Thiago Silva fica ou despede-se em grande? Há um fator decisivo
Thiago Silva venceu o 32.º troféu da carreira e tornou-se, aos 41 anos, o jogador mais velho a ganhar a Liga portuguesa, superando em longevidade outra grande referência do FC Porto, Pepe, que venceu o último campeonato com 39 anos, também pelos azuis e brancos. Feliz, mas discreto nas celebrações, o internacional brasileiro está em contagem decrescente para uma decisão importante na sua carreira: continuar a jogar mais um ano, porque o contrato com o FC Porto lhe abre essa possibilidade, ou despedir-se em grande da alta competição, depois de ter sido campeão em Itália, França e Portugal.
A decisão, sabe A BOLA, pode estar intimamente ligada ao Mundial 2026 e à chamada, ou não, de Thiago Silva. Se for incluído por Carlo Ancelotti na lista para a competição organizada pelos Estados Unidos, México e Canadá, a probabilidade de jogar mais um ano e abraçar o projeto Champions do FC Porto é muito elevada. Caso o sonho de participar num quinto Campeonato do Mundo se esfume, Thiago Silva encara com muita seriedade a hipótese de se retirar dos relvados.
«Ciclos encerram-se...»
Essa ideia de um adeus não é nova. Thiago Silva admitiu que, sem o FC Porto, poderia ter encerrado a carreira em dezembro e voltou a falar desse cenário à TNT Sports, em pleno relvado do Dragão. O central sublinhou ainda que a ambição mundialista continua presente: «O desejo de uma Champions é claro, mas também é momento de refletir um pouco sobre o futuro. Ainda temos jogos importantes pela frente, e quero estar em condições de, quem sabe, representar o Brasil mais uma vez. Estou disponível, como sempre estive, sem forçar nada. Acima de tudo, aproveito o momento. A minha carreira foi linda. Se tiver de ir para mais uma [Copa], vamos todos juntos. O futebol que tenho hoje alimenta essa expectativa. Ciclos encerram-se. Pode ser o fim de mais um, e tudo bem — o importante é continuar a fazer o melhor onde quer que esteja. Seja aqui, seja num pós-carreira, ou noutra função.»
O desejo de uma Champions é claro, mas também é momento de refletir um pouco sobre o futuro. Ainda temos jogos importantes pela frente, e quero estar em condições de, quem sabe, representar o Brasil mais uma vez
Thiago Silva também fez uma leitura muito própria sobre o seu rendimento atual. Explicou que a idade lhe trouxe outra forma de competir, mais baseada na leitura de jogo, no posicionamento e na capacidade de antecipação. «A gente é forte quando precisa de ter força, e é nessas horas que percebe o quanto realmente é forte. Tive uma temporada muito difícil no Fluminense, perdendo a classificação para a final diante do Vasco, sem saber o que ia acontecer no futuro. Entrei num período de 10, 11 dias parado, para descansar um pouco, e depois comecei a treinar: fiz uma semana e meia de ginásio, corrida, até vir para o FC Porto.»
Ciclos encerram-se. Pode ser o fim de mais um, e tudo bem — o importante é continuar a fazer o melhor onde quer que esteja. Seja aqui, seja num pós-carreira, ou noutra função
O defesa recordou ainda a adaptação ao novo contexto e a estreia num jogo de elevada exigência contra o Benfica, no Estádio do Dragão, nos quartos de final da Taça de Portugal: «Cheguei aqui, fomos para o Algarve por seis dias e treinei com o grupo nesse período. A minha estreia foi logo contra o Benfica, e confesso que senti aquele friozinho na barriga, aquele medo: será que estou preparado? Não tinha feito nada de mais. Mas a experiência deu-me condições de jogar um jogo de alto nível de forma inteligente, marcando jogadores incríveis do Benfica de maneira eficaz.»
Na estreia confesso que senti aquele friozinho na barriga, aquele medo: será que estou preparado? Não tinha feito nada de mais. Mas a experiência deu-me condições de jogar um jogo de alto nível de forma inteligente, marcando jogadores incríveis do Benfica de maneira eficaz
Parar ou continuar: a decisão está nas mãos de Thiago Silva e, em parte, também de Carlo Ancelotti, que até ao momento não chamou o defesa para nenhum jogo do Brasil desde que assumiu o cargo, embora o italiano não feche essa porta. De recordar que defesa e selecionador do Brasil trabalharam juntos no PSG (2012/2013) e chegaram a cruzar-se brevemente no Milan em 2009. Thiago mostrou no FC Porto que não perdeu qualidades.