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Troca de selecionador de nada serviu: os números do naufrágio da Tunísia
A Tunísia concluiu a sua participação no Mundial 2026 com uma nova derrota, desta vez frente aos Países Baixos, por 1-3, selando o pior desempenho da sua história na competição. Já eliminadas, as Águias de Cartago saíram do torneio sem qualquer ponto e com uma série de recordes negativos.
O calvário tunisino terminou com três derrotas em outros tantos jogos. A equipa africana, que já se encontrava afastada dos oitavos de final após os desaires com a Suécia (1-5) e o Japão (0-4), não conseguiu evitar mais um resultado negativo no último encontro do grupo F. A esperança de uma reviravolta, alimentada pela contratação de Hervé Renard para o lugar do demitido Sabri Lamouchi após a goleada inicial, rapidamente se desvaneceu. Com zero pontos conquistados em sete participações, esta foi a primeira vez que a Tunísia terminou uma fase de grupos de um Mundial sem pontuar.
Além disso, as Águias de Cartago registaram uma diferença de golos negativa (-10). Apenas o Iraque ou a RD Congo, que ainda têm um jogo por disputar, poderiam terminar com um saldo ainda mais negativo. A campanha desastrosa ficou marcada por vários recordes indesejados. A Tunísia tornou-se na primeira nação africana a sofrer cinco golos no seu jogo de abertura de um Mundial e a primeira a encaixar quatro golos em cada um dos seus dois primeiros encontros na competição.
A imprensa tunisina não poupou nas críticas. O jornal La Presse descreveu a participação como um «pesadelo», enquanto outros meios de comunicação falaram em «triste, frustrante e aflitivo», um «estado de coisas dramático» e uma «imensa deceção».
No último jogo, frente aos Países Baixos, o cenário de descalabro continuou. Depois de ter sofrido o golo mais rápido da sua história contra o Japão, aos 4 minutos, a Tunísia superou essa marca negativa ao conceder um autogolo logo aos 3 minutos. Pouco depois, aos 7 minutos, a Tunísia voltou a sofrer, sendo a primeira vez que a seleção sofreu dois golos nos primeiros 10 minutos de um jogo numa grande competição.
A série de maus resultados estende-se para lá do Mundial. Contabilizando um particular pré-competição contra a Bélgica (derrota por 0-5), a Tunísia sofreu pelo menos três golos em quatro jogos consecutivos pela primeira vez na sua história. A derrota com os Países Baixos foi a quinta consecutiva em todas as competições, algo que não acontecia desde 1987.
O selecionador Hervé Renard, chamado de urgência, também se aproxima de um recorde pessoal negativo. O técnico francês perdeu 75% dos seus jogos em Campeonatos do Mundo (6 em 8), somando as suas experiências com Marrocos em 2018 e Arábia Saudita em 2022. Apenas Bolilo Gomez tem uma percentagem de derrotas superior (78%) entre os treinadores com um número semelhante de jogos.
No final do encontro, Renard admitiu a inferioridade da sua equipa. «Penso que, simplesmente, não estivemos ao nível deste evento, num grupo difícil com o Japão, a Suécia e os Países Baixos. Era preciso chegar a este Mundial muito mais bem preparados, muito mais fortes. Não foi o caso. É a conclusão que podemos tirar esta noite. Depois, haverá um momento mais oportuno para analisar bem e tomar decisões para o futuro», declarou o treinador em conferência de imprensa.
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