Trincão foi quem mais remou contra a maré avense
Trincão foi quem mais remou contra a maré avense

Trincão ainda tentou ser gazua capaz de abrir ferrolho avense (as notas do Sporting)

Na vida, só a pescada é que antes de o ser, já o era. O empate nas Aves - surpreendente, a todos os níveis - foi um rude golpe para um Sporting incapaz de manter a intensidade de outras fases da época, perante um adversário que foi crescendo em atrevimento depois do jogo se ter ‘partido’.
A FIGURA: Trincão (nota 6)

O internacional leonino foi quem mostrou, entre os bicampeões nacionais, mais argumentos para desmontar a sólida e bem organizada defesa do Aves. O Sporting não precisava de quem sistematicamente cruzasse, necessitava, isso sim, de jogadores como Trincão, versáteis e capazes de fazer a diferença no um-contra-um, criando desequilíbrios e situações de superioridade numérica. As melhores fases dos leões coincidiram com os momentos de maior atividade, como ‘playmaker’, do jogador nascido em Viana do Castelo, mas faltou-lhe quem falasse a mesma linguagem, com Quenda (que grande passe recebeu do capitão leonino, aos 28 minutos, que desperdiçou!) a ser uma sombra, e Pedro Gonçalves a sair visivelmente desgastado as 74 minutos. Trincão teve um remate «à Pote», aos 36 minutos, que esteve a centímetros de ser o golo da semana. Faltou-lhe provavelmente, mais cedo, a ajuda da clarividência de Daniel Bragança.

RUI SILVA (6) - Batido apenas de grande penalidade (a bola que embateu no poste da sua baliza aos 90+5, deve tê-la desviado com os olhos), o guarda-redes do Sporting foi chamado a uma defesa verdadeiramente difícil, quando Diego Duarte, à meia-volta, rematou forte para a sua direita. No mais, esteve sempre bem a atuar como líbero, tendo, inclusivamente, cortado duas bolas, fora da sua grande-área, com a cabeça.

VAGIANNIDIS (6) - Muito interessante o jogo do grego, especialmente na primeira parte, quando também teve de se ocupar do trabalho ofensivo que devia pertencer a Quenda. Foi dele a assistência para o 0-1 de Rafael Nel, após belíssima incursão pela direita, e esteve perfeitamente à altura de substituir o habitual titular, Fresneda.

DIOMANDE (6) - Ocupou-se, com o estilo físico que se lhe reconhece, da marcação a Diego Duarte e terá estado demasiado tempo desocupado, nos períodos em que o ataque avense foi inexistente. Depois de ter subido sempre nas bolas paradas (excelente jogo aéreo dos defensores da equipa da casa!), acabou o jogo a ponta-de-lança, em busca de um golo à Seba Coates.

DEBAST (6) - Bons duelos com o rapidíssimo Tunde, em que levou sistematicamente a melhor. Impressionante a profundidade que dá à defesa do Sporting. Pela densidade de adversários no último terço do campo, teve dificuldade, por falta de espaço, em fazer as suas habituais incursões, em busca de desequilibrar as defesas. Na retina ficou um corte in extremis que fez a Diego Duarte (42).

MANGAS (5) - Não foi das noites mais felizes do lateral-esquerdo, que, a defender, precisou de Debast para segurar Tunde, e a atacar começou por desperdiçar, com um mau cruzamento, uma abertura açucarada de Pote, e insistiu em cruzamentos inócuos. 

MORITA (5) - Fica ligado ao golo do Aves sad, ao provocar, por colocação imprudente da mão, a grande penalidade que Pedro Lima converteu. No mais, revelou-se o jogador seguro de sempre, sem rasgo, porém, para desmontar a defesa contrária. Um minuto antes de ter cometido falta para grande penalidade, teve um disparo de meia-distância que o inspirado Adriel defendeu com brilho.

KOCHORASHVILI (6) - Pouco usado ao longo da época - pela revelação que foi João Simões, e por aquilo que Daniel Bragança mostrou ser capaz de fazer - o georgiano, na ausência de Hjulmand, realizou uma exibição positiva, com acerto nos passes (um deles, aos 79 minutos, de excelente recorte, para Catamo) e boa colocação, cumprindo a missão de substituir os centrais quando estes subiam nas bolas paradas. 

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QUENDA (4) - Fora de forma, desconcentrado e desinspirado, o jovem talento que na próxima época evoluirá em Stamford Bridge foi uma sombra do jogador que sabemos que é. Não esteve bem à direita, mudou para a esquerda, regressou depois à direita, mas o problema, de facto, não estava nem no flanco onde atuava, nem no defesa-lateral que defrontava.  

PEDRO GONÇALVES (6) - O leão que mais se aproximou de Trincão, naquilo que a equipa precisava. Porém, ao contrário do seu companheiro, revelou uma condição física periclitante que o fez sair do jogo aos 74 minutos. Um remate ao poste, muitas faltas sofridas nas imediações da grande área avense, e vários passes de classe marcaram a sua prestação.

RAFAEL NEL (6) - Confiaram-lhe uma missão ingrata - ser ‘target player’ contra uma defesa coriácea - e nunca virou a cara à luta. Mostrou qualidade nas poucas vezes em que saiu da grande área, esteve no lance mais polémico do jogo, com Devenish, e foi o último a tocar na bola no golo dos leões. 

LUIS SUÁREZ (3) - Acrescentou muito pouco à equipa e teve duas más ações, uma a atacar (de baliza aberta rematou por cima, aos 90+6) e outra a defender (não teve pernas para Perea, no lance em que o Aves rematou ao poste (90+5).

CATAMO (5) - Deu mais alegria à direita leonina, pregou um susto ao Aves quando, aos 70 minutos, cabeceou à figura de Adriel e um susto maior ainda ao fazer estremecer a baliza dos donos da casa, aos 83 minutos.

LUÍS GUILHERME (4) - Mostrou-se mal entrou (74 minutos), com iniciativas que pareciam ter o condão de desmontar a defesa contrária. Mas foi sol de pouca dura, porque cedo passou para áreas mais interiores, para dar o flanco esquerdo a Maxi Araújo.

MAXI ARAÚJO (5) - Mais incisivo e irrequieto que Mangas, obrigou Adriel a uma defesa dificílima (82) e quase marcou na recarga - num lance que terminaria com o remate de Catamo ao poste).

BRAGANÇA (4) - Para o que o Sporting estava a pedir, entrou tarde demais. Mesmo assim ainda assinou bons passes e deu maior clarividência à equipa.