Jovem de 18 anos brilhou por Marrocos no encontro com o Brasil e Lille já esfrega as mãos

'Traiu' a França para ser o patrão de Marrocos: anote bem o nome deste diamante de 18 anos

Ayyoub Bouaddi está nas bocas do Mundo depois da magistral exibição pela seleção africana diante do Brasil

O adágio chegar, ver e vencer pode ser a definição perfeita da exibição de Ayyoub Bouaddi ontem, na estreia de Marrocos no Mundial 2026, frente ao Brasil (1-1). Se viu o jogo entre os leões do Atlas e a canarinha, certamente ter-lhe-á ficado na retina o jogo de encher o olho da âncora do meio-campo de Marrocos. Pois bem, não tardou até que o nome do médio formado no Lille, de apenas 18 anos, estivesse nas bocas do Mundo, de queixo caído perante exibição tão adulta e personalizada do 'reforço' que Marrocos roubou bem recentemente às seleções de França.

Bouaddi é o médio moderno que todos os treinadores querem na posição. Combina capacidade física, qualidade na saída de bola, leitura de jogo e notável capacidade de cobertura de espaços sem bola e está a ter uma ascensão impressionante. O cartão de visitas no arranque do Mundial foi de deixar o queixo caído: de acordo com dados da plataforma Sofascore, o médio teve 91% de aproveitamento nos passes e somou 86 ações com bola. Para efeito de comparação, os médios que alinharam de início no Brasil, Bruno Guimarães e Casemiro, registraram 56 e 32 ações com bola.

Em outubro de 2023, com apenas 16 anos e três dias, tornou-se o jogador mais jovem da história a atuar numa competição europeia de clubes ao estrear pelo Lille na Liga Conferência. Não tardou até se estrear na Ligue 1 e, em janeiro deste ano, tornou-se no mais novo de sempre do clube francês a chegar os 50 jogos no campeonato, superando o recorde de Eden Hazard, muito provavelmente o maior talento a sair, até hoje, da formação do Lille.

Bouaddi ao serviço da seleção sub-21 de França

Nascido em Senlis, França, a 2 de outubro de 2007, Bouaddi fez todo o percurso natural de alguém que teria certamente lugar na seleção A dos bleus em pouco tempo. Oito jogos nos sub-16, cinco nos sub-17, três nos sub-18, um nos sub-20 e 10 nos sub-21 pareciam dar segurança à federação francesa de que o diamante não fugiria. Puro engano. Nos últimos anos, Marrocos tem intensificado o recrutamento de jogadores que, apesar de ascendência marroquina, nasceram noutros países e Bouaddi é apenas um dos 19 convocados para o Mundial que não têm naturalidade no país africano.

Bouaddi ao serviço do Lille

Segundo um levantamento da Universidade de Oxford, da Inglaterra, nos últimos dez anos a seleção marroquina teve 61 jogadores nascidos noutros países e praticamente metade deles (mais precisamente 28) optou por trocar de seleção. Seja por vontade própria, preferência desportiva ou até pressão familiar, muitos estão a preferir jogar por Marrocos, que já não é vista como uma seleção de consolação por não terem lugar nas seleções dos países em que nasceram, mas sim como uma potência a emergir: a seleção africana está aí para ficar e continuar a surpreender.

Quem esfrega as mãos com esta explosão de Bouaddi é o Lille, conhecido por vender bem e caro e que, com o mercado inflacionado como está, até pode sonhar em atingir os três dígitos numa transferência do jovem médio neste verão. Antes do Mundial, o valor de mercado no Transfermarkt era de 50 milhões de euros, mas é previsível que dispare. O Arsenal, por exemplo, já está de olho nele, garante o The Athletic.

«O Bouaddi não me impressionou hoje, porque já sei o jogador que ele é. Tive vários encontros com ele para o convencer a escolher Marrocos e, apesar de ter apenas 18 anos, já tem muita experiência. Não corri qualquer risco com ele só porque tem 18 anos», Mohamed Ouahbi, selecionador de Marrocos

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