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Tuchel concede que Saka merecia mais no Mundial: «Nem me apercebi que tinha feito hat-trick»
A Inglaterra garantiu a medalha de bronze no Mundial 2026 após uma vitória emocionante por 6-4 sobre a França, em Miami, alcançando a melhor classificação desde a conquista do troféu em 1966. Apesar das críticas às táticas de Thomas Tuchel após a dolorosa eliminação nas meias-finais contra a Argentina, o selecionador alemão disse que continua a sentir confiança dos adeptos ingleses.
Relativamente à derrota com a Argentina, Tuchel insiste que a desilusão é grande, mas não definitiva. «Não creio que tenhamos perdido a confiança [dos adeptos]. Não creio que eu tenha perdido a confiança», afirmou. «O que quer que tenha acontecido naqueles 30 minutos contra a Argentina, ou talvez nos 45 minutos da segunda parte, quando nos tornámos demasiado passivos... o que quer que tenha acontecido e porquê, estivemos perto, mas o meu trabalho é tomar decisões».
Depois da vitória e assegurado o terceiro lugar, o selecionador fez questão de sublinhar o melhor lugar desde a vitória em 1966. «Para ser muito sincero, a conferência de imprensa de ontem deu a sensação de que tínhamos sido eliminados na fase de grupos sem conseguir uma única vitória. E, 24 horas depois, alcançámos o maior sucesso do futebol inglês dos últimos 60 anos», notou.
Apesar do terceiro lugar, Tuchel ainda enfrenta o desafio de quebrar a incapacidade da Inglaterra de vencer as nações de elite em grandes torneios. Sobre a diferença para as melhores seleções, o técnico comentou à BBC: «Temos a capacidade de a encurtar, mas eles têm a capacidade de a abrir novamente. Há oito anos, a França foi campeã. Há quatro anos, esteve na final. Há uma pequena diferença, mas não há problema. Queremos encurtá-la».
O selecionador reconheceu a dor da eliminação frente à Argentina: «Somos competitivos, por isso quase não nos permitimos ter orgulho do terceiro lugar, porque estabelecemos o objetivo mais alto. Se falhas, a dor fica por um tempo. Como disse ontem, a cicatriz vai ficar. É assim no desporto de alto nível».
Opções com Saka
Bukayo Saka marcou três golos no carrossel de jogo frente à França e o selecionador foi questionado sobre a sua ausência nas meias-finais, referindo que quis ter cautela depois de ter estado lesionado: «Ele fez tudo bem. Depois do jogo com a Noruega, tive a sensação de que, na meia-final, o Morgan Rogers iria estar envolvido em algo especial. Foi só isso. O jogo foi tão exigente que fomos obrigados a fazer alterações devido às cãibras e ao desenrolar da partida, e acabou por não entrar. O Bukayo mostrou que é um jogador-chave; isso nunca esteve em causa. Nem sequer me apercebi de que tinha feito um hat-trick, perdi a noção de quem estava a marcar os golos», confessou.
O selecionador citou o cansaço que a comitiva tem acumulado, referindo que a equipa francesa estaria mais fresca: «Foi como se tivéssemos jogado quatro partidas num só jogo, tal foi o que aconteceu. Uma primeira parte louca e uma segunda muito atribulada. Dá para perceber a diferença que um único dia pode fazer. Estávamos muito, muito cansados e esgotados depois das últimas semanas. Estava preocupado com a exigência física do jogo, tendo em conta a ameaça que a França representava. Eles tiveram um calendário muito menos intenso, menos exigente. Tiveram mais um dia de descanso após a meia-final e viajaram menos do que nós. Isto resume bem aquilo por que passámos. Jogámos com calor, fomos a prolongamento e ainda em altitude. Estava preocupado com a condição física da equipa. Na segunda parte viu-se isso, com as cãibras e o cansaço. Mas nunca duvidei da capacidade da equipa para superar o desgaste. Este grupo criou algo de especial e voltou a demonstrá-lo.»
Após o encontro, em declarações à BBC One, Saka lamentou a pouca utilização. «Claro que gostaria de ter jogado mais, mas é demasiado tarde para falar sobre isso», afirmou. «Tento falar dentro de campo e agora está feito, é seguir em frente. Estou em forma», acrescentou o jogador, que também comentou o ruído em torno do selecionador: «Acho que isso faz parte do jogo... é sobre como se reage, como se usa isso como combustível, e hoje terminámos em força. Era tudo o que podíamos fazer e foi o que fizemos».
«Este é o melhor grupo da Inglaterra em muito tempo»
Declan Rice, que foi o capitão de equipa no jogo contra a França, mostrou-se convicto de que o sucesso está próximo. «Este é o melhor grupo da Inglaterra em muito tempo. Isso é um facto e ninguém nos pode tirar isso», afirmou. «Estamos tão perto, honestamente, acho que temos de continuar», referiu.
O capitão habitual, Harry Kane, que marcou seis golos neste Mundial, também elogiou o grupo, descrevendo-o como «um dos melhores grupos da Inglaterra de que já fiz parte». O avançado do Bayern, que terá 36 anos no próximo Mundial, não parece ter agora intenções de abandonar a seleção. Sobre Tuchel, acrescentou: «É o seu primeiro grande torneio. Acho que ele aprendeu muito sobre o plantel, a campanha, as viagens, os jogos e o que é preciso, a pressão».
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