Venceu em Donetsk pelo Sporting: «Shakhtar até era favorito...»
LONDRES — 18 anos depois, Sporting e Shakhtar voltam a encontrar-se, mas o jogo não vai acontecer nem em Alvalade nem em Donetsk. Os dois vão defrontar-se em Londres, em Stamford Bridge, a casa emprestada pelo Chelsea aos ucranianos na UEFA Champions League, para a quarta jornada da fase de liga.
A última (e primeira) vez foi na fase de grupos da liga milionária, em 2008, e os leões ganharam ambos os encontros por 1-0. O primeiro foi a 22 de outubro na Ucrânia, resolvido com golo de Liedson (76') e assistência de Derlei, e o segundo foi logo duas semanas depois (4 de novembro), em Portugal. Assistido por Izmailov, Derlei voltou a ser protagonista ao entrar aos 69' e fazer golo da vitória quatro minutos depois.
Esses seis pontos foram fundamentais para a passagem leonina aos oitavos de final da Champions, num grupo liderado por Barcelona e com Basileia no fundo da classificação. Na fase a eliminar, o Sporting sofreu o famoso massacre do Bayern (1-12), já o Shakhtar caiu para a UEFA Europa League e ganhou o primeiro título europeu, batendo o Werder Bremen por 2-1 na final de Istanbul.
Nessa altura, os ucranianos contavam com nomes como Willian, Fernandinho, Srna, Pyatov e Luiz Adriano. Já os portugueses tinham, por exemplo, Rui Patrício, Abel Ferreira, João Moutinho, Hélder Postiga, Miguel Veloso e Tonel. A BOLA esteve à conversa com Tonel, titular no jogo de Donetsk, e o antigo defesa leonino recordava-se «perfeitamente» dessa partida «difícil» e «fria» na Ucrânia.
«Tem de ser um grande Sporting...»
«Lembro-me perfeitamente desse jogo. Estava frio, jogo muito difícil. O ponta de lança era o Brandão, brasileiro, bom jogador, alto, bom tecnicamente também. Lembro-me da dificuldade que nós sabíamos que íamos ter, tínhamos todos a consciência disso. Se calhar, em termos teóricos, o Shakhtar até era mais favorito do que nós, mas fizemos um grande jogo, muito sólido, com uma entreajuda muito grande, uma equipa muito organizada do ponto de vista defensivo», começou por dizer, acreditando que é preciso um Sporting a essa altura para somar o terceiro triunfo em três jogos oficiais com os ucranianos.
«Tivemos de fazer um grande jogo para vencer o Shakhtar, o mesmo que eu acho que tem de acontecer no próximo jogo em Londres. Tem de ser um grande Sporting para vencer o Shakhtar, embora eu não ache que o Shakhtar de hoje não é tão forte como era o Shakhtar daquela altura, mas não deixa de ser uma equipa forte», explicou, lembrando que este jogo também é diferente por motivos extra-futebol.
«Sem estar a comparar gerações - até porque o futebol de hoje não é igual ao de antigamente -, estamos a falar de um jogo há 18 anos... Agora que aquele Shakhtar era muito forte era, sem dúvidas. Hoje tem as contigências da guerra, infelizmente, de jogar fora. Isso também tem algum peso e muda a dinâmica das coisas. Mas o Shakhtar era muito forte e nós tivemos de nos superar para ganhar aquele jogo. Felizmente, correu bem, mas foi apenas um jogo e o Sporting tem de se focar no seu jogo», apontou, afirmando que os leões têm de ser melhores do que foram no último jogo com o Casa Pia.
«Equipa está com Rui Borges»
«É diferente, uma dificuldade mais elevada. O Sporting vai ter de ser melhor do que foi em Rio Maior», disse, abordando as possibilidade de apuramento dos leões, que ainda vão defrontar Manchester United, Roma, Manchester City e Barcelona. «Ainda há muito caminho pela frente na Champions, muitos jogos para disputar, um jogo de cada vez. Olhar para este jogo e perceber o contexto. Uma equipa ucraniana, vai jogar em Londres, é diferente. É uma equipa que está ao alcance do Sporting, de um bom Sporting, superior ao do que foi em Rio Maior», reiterou, fazendo também uma análise à vitória no campeonato.
«É sempre melhor ganhar do que não ganhar. O Sporting não fez uma grande exibição, mas ganhou. Tudo bem que nos últimos 15 minutos até ao 2-0 a equipa perdeu ali um pouco o controlo do jogo, mas mesmo assim não consentiu nenhuma grande oportunidade ao Casa Pia. Foi sólida, viu-se atitude competitiva, que é importante nesta fase em que se fala muito da questão do treinador. A equipa mostrou que está com o treinador, que os jogadores querem, dão tudo. Isso é positivo», referiu, sendo questionado se Rui Borges se pode manter no cargo de treinador com duas vitórias antes da pausa.
«Sim, acredito que sim. Agora, é preciso a equipa ter resultados e depois ir melhorando a qualidade de jogo. Primeiro resultados, em Rio Maior teve um. A equipa tem de dar passos em frente na atitude, compromisso. A equipa esteve ligada, isso é importantíssimo. Senti que os jogadores estão com o treinador. O futebol muda para o bem e para o mal muito rápido. Hoje o Rui Borges se calhar respira melhor, daqui a dois jogos não sabemos. Está numa fase de instabilidade e precisa de ganhar estabilidade. Para isso tem de ter bons resultados. Nenhum treinador tem garantias de nada, os resultados é que vão ditar e Rui Borges também depende dos resultados. Está numa fase mais tremida, vamos ver daqui a uns tempos», concluiu.
Artigos Relacionados: