Erik Paartalu, jogador de futebol australiano
Erik Paartalu, jogador de futebol australiano - Foto: IMAGO

«Tirem-nos deste c****** de país!»: ex-jogador recorda experiência surreal na Coreia do Norte

Erik Paartalu, antigo defesa do Greenock Morton, detalhou a bizarra experiência que viveu ao jogar na Coreia do Norte, numa partida a contar para a AFC Cup

O antigo defesa do Greenock Morton, Erik Paartalu, detalhou a bizarra experiência que viveu ao jogar na Coreia do Norte, numa partida a contar para a AFC Cup, o equivalente asiático da Liga Europa. O jogador australiano, que representou o Bengaluru FC, da Superliga Indiana, na altura, recordou uma série de episódios insólitos, desde a chegada ao país até ao momento da partida, incluindo a passagem de mísseis por cima do hotel da equipa.

Em declarações ao Suited and Booted TV, Paartalu descreveu a entrada no país como «uma loucura». A equipa teve de pernoitar na China, pois apenas existiam dois voos semanais para a Coreia do Norte. À chegada, os telemóveis e tablets dos jogadores foram inspecionados minuciosamente.

«Aterrámos e eles começaram literalmente a vasculhar telemóveis, tablets... Não sei que códigos estavam a usar, nem nos pediram para desbloquear, eles simplesmente sabiam. Estavam a tentar encontrar material ou outras coisas. E, claro, nós no grupo de conversação a partilhar memes do Kim Jong Un e do Team America. Sim, estávamos borrados de medo a pensar: 'Não vamos conseguir entrar aqui'», contou o jogador.

O ambiente no aeroporto era igualmente estranho. «Antes de toda a equipa ter passado pelo controlo, o aeroporto começou a fechar e os funcionários a sair. No aeroporto, estava apenas o autocarro da nossa equipa e mais nada. Será que vieram trabalhar só para nós?», questionou.

A experiência continuou a ser surreal durante a estadia. Paartalu mencionou que as luzes da cidade por vezes não eram totalmente acesas para evitar que os satélites captassem imagens do que se passava no país. Num treino, a equipa deparou-se com cerca de 10 mil pessoas a ensaiar uma coreografia para um festival em honra do Líder Supremo, que aconteceria dois meses depois. «Quando acabámos o treino, três horas mais tarde, voltámos e eles ainda lá estavam», afirmou, acrescentando que os guias que os acompanhavam pareciam ter sofrido uma «lavagem cerebral».

O jogo, disputado no maior estádio do mundo, contou com cerca de 10 mil espetadores, na sua maioria crianças em idade escolar que cantaram durante toda a partida. O encontro terminou com um empate a zero, e Paartalu notou que os adeptos continuaram a aplaudir educadamente, «porque não sabiam por que estavam a aplaudir».

O momento mais tenso ocorreu após o jogo, quando a equipa aguardava pela partida. Naquela altura, a Coreia do Norte estava a realizar testes de mísseis nucleares. «O paquete do hotel disse-nos que, se tivéssemos descido às 6 da manhã, teríamos visto o míssil passar por cima do hotel em direção ao Japão antes de cair na água. Nós só pensávamos: 'Tirem-nos deste c****** de país!»