Maxi Araújo foi, desde o início, dos mais inconformados do Sporting. Foto Sérgio Miguel Santos
Maxi Araújo foi, desde o início, dos mais inconformados do Sporting. Foto Sérgio Miguel Santos

Trincão entra a tempo de Suárez fazer o que tão bem sabe (as notas do Sporting)

Ponta de lança colombiano volta a decidir (e com que classe!) na compensação. Atacante português entra na hora certa e Alisson consegue despedir-se a deixar saudades entre os adeptos
O melhor em campo: Luis Suárez (8)
Se calhar haverá um dia em que não vai acontecer, já se sabe que tudo tem um fim, mas o Sporting, com Suárez na equipa, quase começa a contar com um golo tardio para vencer os jogos, se tal se afigurar necessário. Desta vez, ainda por cima, o colombiano não o fez uma, mas duas vezes, ambas sublimes do ponto de vista da execução. O primeiro 2-1, aos 88 minutos, não valeu por 8 centímetros. Foi a cruzamento de Trincão que Suárez fez um pontapé de moínho e concretizou com o pé esquerdo. Aos 90+6, porém, valeu mesmo e foi de calcanhar! Execução de nota artística máxima a fazer do avançado, outra vez, o melhor jogador em campo. Na primeira parte viu-se pouco, e terminou-a a falhar um golo cantado (45+2'), mas depois, entre vários bons momentos coletivos, ainda se dão estes fenómenos...

4 Rui Silva — Começou a escorregar, terminou a facilitar no golo do Nacional que poderia ter significado o fim do sonho do título. Rui Silva é, muito justamente, um guarda-redes querido em Alvalade e está claramente a marcar o seu espaço no clube, mas não teve a melhor noite. Seguro noutros dois lances perigosos, defendeu atrapalhadamente para a frente e permitiu a recarga de Alan Nuñez para o golo madeirense.

6 Fresneda — Acutilante pela direita, sobretudo na primeira parte. É um jogador em crescimento e notam-se melhorias, por exemplo, nos cruzamentos. Aos 19 minutos poderia ter decidido melhor quando Pote o colocou em boa posição na área. Defensivamente cumpriu, o trabalho também não foi por aí além.

6 Diomande — Dá segurança adicional no jogo aéreo quando está em campo. Firme a defender, teve o melhor momento com um corte subtil aos 42 minutos, a desviar a bola de um avançado do Nacional que se preparava para marcar. Vários momentos de envolvimento atacante.

6 Eduardo Quaresma — Ficou à beira de uma nota superior, que não obtém por algumas tentativas frustradas de sair a jogar, pecado que aliás comete com recorrência acima do desejável. Tem detalhes excelentes a matar ataques adversários e uma grande alma a atacar. Participa diretamente no golo da vitória ao desmarcar Alisson para o cruzamento.

7 Maxi Araújo — O mais esclarecido dos leões desde o início do jogo. Esteve envolvido, seguramente, em pelo menos dois terços dos movimentos ofensivos da equipa e aos 57 minutos quase marcava de livre. O golo do Nacional é pelo lado dele, sim, mas com gente mais responsável pelas falhas.

5 Morita — Não conseguiu agarrar o jogo, embora mantenha sempre níveis mínimos de eficácia no suporte do meio-campo leonino. Já passou por momentos em que decidia melhor mais vezes.

5 João Simões — Praticamente só se deu por ele aos 36 minutos, quando foi autor do primeiro remate leonino. Terá sido dos jogos mais discretos de João Simões, vítima, como Morita, do grande aglomerado populacional promovido pelo Nacional no centro do terreno. Estava a mostrar-se mais quando acabou sacrificado para deixar entrar Trincão.

6 Geny Catamo — Aos 13 minutos viu a vida andar para trás, porque permitiu um contra-ataque do Nacional de três para um, mas teve o enorme mérito de correr por ali abaixo e ainda ser ele a evitar um golo que parecia certo. De resto foi o Geny do costume, desequilibrador, ameaça constante ao adversário, sempre muito presente no jogo.

6 Pedro Gonçalves — Ainda distante do Pote que conhecemos, beneficiou com a entrada de Trincão e o recuo no terreno para emparelhar com Morita. Na hora de finalizar com pezinhos de lã, na área, não falhou.

5 Luís Guilherme — Alterna bons e maus momentos com uma cadência pouco aconselhável numa equipa como o Sporting. É jovem e está a chegar. Tem detalhes que prometem, mas precisará de muito maior constância para se afirmar como titular.

7 Trincão — Quase apetece dizer que foi o jogador mais importante da equipa, mesmo durante os 64 minutos que passou sentado no banco. Isto porque se sentiu bastante a falta dele. Quatro minutos depois de entrar já estava a brincar com os colegas naquele pátio da entrada da área do qual tanto gosta. No lance do 1-0 quase era ele a marcar e ainda serviu Suárez para o 2-1 que não valeu por oito centímetros. Em pouco mais de meia hora pegou na batuta, como habitualmente.

5 Faye — Vontade e verticalidade não lhe faltam. Está no lance do 1-0, mas também é dele a perda de bola que redunda no golo do Nacional, em cuja jogada ainda desiste de perseguir Alan Nuñez, que acaba por marcar.

6 Kochorashvili — 16 minutos a ajudar, e bem, a carregar a equipa para a frente.

7 Alisson Santos — Deixa milhões mas também saudades. Despede-se em grande de Alvalade, com mais uma entrada decisiva em campo, pelo abanão no jogo e pelo cruzamento para o 2-1.