Trump bate recorde nos Estados Unidos com o discurso mais longo de sempre
1 hora, 47 minutos, 46 segundos: Donald Trump bateu, na última madrugada, o recorde de discurso mais longo de um presidente dos Estados Unidos da América, por ocasião da habitual cerimónia do Estado da União.
O discurso mais longo de sempre sobre o Estado da União pertencia a Bill Clinton, que em 2000 falou uma 1 hora, 28 minutos e 49 segundos. De referir que, em 2025, Trump já tinha protagonizado um discurso mais longo - 1 hora, 39 minutos e 32 segundos -, mas não foi no contexto do Estado da União.
Donald Trump proclamou o seu primeiro ano de mandato como um sucesso, apesar dos baixos índices de aprovação pública antes das eleições intercalares de novembro, que podem devolver o controlo do Congresso aos democratas.
Num discurso com a duração recorde de quase duas horas, Trump adotou um tom triunfante, argumentando que reconstruiu um país arruinado pelo antecessor, Joe Biden. «Esta noite, após apenas um ano, podemos dizer com dignidade e orgulho que alcançámos uma transformação como nunca ninguém viu antes, e uma reviravolta para a história.»
Entre os poucos anúncios, destacou-se a nomeação do seu vice-presidente, JD Vance, para liderar uma «guerra contra a fraude» e a negociação de um «compromisso de proteção dos contribuintes» para mitigar o impacto dos novos centros de dados nos custos de eletricidade das famílias.
Trump fez alegações factualmente incorretas, como a de que um refugiado ucraniano foi assassinado na Carolina do Norte por um imigrante, quando o suspeito é, na verdade, um cidadão norte-americano. Afirmou ainda que a sua administração «protegerá sempre» o Medicaid, embora a principal legislação que assinou no seu segundo mandato, a «One Big Beautiful Bill Act», preveja cortes que deverão deixar milhões de pessoas sem cuidados de saúde.
O presidente foi menos contido ao atacar os seus adversários, descrevendo os legisladores democratas como «loucos» e os imigrantes somalis como «piratas que saquearam o Minnesota». Em relação ao Irão, apesar de ter ordenado um grande reforço militar na região, revelou pouco sobre as suas intenções. «A minha preferência é resolver este problema através da diplomacia. Mas uma coisa é certa, nunca permitirei que o principal patrocinador do terrorismo do mundo, que eles são de longe, tenha uma arma nuclear», declarou.
Num momento de crítica mais moderada, Trump dirigiu-se a quatro juízes do Supremo Tribunal presentes, classificando como «infeliz» e «dececionante» uma decisão recente assinada por três deles — John Roberts, Amy Coney Barrett e Elena Kagan — que o impedia de usar o poder executivo para impor tarifas a parceiros comerciais dos EUA.
Grande parte do discurso foi dedicada a homenagear cidadãos norte-americanos, que serviram como exemplos da grandeza do país. Entre os convidados estavam a equipa masculina de hóquei que conquistou medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno e um soldado da Guarda Nacional que sobreviveu a um tiroteio em Washington DC. Trump também condecorou com a Medalha de Honra um veterano da Guerra da Coreia e um piloto de helicóptero ferido durante a operação de janeiro para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
O discurso de Donald Trump foi palco de vários momentos de tensão, com congressistas democratas a protestarem ativamente contra as declarações do presidente. Um dos episódios mais marcantes envolveu Al Green, representante do Texas, que foi aparentemente escoltado para fora da câmara após exibir um cartaz com a mensagem «As pessoas negras não são macacos!». A ação foi uma resposta à partilha por parte de Trump de um vídeo racista sobre Barack e Michelle Obama e gerou confrontos com os republicanos. Recorde-se que Green já tinha sido expulso e censurado há um ano, por interpelar o presidente.
As reações às alegações de Trump não se ficaram por aí. A congressista do Minnesota, Ilhan Omar, acusou diretamente o presidente, gritando «mataste americanos», em alusão às mortes de Alex Pretti e Renee Good no seu estado.
A resposta oficial ao discurso de Trump foi proferida por Abigail Spanberger, a governadora da Virgínia. Num discurso de 13 minutos, Spanberger criticou várias políticas de Trump, desde as tarifas aduaneiras até ao envio massivo de agentes federais para deter imigrantes indocumentados. «O presidente está a trabalhar para vocês?», questionou, para logo a seguir responder: «Todos nós sabemos que a resposta é não».