a próxima temporada, mas Hugo Oliveira... agradece: «O futebol traz sempre um novo amanhã. Enquanto nós estamos a dormir, está outro acordado a preparar aquilo que vem aí. Mesmo quem foi campeão este ano não pode adormecer, porque há outros tubarões que estão a trabalhar para serem campeões no próximo ano. Vamos dar continuidade ao projeto.»
O técnico de 46 anos reiterou o compromisso famalicense de «preparar os jogadores para patamares muito mais altos». Questionado sobre o possível salto de Gustavo Sá, Carevic ou Ibrahima Ba já este verão, Hugo Oliveira alertou que «mais jogadores estiveram muito bem» e «mostraram que têm capacidade para jogar a um nível mais acima». «Vai ser apetecível para alguns clubes atacarem Famalicão. Posso dizer também que vai custar caro, é um produto de qualidade», frisou.
Hugo Oliveira destacou o trabalho realizado em Famalicão com vista ao desenvolvimento não só «tático», mas também «psicológic» para que «o mercado saiba» que um jogador «sai preparado para a pressão de jogar num clube maior». «Estamos a trabalhar para que possamos substituir aqueles que possam sair, se for bom para eles e se for bom para o Famalicão», avisou o técnico luso.
O desenvolvimento do clube guia cada tomada de decisão: «Não há o projeto Hugo, não há projeto Gustavo Sá, não há projeto Miguel Ribeiro, há o projeto Famalicão. Nós trabalhamos todos nisto para desenvolver a marca e o projeto, e depois aquilo que for melhor para o clube vai acontecer. Se for melhor para o clube saírem três ou quatro ou cinco jogadores, vão sair. Mas temos de ser capazes de encontrar soluções para continuarmos a semear.»
O Famalicão trabalha «de forma honesta» e «sem romantismo» para ajudar os ativos «a dar um passo em frente». Questionado sobre se a mesma lógica se aplica ao treinador, Hugo Oliveira, que renovou em março até 2028, colocou o futuro em perspetiva: «Neste momento a minha felicidade está em Famalicão. Digo muitas vezes ao presidente 'Tu podes-me querer mandar embora, mas para me tirar daqui vai ter de ser alguma coisa especial. Mas tal como os jogadores sabem, só acontece negócio em Famalicão quando é bom para todas as partes.»
O técnico admitiu que não pode dizer que vai ficar no clube «eternamente», mas defendeu que o «contínuo é o mais bonito». Hugo Oliveira frisou a existência de um «espaço muito grande para construir coisas» e prometeu que o plantel irá «fazer tudo por tudo» para continuar a alegrar os adeptos.